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Scot Consultoria

Carta Insumos - Novidades no cenário da febre aftosa


Sexta-feira, 18 de outubro de 2019 - 15h30


Intitulado “Vacina contra a febre aftosa 2ml – Inovação a Serviço da Pecuária Brasileira” o evento ocorrido em 18 de setembro, em São Paulo/SP, reuniu formadores de opinião do agronegócio brasileiro. 


O evento teve o intuito de discutir a vacina contra febre aftosa na dose de 2 ml, e em função da participação da Scot Consultoria no evento, abordaremos os principais aspectos da doença e as implicações da mudança de dosagem discutidos. 


A doença 


A febre aftosa é uma doença infectocontagiosa causada por vírus, que acomete animais biungulados (de casco fendido) como: bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos e suínos. Os principais sintomas são febre, vesículas/úlceras/bolhas na boca, patas e nas tetas, perda de apetite, salivação e manqueira. 


A transmissão do vírus ocorre pelo contato com animais doentes e susceptíveis, podendo contaminar o solo, água, vestimentas, veículos, aparelhos e instalações e pode ser transportado pelo vento (até quase 100km).


A enfermidade atravessa fronteiras internacionais por meio do transporte de animais infectados e da importação/exportação de produtos de origem animal. 


Esses produtos contaminados, derivados de animais infectados, podem ser considerados de maior ou menor riscos de infecção, dependendo do grau de processamento. A carne in natura com gânglios, órgãos, medula óssea e sangue é de alto risco, assim como o leite não tratado e subprodutos como manteiga. 


Sabe-se que produtos contaminados transmitem a infecção aos animais susceptíveis. 


Prejuízos econômicos


A febre aftosa é considerada uma grave doença e impacta negativamente a cadeia produtiva da carne devido ao fato de gerar perdas diretas e indiretas. 


As perdas indiretas estão relacionadas com os embargos econômicos impostos pelos países importadores, sendo este o principal efeito comercial da doença. 


Devido ao alto poder de difusão do vírus e à possibilidade de sua veiculação por grandes distâncias e períodos de tempo sob condições favoráveis, os países estabelecem fortes barreiras à entrada de produtos oriundos de regiões onde há casos da doença. 


Estas barreiras têm um efeito negativo para a pecuária e para a economia do país, com graves consequências econômicas. 


Já as perdas diretas são classificadas como os sinais clínicos, que levam à queda na produção animal pela diminuição do desempenho. 


As perdas diretas também decorrem dos prejuízos nas carcaças dos animais em função da formação de nódulos ou abcessos decorrentes da aplicação do medicamento. 


Os nódulos são normalmente retirados durante a toalete, no frigorífico, e isso causa perdas no rendimento da carcaça dos bovinos. Estudos demonstram que podem ser perdidos de 1,8 a 2,0kg nessa limpeza. 


As mudanças na vacina 


Visando diminuir as perdas econômicas, uma medida relevante foi a retirada do sorotipo C da vacina, já que estudo do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa) comprovou a inexistência do vírus tipo C na América do Sul. 


Portanto, atualmente, a vacina é composta somente por dois antígenos purificados inativados e emulsificados, sendo eles: 01 Campos (vírus O), A24 Cruzeiro (vírus A). 


Além dos antígenos, a vacina possui também óleo mineral como veículo e uma substância chamada saponina, que atua como adjuvante, ou seja, aumenta o período em que os antígenos estarão em contato com o sistema imune. 


Contudo, esta substância está relacionada à exacerbada irritação no local da aplicação, e por isso também foi retirada da composição da vacina 


Com as mudanças, a dose da vacina passou de 5 para 2ml. Desta forma, projeta-se redução de custos, pois, com frascos menores, as vacinas ocuparão menos espaço, facilitando o transporte e reduzindo o custo de refrigeração. 


Mas destaca-se que não houve mudança no preço da dose com a redução do volume. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o menor preço encontrado no mercado foi de R$1,07/dose e o máximo R$1,55/dose. 


Futuro da vacinação


Após a redução da dose, o próximo passo é a retirada gradual da vacinação em todo o país, que deverá acontecer até 2021, segundo o planejamento estratégico do Programa Nacional de Febre Aftosa (PNEFA) 2017-2026, sob a coordenação do MAPA. 


Recentemente o MAPA aprovou a antecipação da retirada da vacina de febre aftosa no Paraná e o estado já não deve vacinar os animais na etapa de novembro.


A retirada da vacinação dos outros estados deve seguir conforme consta no planejamento.


Além das vantagens envolvendo a melhora do rendimento de carcaça e a redução dos gastos do produtor com vacinação, o recebimento do status de país livre de Febre Aftosa sem vacinação melhoraria a imagem no Brasil no cenário internacional.  


Assim, novos mercados podem ser prospectados (como o Japão e Coreia do Sul) aumentando a participação internacional do agronegócio brasileiro. 


Mas, se após a retirada da vacinação, os controles epidemiológicos não forem eficazes, principalmente nas fronteiras do país, e permitirem uma nova entrada do vírus, os impactos econômicos serão grandes. 


Conclusão 


A retirada da vacinação traz vantagens pela redução dos gastos, pela melhora no rendimento da carcaça e pelo acesso a novos mercados. 


Entretanto, caso o vírus seja introduzido, a comercialização de animais, produtos e subprodutos de origem de animais susceptíveis para zonas e países livres da doença será proibida e o Brasil perderá o trabalho de conquista desses mercados e certamente os preços no mercado interno sofrerão, afetando a economia de toda a cadeia produtiva. 


Não deixando de mencionar também o desgaste na credibilidade nacional quanto à qualidade e sanidade dos produtos de origem animal brasileiros. 


No mais, quando há o diagnóstico da doença, existem também custos adicionais públicos e privados em adotar as medidas para conter o foco e retomar o status. 


Ou seja, a existência de um animal com febre aftosa traz prejuízos em diversas vertentes da cadeia de produção de carne bovina. 


Portanto, para que a retirada seja segura, a vigilância sanitária tem de ser universal e contínua.


Por fim, argumenta-se que a ausência de vacinação provocaria uma redução de outros protocolos sanitários, uma vez que o rodeio das boiadas seria reduzido. Pode ser, mas somente o tempo para confirmar ou desmentir essa hipótese. 



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