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Suplementação animal em pasto no período da seca – Parte 02

Suplementação mineral/proteico/energética elevou o ganho médio diário, enquanto a redução da frequência de fornecimento permitiu diminuir os custos operacionais sem comprometer o desempenho.


Foto: Shutterstock

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Entre abril e julho de 2026 escrevi uma série de quatro textos sobre a suplementação animal em pasto nos períodos de chuvas e de transição chuva/seca com o objetivo de apresentar resultados de pesquisas sobre suplementação de bovinos em pastagens manejadas intensivamente.

Em agosto passado iniciei uma série de textos sobre a suplementação animal em pasto no período de seca usando o banco de dados que tenho de resultados de pesquisas que orientei em fazendas de pesquisa e de resultados de campo em fazendas comerciais que atendo e de resultados de pesquisas de outras fontes.

Dando sequência à essa série de artigos, ainda escrevendo sobre resultados da estação da seca, este segundo artigo traz dados e conclusões de outro experimento conduzido em bioma Cerrados entre os meses de junho e setembro.

Objetivou-se neste experimento avaliar os efeitos da suplementação com suplemento mineral/proteico/energético comparado com apenas a suplementação mineral e da frequência de fornecimento dos suplementos sobre o desempenho animal e os custos de fornecimento.

O trabalho foi conduzido em uma área de 8 hectares (ha) dividida em quatro módulos de pastoreio, de 2 ha cada, divididos em 6 piquetes por módulo. Em dois módulos estava estabelecido o Panicum maximum cv. Mombaça e em outros dois o Panicum maximum cv. Tanzânia. As pastagens destas forrageiras foram diferidas por 74 dias antes da entrada dos animais.

O método de pastoreio adotado foi o de lotação rotativa, com ciclo de pastoreio de 42 dias, com 35 dias de descanso e 7 dias de ocupação. Durante o experimento foram avaliados 21 bovinos da raça Nelore, machos inteiros, com idade e peso inicial de 12 meses e 232 kg, respectivamente, com taxa de lotação de 2,62 cabeças/ha (21 animais/8 ha) e 1,35 UA/ha. Houve um período de adaptação de duas semanas antes do início da coleta dos dados.

Os tratamentos consistiram nas seguintes frequências de fornecimento:

diariamente (T-7),

em cincos dias da semana,

de segunda a sexta-feira (T-5),

em três vezes por semana, segunda, quarta e sexta-feira (T-3)

e o tratamento controle com o fornecimento suplemento mineral à vontade (T-C).

Os animais dos tratamentos T-7, T-5 e T-3 receberam um suplemento mineral/proteico/energético com consumo predito de 0,25% do peso corporal (PC). Nos níveis de garantia este suplemento continha 35,0% de proteína bruta, 22,5% de NNP-equivalente proteico, 55,0% de nutrientes digestíveis totais calculados (NDT), minerais, 1,5 x 1010 de leveduras, e 200 mg de montesina.

Durante o experimento foram feitas três pesagens, no início, no meio e ao final. Antes de cada pesagem os bovinos foram submetidos a períodos de jejum de sólidos por 14 horas.

Foram realizadas mensurações de crescimento e produção de forragem, utilizando a técnica da dupla amostragem: direta, por meio do corte e pesagem da massa de forragem; e indireta, por meio da medida da altura do pasto. Foram coletadas duas amostras para análises bromatológicas da forragem em cada tratamento, no início e ao final do experimento. A oferta de forragem planejada foi de 5,0% do PC dos bovinos.

O delineamento utilizado foi inteiramente casualizado, sendo os dados submetidos à análise estatística pelo software SISVAR, versão 5.1, e as médias comparadas teste de Tukey ao nível de 5,0% de significância.

Durante o período experimental não houve diferença significativa (P > 0,05) para os parâmetros relacionados à disponibilidade de forragem entre os tratamentos (Tabela 1).

Tabela 1.
Parâmetros avaliados das forrageiras.

Variáveis Tratamentos Média CV%
T-7 T-5 T-3 T-C
Altura pré (cm) 57,9a 59,8a 56,6a 57,5a 58,0 14,10
Altura pós (cm) 37,8a 43,7a 37,0a 41,1a 39,9 13,86
MF pré (kg MS/ha) 5.264a 6.205a 4.981a 5.321a 5.443 19,81
MF pós (kg MS/ha) 3.736a 4.559a 4.139a 4.753a 4.997 16,87

Medias seguidas por letras diferentes nas linhas diferiram entre si estatisticamente pelo Teste de Turkey a 5,0% de significância. CV = coeficiente de variação; T-7 = suplementação diária; T-5 = suplementação de segunda a sexta-feira; T-3 = suplementação segunda, quarta e sexta-feira; T-C = controle. Altura pré pastejo; altura pós pastejo; Massa de forragem pré-pastejo; Massa de forragem pós-pastejo.
Fonte: MONTES, 2017.

A Tabela 2 traz as médias das análises bromatológicas das amostras de forragem coletadas em cada tratamento.

Tabela 2.
Composição química média das forragens.

Variáveis Tratamentos Médias
T-7 T-5 T-3 T-C
PB (%) 9,6 8,3 7,8 10,2 9,0
NDT (%) 62,6 61,3 59,9 55,1 59,7
Ca (%) 1,14 0,99 0,91 0,93 1,0
P (%) 0,12 0,12 0,13 0,11 0,12
FDN (%) 69,3 71,0 73,0 68,7 70,5
FDA (%) 40,3 40,7 42,0 35,0 39,5

Legenda: PB: proteína bruta; NDT: nutrientes digestíveis totais; Ca: cálcio; P: fósforo; FDN: fibra em detergente neutro; FDA: fibra em detergente ácido; T-7 = suplementação diária; T-5 = suplementação segunda a sexta-feira; T-3 = suplementação segunda, quarta e sexta-feira; T-C = controle.
Fonte: MONTES, 2017.

Os consumos reais dos suplementos múltiplos e mineral foram abaixo do consumo predito nos tratamentos T-7, T-5 e T-3 e T-C nos dois ajustes de consumo (Tabela 3).

A Tabela 3 traz os consumos real e predito dos suplementos fornecidos em cada tratamento.

Tabela 3.
Consumo real e predito de suplemento mineral e múltiplo pelos animais de acordo com manejo de suplementação.

Tratamento Consumo real (kg/dia) Média Consumo predito (kg/dia) Média
Média % PC Média % PC
T-7 0,38 0,64 0,51 0,21 0,46 0,78 0,62 0,25
T-5 0,29 0,53 0,41 0,16 0,46 0,78 0,63 0,25
T-3 0,39 0,73 0,56 0,22 0,46 0,80 0,63 0,25
T-C 0,036 0,03 0,03 - 0,038 0,041 0,04 -

¹ajuste n
Fonte: MONTES, 2017.

Não houve diferença significativa (P > 0,05) para o parâmetro peso corporal inicial, enquanto para o parâmetro ganho médio diário houve diferença entre o controle, com bovinos suplementados apenas com suplemento mineral, e os tratamentos, com bovinos suplementados com suplemento mineral/proteico/energético, que alcançaram os maiores ganhos. Entretanto, não houve diferença significativa de ganho animal entre as diferentes frequências de fornecimento do suplemento mineral/proteico/energético (Tabela 4).

Tabela 4.
Indicadores técnicos de produtividade dos tratamentos avaliados.

Indicador Unidades T-7 T-5 T-3 T-C Média CV%
PCI kg 230,8a 233,8a 230,2a 234,0a 232,2 9,45
PCF kg 284,4 290,2 285,0 261,8 280,4 -
GMD kg/dia 0,840a 0,881a 0,916a 0,434b 0,770 26,50

Medias seguidas por letras diferentes na linha diferiram entre si estatisticamente pelo Teste de Tukey a 5,0% de significância. CV = coeficiente de variação; T-7 = suplementação diária; T-5 = suplementação segunda a sexta-feira; T-3 = suplementação segunda, quarta e sexta-feira; T-C = controle. PCI = Peso corporal inicial; PCF = peso corporal final; GMD = ganho de peso médio diário.
Fonte: MONTES, 2017.

Conclui-se que no período e nas condições de avaliação deste experimento não houve diferença do efeito da frequência de fornecimento de suplemento mineral/proteico/energético no nível de 0,25% do PC dos bovinos. O ganho médio diário foi superior para os bovinos suplementados com este suplemento comparado com bovinos suplementados com suplemento mineral. Esta diferença no ganho animal não sofreu influência da disponibilidade e da composição de forragem, pois não houve diferença significativa para este parâmetro entre os tratamentos.

Os custos com mão-de-obra para o fornecimento dos suplementos foram reduzidos em 48,6% e 69,2% nos tratamentos T-5 e T-3, respectivamente, quando comparados com o T-7, trazendo ainda redução de encargos trabalhistas ao final de semana, economia de combustível, e estabelecer outra função para o funcionário.

Adilson de Paula Almeida Aguiar

Zootecnista, professor em cursos de pós-graduação nas Faculdades REHAGRO, na Faculdade de Gestão e Inovação (FGI) e nas Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU); Consultor Associado da CONSUPEC - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda; Investidor nas atividades de pecuária de corte e de leite.

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