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Carta Boi - Mercado do boi gordo: ano atípico, ano típico, conversa fiada


Sexta-feira, 10 de abril de 2020 - 10h00


Muitas vezes somos tentados a classificar um ano como atípico, para demonstrar um cenário turbulento ou surpreendente, como 2020. Pela lógica, se há anos atípicos, seria possível encontrar um ano típico. Faça o exercício e puxe na memória estes momentos de calmaria.


Voltando, em 2019 tivemos a encefalopatia espongiforme bovina (vaca louca atípica) e China comprando muito de todo tipo de proteínas que o nosso SIF (Serviço de Inspeção Federal) permite.


Tentemos outro, em 2018 tivemos a greve dos caminhoneiros e no segundo semestre a peste suína africana surgiu na China, reduzindo a produção drasticamente e plantando o cenário de demanda chinesa por proteínas de 2019. Também não foi típico.


E 2017? Precisa mesmo comentar? Bom, para os agraciados com uma memória mais curta para este tipo de eventos, tivemos Carne Fraca, volta do Funrural e delação dos irmãos Batista. Em 2015 e 2016 tivemos o processo de impeachment e a crise econômica começou (ou ficou evidente).


Voltando cinco anos não encontramos um sem um belo solavanco, seja mais direto no mercado do boi gordo, seja econômico. No caso de 2019, apesar do susto da vaca louca atípica, a demanda chinesa foi a grande surpresa do ano, fora isso, só bucha.


Se nos últimos cinco não achamos um ano “típico”, este suposto ano calmo seria raro e, por definição, o atípico. Este preâmbulo não foi para filosofar, mas para mais uma vez lembrar que sair do risco é bom, é sempre bom.


Considerações sobre 2020

Retenção de fêmeas

O ano deve ser de retenção de fêmeas, mesmo com a turbulência. O cenário de valorização da reposição e a perspectiva de resolução da epidemia no Brasil, de um jeito ou de outro, mantém tal expectativa.


Obviamente a economia será afetada e de maneira importante, mas como viemos de um ano muito positivo para os preços, a tendência deve ser mesmo de retenção.


Exportações

A China voltou às compras e os frigoríficos que vendem para lá estão pagando valores muito superiores aos do gado destinado ao mercado interno, que sente a situação de quarentena.


Com isto, 2020 deve ser mais um ano com demanda forte por novilhas e bois com até 30 meses, que atendem os requisitos do destino.


O patamar do dólar ajuda os embarques, mesmo com muitos importadores com compras mínimas, também devido a questões relacionadas à pandemia (demanda, ou mesmo logística). De toda forma, tivemos recorde no volume do primeiro trimestre.


A economia mundial está sentindo e vai sentir os efeitos do coronavírus. Somando-se a isto, temos os preços do petróleo em queda muito forte no passado recente, mas com a busca por acordos entre os produtores, para um ajuste nos volumes ofertados. Algo a se acompanhar, pois Oriente Médio e Rússia são clientes relevantes e com economias baseadas na commodity.


Custos com alimentação

A queda do petróleo, além da economia dos países produtores, afeta a atratividade da produção de etanol. Lembrando que estamos no período de início de plantio de milho nos Estados Unidos, maior produtor do grão, que destina parte importante da produção para o biocombustível.


Os acenos da China para a compra de soja do país, associados às incertezas com o petróleo podem afetar negativamente a área de milho, lembrando que lá é plantada soja ou milho, não soja e milho, como no Brasil. É possível que isso (possível área menor que projetada inicialmente) ajude a amenizar a demanda menor em nível global.


De toda forma, as projeções no Brasil são de estoques finais muito enxutos, o que poderia ser afetado por uma redução de demanda. Ainda assim, a expectativa continua de custos em alta para alimentação.


Confinamento

Com a reposição e milho nos patamares atuais, além de preços futuros do boi gordo pouco atrativos, o cenário é ruim para os resultados do confinamento. Claro que aqui consideramos preços atuais, sem entrar no mérito de quem comprou alimentos antes.


De toda forma, isto é mais um fator que pode ajudar o mercado no segundo semestre. China comprando bem, com demanda por animais jovens e um volume possivelmente mais modesto de gado de cocho podem ajudar a aumentar o ágio do gado jovem (até 30 meses).


Demanda doméstica

Este é o fator com maior potencial de impactar a precificação do boi gordo. O cenário de evolução do coronavírus no Brasil, com as medidas de contenção decorrentes, com redução súbita da atividade econômica, aumenta o desemprego, diminui drasticamente renda de informais e dinheiro circulante, consequentemente, o consumo.


Este é o ponto a ser acompanhado de perto. O ponto positivo para os preços, se é que podemos chamar assim, é que o mercado futuro precificando isso, com cotações do boi gordo de outubro em queda forte, desanima a produção da oferta que sairia naquele período (confinamento).


Em outras palavras, é a projeção de uma variável dependente (preço), influenciando a variável independente (se é influenciada não é independente, mas nesta regressão hipotética tem esta função). Resumindo, preços futuros diminuindo a atratividade do confinamento tendem a ser positivos para os preços no segundo semestre, provavelmente com uma demanda boa da China, por animais jovens.


Resumo

É possível que o mercado futuro esteja pessimista. Veja a última carta boi, do início de março, que traz movimentações históricas ao longo dos anos, para uma referência.


Obviamente, o mínimo histórico não é o piso para movimentações futuras e o máximo não é o teto. Isso, além de evidente, é provado pelo fato de que, quando o mínimo histórico ocorreu, ele superou a queda máxima anterior. O mesmo para os máximos.



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