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Carta Leite - A emissão de gases de efeito estufa e a atividade leiteira


Sexta-feira, 15 de março de 2019 - 15h00


A organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Global Dary Plataform (GDP) publicaram o Climate Change and the Global Dairy Cattle Sector, relatório sobre as mudanças climáticas globais e a pecuária de leite. 


O objetivo do estudo foi, primeiramente, ver o desempenho da atividade leiteira e a sua contribuição para a emissão de gases efeito estufa (GEE), além de identificar oportunidades disponíveis para o setor reduzir essas emissões. 


O ponto foi fornecer informações que podem auxiliar o setor a tomar medidas a fim de atingir os objetivos consagrados no Acordo de Paris.


Evolução da produção de leite


De 2005 a 2015 o rebanho leiteiro mundial cresceu 11% e a produtividade média mundial passou de 2180 litros/vaca/ano para 2514 litros/vaca/ano, aumento de 15% no período.


O Oeste da Ásia/Norte da África, e a Rússia foram regiões onde o rebanho leiteiro caiu, 1,4% e 11,4%, respectivamente. O número de vacas ordenhadas também caiu nessas regiões, 4,6% e 2,5%, em sequência.


Por outro lado, a produtividade aumentou 4% ao ano (a.a.) no Oeste da Ásia e Norte da África e 3,3% a.a. na Rússia.


Outras regiões tiveram um aumento maior da produtividade que do rebanho.


No Sul da Ásia, por ano, o incremento de produtividade foi, em média, de 3,6%, já a do rebanho foi 1,5%.


No Leste Europeu o crescimento de produtividade foi, em média, de 2,5% a.a., e o crescimento de vacas ordenhas foi em torno de 0,6%, a.a.. 


Para a América Central e América do Sul a produtividade cresceu em média 1,6% a.a. e o rebanho 0,8% a.a..


A Europa Ocidental e a América do Norte tiveram sua produtividade média aumentada em 1% a.a. e o rebanho efetivo em 0,3% e 0,4%, respectivamente.


Além disso, houve regiões em que o rebanho leiteiro cresceu mais que a produtividade, como na Oceania cujo incremento na produtividade foi de 0,8% a.a. e 1,5% a.a. na quantidade de vacas ordenhadas.


O Leste da Ásia não teve aumento de produtividade no período, mas o rebanho aumentou cerca de 2,2% a.a..


Na África Subsaariana o efetivo aumentou 3,8% a.a. e a produtividade caiu em média 2,5% a.a..


Emissões de gases efeito estufa


Os sistemas de produção da atividade leiteira são complexas fontes de GEE, como metano, óxido nitroso e dióxido de carbono.


As emissões de GEE por unidade produzida caíram em média 1% a.a. desde 2005. Mas, em 2015 as emissões aumentaram em 256 mil toneladas equivalentes de CO2, incremento de 18% em comparação com 2005. Deste valor 169 e 52 mil toneladas equivalente de CO2, estão relacionadas às emissões de CH4 e N2O, respectivamente. Estes gases são produzidos pela fermentação no sistema digestivo animal, manejo do esterco, urina e uso de fertilizantes a base de nitrogênio.


O metano proveniente da fermentação entérica é responsável por 58% do total de emissões.


O crescimento da produtividade na pecuária leiteira é resultado de um aumento da alimentação por vaca e consequentemente aumento das emissões de CH4 e N2O por animal.


Entretanto, sem considerar os ganhos em produtividade e com a mesma produção, as emissões totais teriam aumentado em 38% e não 18%.


Considerando a emissão de gases por quilograma de leite corrigido com gordura e proteína, de 2005 a 2015 a queda foi de 11%, em decorrência do aumento de eficiência no setor.


Contudo, as emissões absolutas aumentaram.


A América do Norte foi a exceção, com redução de 5%, na emissão de GEE absoluta, no período


A análise mostra que do total consumido pelas vacas, o que é usado para manutenção animal, tende a ter uma menor proporção comparado com o que é usado para produção, ao passo que a produtividade aumenta.


Como comentado, essas mudanças na eficiência produtiva não foram uniformes.


A África Subsaariana é a região em que há maior gasto energético para a manutenção animal, cerca de 75% do que é consumido pelo animal. Em contraste com a América do Norte em que 39% do total ingerido pelo animal é utilizado para manutenção.


Para América Central e América do Sul essa porcentagem está na média de 63%.


Ou seja, é necessário um aumento na produtividade para redução das emissões absolutas


Atividade leiteira fazendo a sua parte


Além da diferença de eficiência produtiva entre as regiões existe uma diferença entre produtores. O ideal é que com o uso de tecnologia isso diminua. 


Esse incremento tecnológico além de mitigar as emissões de GEE, traz ganhos em escala para o produtor, aumentando a sustentabilidade da atividade. 


Mas, o desafio de transferir tecnologia e melhores práticas de manejo está relacionado à diversidade dos sistemas de produção e do meio ambiente. 


Contudo, não há um só caminho para atingir esse objetivo e sim um conjunto, como:


• Redução da intensidade de GEE emitidos através do aumento de produtividade;


• Melhora no manejo do solo, aumentando a quantidade de carbono estocado como forma de compensação das emissões de GEE para a atmosfera; 


• Diminuição do desperdício de comida, melhorando a gestão de resíduos ao longo da cadeia produtiva;


• Melhora no uso, coleta e armazenamento de esterco;


• Aperfeiçoar o manejo do rebanho e investimentos em genética animal para reduzir o número de animais com baixa produtividade;


• Intensificar o controle de doenças e parasitas; 


• Redução do uso de energias fósseis;


• Otimizar o consumo de fertilizantes.


Conclusão


A redução de GEE depende de um conjunto de procedimentos tecnológicos. Para isso é necessário investimento em pesquisa e transferência de tecnologia para trazer os produtores menos eficientes mais perto dos mais produtivos.


Para maximizar o potencial de redução dos GEE na atividade leiteira são necessárias ações concentradas por diferentes agentes. Estas ações devem levar em conta a diversidade do setor e das pessoas nele inseridas.


Material produzido a partir do relatório Climate Change and the Global Dairy Cattle Sector.


 



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