Apesar da expectativa de produção recorde, o desempenho de algumas culturas deve cair na próxima safra.
Em 15 de setembro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou o 12° levantamento da safra de grãos contendo as estimativas para o fim da safra 2025/26 e para a safra 2026/27.
Comparado com 2024/25, a produção de grãos subiu 2,6%, prevista para 361,7 milhões de toneladas. A área semeada também cresceu, com 83,4 milhões de hectares, um aumento de 1,7%. Para 2026/27, a estimativa é de 366,6 milhões de toneladas e 85,3 milhões de hectares.
O Brasil vem alcançando patamares elevados de produção nos últimos anos. Em relação à safra 2020/21, a produção cresceu 40,8%.
Figura 1.
Produção de grãos no Brasil, em milhões de toneladas, nas últimas sete safras.
Fonte: Conab; Elaboração: Scot Consultoria
*estimativa
As maiores regiões produtoras foram o Centro-Oeste, com 180,4 milhões de toneladas, quase 50,0% da produção total, e a região Sul, com 91,3 milhões de toneladas. Mato Grosso é o líder, seguido pelo Paraná e Rio Grande do Sul.
Figura 2.
Produção de grãos por estado, em milhões de toneladas, na safra 2025/26.
Fonte: Conab; Elaboração: Scot Consultoria
O volume estimado foi o maior já levantado pela Conab, com 180,4 milhões de toneladas, alta de 5,2% em relação à safra anterior. A área semeada subiu 2,7%, com 48,6 milhões de hectares.
Com o fim do vazio sanitário e as chuvas, alguns estados, como Paraná e Mato Grosso, iniciaram a semeadura da nova safra.
A oferta e procura estão estáveis. O Brasil mantém o ritmo elevado de exportação, que deve ser recorde com 116,2 milhões de toneladas na safra 2025/26.
Para 2026/27, a projeção é de alta, com 181,64 milhões de toneladas, aumento de 0,7%, e 49,3 milhões de hectares semeados, aumento de 1,4%.
Figura 3.
Produção total de soja, em milhões de toneladas, nas últimas sete safras.
Fonte: Conab; Elaboração: Scot Consultoria
*projeção
Assim como a soja, o milho, que inclui 1ª, 2ª e 3ª safra, também deve atingir o maior patamar já registrado, com estimativa de 144,0 milhões de toneladas, aumento de 2,0%, e 22,6 milhões de hectares semeados, aumento de 3,5%.
O fim da safra 2025/26 coincide com o início da 2026/27. Estados como Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina já iniciaram a semeadura de verão.
Com a maior da demanda interna, principalmente pela fabricação de rações e com o avanço da indústria de etanol de milho, a produção e área semeada devem crescer. A exportação está em ritmo elevado.
Para 2026/27, há preocupações devido ao clima, principalmente pelo El Niño. Porém a perspectiva é de que a produção seja de148,0 milhões de toneladas, aumento de 2,8%, e 4,54 milhões de hectares para a semeadura, aumento de 10,7%.
Figura 4.
Produção total de milho (1ª, 2ª e 3ª safra), em milhões de toneladas, nas últimas sete safras.
Fonte: Conab; Elaboração: Scot Consultoria
*projeção
A estimativa é de queda de produção, causada, principalmente, pela redução do preço ao produtor ao longo do ano, o que desestimulou o cultivo. A produção está projetada em 11,0 milhões toneladas, queda de 11,3% com a safra anterior, e a área em 1,5 milhões de hectares, diminuição de 14,0%.
O excedente de arroz na safra 2024/25 ampliou a disponibilidade interna e pressionou os preços ao longo do período. Com a redução das cotações, a demanda interna aumentou. A exportação deve permanecer próxima aos patamares da safra 2024/25, com volume estimado em 2,0 milhões de toneladas, assim como a importação, que deve seguir em torno de 1,3 milhão de toneladas.
Para 2026/27, a área estimada é de 1,53 milhão de hectares, aumento de 0,9% em relação ao ciclo anterior. Apesar do aumento na área plantada, a produção projetada é de 10,76 milhões de toneladas, queda de 2,9% frente à safra 2025/26. A redução está relacionada, principalmente, à expectativa de menor produtividade média nacional, estimada em 7.032 kg/ha, queda de 3,7% na comparação anual.
Figura 5.
Produção total de arroz, em milhões de toneladas, nas últimas sete safras.
Fonte: Conab; Elaboração: Scot Consultoria
*projeção
Apesar da diminuição estimada em 3,2% da área semeada, a produção da pluma deve crescer 1,5%, alcançando 4,1 milhões de toneladas. Isso ocorreu devido ao crescimento de 4,9% da produtividade, que deve alcançar 2.053 kg/ha.
A exportação está em bom ritmo e a demanda internacional aquecida. Comparado a agosto de 2025, cresceu 22,2% em volume, com mais de 2,0 milhões de toneladas. A expectativa é que sejam exportadas mais de 3,0 milhões de toneladas até dezembro.
Para 2027, a perspectiva é que a área semeada volte aos mesmos patamares de 2024/25, podendo chegar a 2,09 milhões de hectares, com uma produção estimada em 4,2 milhões de toneladas apenas da pluma, aumento de 0,3%.
Figura 6.
Produção da pluma de algodão, em milhões de toneladas, nas últimas sete safras.
Fonte: Conab; Elaboração: Scot Consultoria
*projeção
Um dos grãos de maior relevância na rotina da população brasileira diminuiu tanto para área semeada quanto para a produção. A área caiu 5,7%, estimada em 2,5 milhões de hectares. A produção também diminuiu, com redução de 3,6%, estimada em 2,9 milhões de toneladas.
A redução foi reflexo do menor cultivo por parte dos produtores por conta de preços menos rentáveis, fatores climáticos e problemas fitossanitário, principalmente pela alta da mosca-branca.
A exportação deve cair devido à menor oferta interna, projetada em 342,5 mil toneladas frente as 533,2 mil toneladas da safra anterior, queda de 35,8%.
Para 2027, a perspectiva da produção é manter em 2,9 milhões de toneladas, porém com um leve aumento da área semeada.
Figura 7.
Produção total de feijão, em milhões de toneladas, nas últimas sete safras.
Fonte: Conab; Elaboração: Scot Consultoria
*projeção
A perspectiva de novo recorde para a safra 2026/27 também divide espaço com as incertezas climáticas. Segundo o terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, há mais de 90,0% de probabilidade de um El Niño muito forte entre setembro e novembro, com possibilidade de permanência do fenômeno até o início de 2027. Para o trimestre, são esperadas chuvas acima da média no Sul e abaixo da média no Centro e Norte do país.
O cenário pode trazer impactos diferentes entre as regiões e culturas, principalmente sobre a disponibilidade hídrica e a produtividade. A Conab já anunciou a compra de até 224,0 mil toneladas de milho para formação de estoques, como medida preventiva diante dos possíveis efeitos do fenômeno sobre o abastecimento. Dessa forma, apesar da projeção de 366,6 milhões de toneladas para a próxima safra, o clima será um dos principais fatores a acompanhar durante o desenvolvimento das lavouras.
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