Na comparação entre setembro e agosto, o volume exportado e o faturamento caíram. Já para o acumulado do ano, o volume exportado até setembro foi recorde.
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A indústria brasileira esteve e voltou de Milão com boas perspectivas.
Seis curtumes nacionais expuseram na Lineapelle, uma das principais vitrines internacionais de couros para a moda, e projetam US$11,7 milhões em negócios nos próximos 12 meses, 10,0% a mais que na edição de 2025.
A exportação, em setembro, foi de 48,3 mil toneladas de peles e couros bovinos, 9,7% menos que em agosto e 19,9% abaixo de setembro de 2025. Mesmo com a queda, foi o terceiro melhor volume para setembro desde 2015, atrás apenas de 2025 e 2024.
O faturamento também caiu. Em setembro o faturamento foi de US$91,3 milhões, queda de 1,8% frente a agosto (US$93,0 milhões) e de 5,1% na comparação feita ano a ano (US$96,3 milhões).
Figura 1.
Volume exportado (mil toneladas) e faturamento (US$ milhões) com peles e couros nos meses de setembro, de 2015 a 2026.
Fonte: Secex | Elaboração: Scot Consultoria
De janeiro a setembro, os embarques somaram 472,5 mil toneladas, 3,7% acima do mesmo período de 2025 (455,8 mil toneladas) e recorde para o intervalo. O faturamento, por outro lado, caiu 3,0%, para US$806,8 milhões, o menor para o período desde 2020.
Figura 2.
Volume exportado (mil toneladas) de peles e couros, no acumulado até setembro de 2026.
Fonte: Secex | Elaboração: Scot Consultoria
O preço médio subiu para US$1,89/kg, alta de 8,7% sobre agosto e de 18,4% sobre setembro do ano passado. A alta se deve, principalmente, à mudança na composição dos embarques. Com a queda no volume de couro salgado, o de menor valor, e a estabilidade nos embarques do acabado e crust, os produtos de maior valor agregado ganharam espaço e passaram de 8,3% para 9,1% do volume exportado.
Na análise por tipo, o wet blue manteve a liderança em volume, com 68,2% do total, e alcançou US$1,03/kg, o maior preço do ano para o produto.
O couro salgado, caiu 21,7% em volume e perdeu 3,4 pontos percentuais de participação. Na comparação feita ano a ano, porém, sua receita cresceu 19,2%, com o preço passando de US$0,44/kg para US$0,59/kg.
Na outra ponta, o couro acabado respondeu por 6,9% do volume, mas por 44,5% do faturamento, com US$12,21/kg, também a maior cotação de 2026.
Já o crust faturou 41,1% mais que em setembro do ano passado.
Tabela 1.
Exportação de peles e couros por tipo em setembro de 2026.
| Tipo | Volume (mil t) | Participação volume | Receita (US$ mi) | Participação receita | Preço (US$/kg) | Preço vs. agosto |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Wet blue | 32,9 | 68,2% | 33,9 | 37,1% | 1,03 | +2,6% |
| Salgado | 10,8 | 22,4% | 6,4 | 7,0% | 0,59 | +4,2% |
| Acabado | 3,3 | 6,9% | 40,6 | 44,5% | 12,21 | +2,4% |
| Crust | 1,1 | 2,2% | 10,2 | 11,2% | 9,65 | +0,4% |
| Aparas | 0,2 | 0,3% | 0,2 | 0,2% | 1,26 | – |
| Total | 48,3 | 100,0% | 91,3 | 100,0% | 1,89 | +8,7% |
Fonte: Secex | Elaboração: Scot Consultoria
Entre os destinos, a China (incluindo Hong Kong) ficou na liderança em setembro, com 19,4 mil toneladas (40,2% do volume) e US$27 milhões.
Em receita, o destaque foram os Estados Unidos: com apenas 989 toneladas, geraram o segundo maior faturamento, US$13,2 milhões, 87,4% dele em couro acabado.
A Itália foi o segundo destino em volume, com 7,6 mil toneladas (15,7%) e alta de 48,6% no mês, seguido pela Nigéria, com 6,2 mil toneladas, todas de couro salgado.
O México, também comprador de acabado, proporcionou uma receita 54,8% maior, para US$5,4 milhões.
Figura 3.
Principais destinos das exportações de peles e couros em receita (US$ milhões), por tipo, em setembro de 2026.
Fonte: Secex | Elaboração: Scot Consultoria
A JBS assinou em 15 de setembro o acordo definitivo para criar a JBS Viva, empreendimento em conjunto de couros com a Viva Holding, com 50,0% de participação para cada sócio.
A empresa terá capacidade para processar mais de 20 milhões de couros por ano em cerca de 31 fábricas, distribuídas em seis países. O Brasil, para comparar, produz 40 milhões de couros bovinos por ano.
Além disso, em 17 de setembro, a União Europeia publicou o Regulamento Delegado (UE) 2026/2102, que retira os couros e peles bovinos do regulamento europeu contra o desmatamento (EUDR).
A exportação para o bloco ficou livre das exigências de diligência e georreferenciamento previstas na norma.
Em setembro o padrão observado ao longo do ano foi interrompido: o volume caiu, mas a receita quase se manteve, por causa da participação do couro acabado e a preços em alta em todas as categorias. No ano o Brasil está exportando mais e faturando menos.
Para o último trimestre, a retenção de fêmeas, reduz os abates. Menos abate significa menos couro, o que tende a limitar os embarques, sobretudo de salgado e wet blue, e a dar sustentação aos preços.
Chamada: “Em setembro, o Brasil exportou menos couro, mas o preço médio subiu 8,7% e chegou a US$1,89/kg, o maior de 2026.”
Referências:
BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Comex Stat: exportações por NCM, capítulo 41 (couros e peles bovinos). Dados atualizados em 6 out. 2026. Disponível em: https://comexstat.mdic.gov.br
CENTRO DAS INDÚSTRIAS DE CURTUMES DO BRASIL (CICB). Mais de US$ 11 milhões em negócios para o couro do Brasil após feira em Milão. 22 set. 2026. Disponível em: https://cicb.org.br/noticias/515/mais-de-us-11-milhoes-em-negocios-para-o-couro-do-brasil-apos-feira-em-milao
CENTRO DAS INDÚSTRIAS DE CURTUMES DO BRASIL (CICB). União Europeia oficializa retirada de couros e peles bovinas do EUDR. 17 set. 2026. Disponível em: https://cicb.org.br/noticias/513/uniao-europeia-oficializa-retirada-de-couros-e-peles-bovinas-do-eudr
CENTRO DAS INDÚSTRIAS DE CURTUMES DO BRASIL (CICB). Feira na China projeta vendas de US$ 115,5 milhões para o couro do Brasil. 8 set. 2026. https://cicb.org.br/noticias/508/feira-na-china-projeta-vendas-de-us-1155-milhoes-para-o-couro-do-brasil
UNIÃO EUROPEIA. Regulamento Delegado (UE) 2026/2102 da Comissão, de 13 de julho de 2026. Jornal Oficial da União Europeia, 17 set. 2026. Disponível em: http://data.europa.eu/eli/reg_del/2026/2102/oj
G1. JBS e Viva unem operações e criam gigante com capacidade para processar mais de 20 milhões de couros por ano. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/09/16/jbs-e-viva-unem-operacoes-e-criam-gigante-com-capacidade-para-processar-mais-de-20-milhoes-de-couros-por-ano.ghtml
Zootecnista graduado pela UFG, em Goiânia-GO. Atua na área de ciências agrárias, com foco em análise e consultoria de mercados agropecuários. Analista de mercado, com atuação na elaboração de artigos sobre pecuária de corte, reposição de bovinos, leite, frango, suínos, ovos, carnes, estatística, grãos e insumos agropecuários da Scot Consultoria.
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