A mudança na participação dos diferentes níveis de processamento do couro explica a diferença entre o recorde de volume embarcado e o menor faturamento.
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De janeiro a julho, o Brasil exportou 370,8 mil toneladas de peles e couros. Esse foi o maior volume embarcado da série histórica.
O faturamento foi de US$622,9 milhões, o menor montante para o período desde 2020.
Figura 1.
Volume e faturamento com a exportação de peles e couros, de janeiro a julho, entre 2020 e 2026.
Fonte: Secex | Elaboração: Scot Consultoria
Apesar do faturamento pressionado, é importante destacar que, na comparação com 2025, a queda foi menos acentuada do que entre 2025 e 2024.
Entre janeiro e julho de 2026 e 2025, o volume exportado cresceu 5,8%, enquanto o faturamento caiu 4,8%. Já na comparação entre o mesmo intervalo de 2025 e 2024, o volume cresceu 1,9%, enquanto o faturamento caiu 13,6%.
Em 2026, fevereiro registrou o maior volume e faturamento, com 61,2 mil toneladas embarcadas e faturamento de US$96,1 milhões.
Figura 2.
Volume e faturamento com a exportação de peles e couros mês a mês em 2026.
Fonte: Secex | Elaboração: Scot Consultoria
Nos últimos três anos, por nível de processamento do couro, foi possível identificar quais categorias contribuíram para as altas e baixas do faturamento.
Na comparação entre 2026 e 2024, o maior faturamento em 2024 foi sustentado pelo wet blue e pelo couro acabado.
No caso do wet blue, a diferença de faturamento foi de US$73,3 milhões. Para o couro acabado, a diferença foi de US$74,0 milhões.
Em 2026, a categoria que limitou uma queda maior foi o couro salgado, cujo faturamento quase triplicou no período.
Figura 3.
Volume e faturamento, por tipo de couro exportado, de janeiro a julho de 2024 a 2026.
Fonte: Secex | Elaboração: Scot Consultoria
Além das categorias de couro por nível de processamento citadas, há também aquelas sem processamento, o couro verde.
Essa categoria se divide em couro verde comum e couro verde de primeira linha. Ambos correspondem ao couro fresco, recém-retirado do bovino e sem tratamento. O couro verde de primeira linha tem maior qualidade, sem danos provocados por feridas, como marcas de fogo, arame farpado, parasitas etc.
No mercado interno, a cotação média do couro verde de primeira linha, até julho, cai, no Brasil Central e no Rio Grande do Sul.
Figura 4.
Cotação média anual do couro verde de primeira linha, nominal, no Brasil Central e no Rio Grande do Sul.
*até julho
Fonte: Scot Consultoria
O abate de bovinos em 2026 deverá ser de 50,2 milhões de cabeças, 1,0 milhão a menos que em 2025 (USDA), com menor produção de couros.
Considerando um rendimento médio de couro de 10,0% do peso vivo e um peso médio de 19,0 arrobas por bovino abatido, essa redução no abate representaria cerca de 28,5 mil toneladas de couro a menos em 2026.
Referências
Comex Stat. Dados Gerais. Disponível em: https://comexstat.mdic.gov.br/pt/geral/157403
USDA. Livestock and Products Semi-annual. Disponível em: https://apps.fas.usda.gov/newgainapi/api/Report/DownloadReportByFileName?fileName=Livestock+and+Products+Semi-annual_Brasilia_Brazil_BR2026-0010.pdf
Zootecnista graduado pela UFG, Goiânia-GO. Atua na área de ciências agrárias, análise e consultoria de mercados agropecuários. Analista de mercado de carne, reposição do rebanho e aquicultura e analista de mercado da Scot Consultoria
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