Sistemas intensivos aumentam não somente o desempenho animal, mas a produtividade e, consequentemente, a lucratividade da atividade.
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Dando continuidade à sequência de artigos associando o manejo de pastagens com a suplementação animal em pasto com base em resultados de pesquisas conduzidos nos períodos das chuvas e da transição chuva/seca.
No artigo de abril de 2026 escrevi sobre os resultados de um experimento que avaliou o efeito de diferentes níveis de suplementação concentrada (0,5%, 1,0% e 1,5% do peso corporal) para bovinos Nelore em pastagens de B. brizantha cultivar Marandu (capim-braquiarão) nos períodos de meio da estação das chuvas e na transição chuva/seca sobre o desempenho animal e a produtividade da pastagem e a viabilidade econômica daquelas estratégias (ARTEAGA e AGUIAR, 2019).
O trabalho foi conduzido no período de 29 de janeiro a 30 de maio, totalizando 122 dias, em condições de bioma Cerrado, em uma área de 2,64 hectares (ha) dividida 6 piquetes de 0,44 ha cada, e estes foram divididos em três módulos de pastoreio, com dois piquetes por lote de bovinos, os quais corresponderam aos três níveis de suplementação. O método de pastoreio adotado foi o de lotação alternada, com ciclo de pastoreio de 28 dias, com 14 dias de descanso e 14 dias de ocupação por piquete.
Durante o experimento foram avaliados 24 bovinos da raça Nelore, machos inteiros, sendo oito por tratamento, com idade e peso inicial médios de 17 meses e 373 kg, respectivamente. Durante o período experimental a taxa de lotação média foi de 9,1 cabeças/ha (24 animais/2,64 ha) e 8,6 UA/ha. O solo das pastagens foi adubado com 207 kg/ha de nitrogênio, 90 kg/ha de P2O5 e 180 kg/ha de K2O, aplicados em três parcelas durante o período experimental.
Os bovinos foram suplementados para um consumo predito de 0,5%, 1,0% e 1,5% do peso corporal (PC). Os suplementos foram fornecidos diariamente às 9:00 horas da manhã. Houve um período de adaptação de 18 dias antes do início da coleta dos dados.
As análises bromatológicas da forragem disponível na pastagem e dos suplementos fornecidos, como também as características do pasto (alturas pré e pós-pastejo, massas de forragem pré e pós-pastejo) durante o período experimental estão no artigo publicado nesse site em abril de 2026.
Ao final desta primeira fase deste experimento os bovinos foram abatidos e suas carcaças avaliadas. Durante a condução do experimento foram obtidas imagens de ultrassom (VILLAVICENCIO, 2019). O objetivo deste artigo é apresentar os resultados da segunda fase do experimento e um resumo dos resultados de todo o período experimental.
Para a obtenção das imagens de ultrassom utilizou-se um equipamento da marca Aloka SSD 500V (EletroMedicina Berger, Ltda), equipada com um transdutor linear de 3,5 MHz de frequência e 17,2 cm de comprimento. Foi utilizado como acoplante acústico o óleo vegetal. Após as avaliações foram totalizados 104 dados dos três grupos experimentais divididas em duas avaliações, a primeira sendo no dia 60 e a última no dia 109 da condução do experimento, sendo, 52 imagens de área de olho de lombo (AOL) e espessura de gordura subcutânea (EGS), mensuradas entre a região da 12ª e 13ª costelas, transversalmente ao músculo Longissimus dorsi, e 52 imagens de espessura de gordura da picanha (EGP) dos bovinos avaliados, coletadas na garupa, entre o íleo e o ísquio, sendo avaliada a espessura de gordura na picanha. As imagens obtidas foram gravadas e analisadas posteriormente por um técnico certificado.
O abate técnico foi realizado após a última pesagem dos bovinos em jejum no dia 122. Para identificação, eles foram marcados com tinta de cores diferentes na região lombar e na paleta, além da numeração dos brincos de cada bovino, para sua posterior diferenciação na hora do abate e coleta dos dados. Foram coletadas informações de rendimento de carcaça e peso de carcaça quente dos bovinos de cada tratamento correspondente.
Os dados foram submetidos à análise estatística pelo software SISVAR, versão 5.1, e as médias comparadas teste de Tukey ao nível de 5,0% de significância.
Na Tabela 1 estão tabulados os resultados do desempenho individual, das características de suas carcaças e da produtividade por hectare para as estratégias de suplementação nos níveis de 0,5%, 1,0% e 1,5% do peso corporal (PC) dos animais.
Tabela 1.
Resultados de desempenho animal, da produtividade da pastagem e das características de suas carcaças.
| Parâmetro | Unidade | T1 (0,5%) | T2 (1,0%) | T3 (1,5%) | |
|---|---|---|---|---|---|
| Primeira fase | |||||
| PCi | Kg | 373,3a | 373,3a | 372,3a | |
| PCf | Kg | 466,5a | 491,5a | 500,8a | |
| GPT | Kg | 93,1b | 118,2a | 128,5a | |
| GMD | kg/cab/dia | 0,76b | 0,97a | 1,05a | |
| TLm 1 | cab/ha | 9,1 | 9,1 | 9,1 | |
| TLm 2 | UA/ha | 8,4 | 8,7 | 8,8 | |
| Produtividade 1 | kg/ha | 848,1 | 1.075,6 | 1.169 | |
| Produtividade 2 | @/ha | 28,2 | 35,8 | 38,9 | |
| Segunda fase | |||||
| RC | % | 53,9a | 55,2a | 55,2a | |
| GMDC | kg/cab/dia | 0,53b | 0,69a | 0,74a | |
| RG | % | 70,2a | 70,5a | 71,9a | |
| Produtividade 3 | @/ha | 39,6 | 50,5 | 56,0 | |
| PCQ | kg | 251,6a | 271,7a | 276,8a | |
| AOL | cm² | 64,58a | 69,02ab | 75,66b | |
| EGS | mm | 3,41a | 3,51a | 3,54a | |
| EGP | mm | 4,81a | 5,91ab | 7,24b | |
PCi: peso corporal inicial; PCf: peso corporal final; GPT: ganho de peso total; GMD: ganho médio diário; TLm1: taxa de lotação média em cabeças/ha; TLm2: taxa de lotação média em unidades animais/ha; Produtividade2: em arrobas de peso corporal por hectare; RC: rendimento de carcaça; GMDC: ganho médio diário de carcaça; RG: rendimento do ganho; Produtividade3: em arrobas de carcaça por hectare; PCQ: peso de carcaça quente; AOL: área de olho de lombo; EGS: espessura de gordura subcutânea; EGP: espessura de gordura da picanha; PESPC: percentagem da porção comestível; PERPC: peso da porção comestível.
Letras iguais, na linha, não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey ao nível de 5% de significância.
Fonte: ARTEAGA; AGUIAR, 2019; VILLAVICENCIO, 2019.
Na primeira fase deste experimento e nas condições de avaliação não houve diferenças significativas para os parâmetros pesos inicial e final. Por outro lado, houve diferenças estatísticas para os ganhos de peso total (GPT), e ganho médio diário (GMD) para os níveis de suplementação de 1,0% e 1,5% do peso corporal em relação ao nível de 0,5%, o que levou a maiores produtividades de arrobas de peso corporal (30,0 kg) por hectare.
Já na segunda fase deste experimento não houve diferenças significativas para os pesos de carcaça quente (PCQ), rendimento de carcaça (RC), e rendimento do ganho (RG). Por outro lado, houve diferença significativa para o parâmetro ganho médio diário de carcaça (GMDC), o que também levou a maiores produtividades de carcaça por hectare.
Até aqui não houve diferenças significativas para estes parâmetros citados entre os níveis de suplementação de 1,0% e 1,5% do peso corporal, mas estes foram significativamente superior ao nível de 0,5%.
Nas avaliações de ultrassonografia não houve diferenças significativas para os parâmetros espessura de gordura subcutânea (EGS), peso e percentual da porção comestível (PESPC). Por outro lado, houve diferenças significativas para os parâmetros área de olho de lombo (AOL), espessura de gordura da picanha (EGP) com maiores medidas para as carcaças dos bovinos suplementados no nível de 1,5% do peso corporal.
A combinação do manejo intensivo da pastagem, com taxas de lotação de 9,1 cabeças/ha e 8,6 UA/ha, com níveis médios a altos de suplementação concentrada, resultaram em produtividades por área de 39,6, 50,5 e 56,0 arrobas de carcaça por hectare, para os tratamentos 0,5%, 1,0% e 1,5%, respectivamente, em apenas 122 dias e carcaças de melhor qualidade.
Houve viabilidade econômica para todos os níveis de suplementação avaliados, sendo o nível de 1,5% o nível de maior lucratividade. Apesar do maior custo da diária deste tratamento, trouxe economia de 59 e 12 dias para o alcance do peso meta em relação aos níveis de 0,5% e 1,0%, respectivamente, e deixou lucro 31,6% e 57,8% mais altos para os níveis de suplementação de 1,0% e 0,5%, respectivamente.
Zootecnista, professor em cursos de pós-graduação nas Faculdades REHAGRO, na Faculdade de Gestão e Inovação (FGI) e nas Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU); Consultor Associado da CONSUPEC - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda; Investidor nas atividades de pecuária de corte e de leite.
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