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Scot Consultoria

Manejo das plantas daninhas nas pastagens pós-geada


Quarta-feira, 25 de agosto de 2021 - 09h00

Engenheiro agrônomo e mestre em solos e nutrição de plantas pela ESALQ-USP. Com atuação profissional desde 1985 em pesquisa e desenvolvimento em sistemas de produção agrícola em empresas nacionais e multinacionais, trabalhou por 24 anos na geração dos principais herbicidas para pastagens hoje no mercado. Atualmente, é consultor independente, fundador da NTC ConsultAgro, focado no manejo da vegetação em pastagens, reflorestamentos e áreas não agrícolas.


Foto: Mycchel Legnagh


Atravessamos um inverno bastante intenso para os nossos padrões tropicais. Diversas regiões do Brasil passaram por geadas, o que não chega a ser uma raridade, mas seguramente não é um fato frequente. Afinal, quantos invernos passamos sem que ocorra esse fenômeno.


Foram afetados, além dos três estados do Sul, onde o fato é mais frequente, também os estados de São Paulo e Minas Gerais, na região Sudeste, além do Mato Grosso do Sul e Goiás, aí já entrando na faixa da excepcionalidade.


Os registros históricos, referentes às regiões Sul e Sudeste, nos informam que a cada 10 anos podem ocorrer entre 2 e 3 geadas moderadas, quando as temperaturas ficam entre 1 e 2oC. Geadas severas, que registram temperaturas entre 0 e 1oC já são mais raras, com uma ocorrência a cada 10 a 15 anos de intervalo. As geadas de severíssima intensidade, quando as temperaturas ficam abaixo de 0oC, são muito raras, com intervalo de muitas décadas entre elas, o que, contudo, não impediu que ocorressem em 1975 e 1982 nestas regiões. Muitas das localidades apontadas acima presenciaram esse fenômeno neste inverno.


As pastagens das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte anualmente secam em decorrência da seca sazonal de inverno, acentuadas ainda pelas menores temperaturas e fotoperíodo. Isso em condições normais. Em 2021, já vínhamos observando precipitações pluviométricas abaixo da média desde os primeiros meses do ano. As pastagens já vinham secando mais cedo comparativamente a outros anos, contudo, as baixíssimas temperaturas ocorridas vieram consolidar esse processo. Em alguns casos, principalmente no Paraná, onde ainda chove no inverno, neste ano as geadas se encarregaram desse secamento.


Alguns puderam observar que algumas moitas de capim sobreviveram às geadas e viram que em meio aos panicuns e braquiárias existia uma outra forrageira característica do Sul, portanto mais tolerante a baixas temperaturas, que são espécies do gênero Axonopus, muito frequentes nas pastagens de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.


Pudemos presenciar muitas áreas com as pastagens totalmente secas, mas com as plantas daninhas verdes. Esse é um fato frequente nas épocas de inverno, porém, mais claro ainda ficou com a ocorrência das baixas temperaturas, ou até geadas, que secaram mais precocemente as pastagens.


Em relação às plantas daninhas, os efeitos das baixas temperaturas são igualmente estressantes. A planta também diminui sua atividade e pode sofrer queima das folhas, mas dificilmente morrerão, como ocorre com as plantas cultivadas.


Mais recentemente, após esses fenômenos das baixas temperaturas, se constatou a volta rápida do calor associado às baixas umidades relativas, que caracterizam principalmente, os invernos das regiões Sudeste e Centro-Oeste como regra geral.


O que esperar das plantas daninhas pós-geada

A má notícia para o pecuarista é que o frio intenso, ou seca pronunciada, não matam as plantas invasoras que infestam as pastagens e, na verdade, os fenômenos que presenciamos na atual estação de inverno causou uma certa sincronização biológica entre as plantas daninhas, tanto aquelas que germinarão das sementes existentes no banco de sementes do solo, como entre as espécies perenes que atravessaram esse período de estresse.


Iniciando as condições climáticas favoráveis, com o início nas chuvas na primavera, entre os meses de setembro e outubro, deveremos presenciar uma explosão de vegetação dessas espécies, com o vigoroso rebrote das espécies perenes que se encontravam com baixa atividade metabólica, como com a germinação das sementes em dormência no solo. Ou seja: grande competição com a gramínea forrageira, que também tentará retomar sua vegetação nessas circunstâncias desfavoráveis.


Esse panorama mostra a grande preocupação que o pecuarista deverá ter com o controle das plantas daninhas nesse início das chuvas, diferentemente de outros anos, onde se poderia até aguardar para ver como viria a infestação. Neste ano, não é necessário aguardar nada. As infestações virão de modo intenso e vigoroso, e ações de controle deverão ser tomadas o mais cedo possível, para que a pastagem possa atravessar os meses de grande crescimento, livre da competição com as plantas daninhas.


Sem dúvida será um investimento dos mais rentáveis que o pecuarista poderá experimentar entre suas diversas opções de emprego em tecnologias.


Busque informações com seus parceiros comerciais, com o pessoal técnico, e estabeleça as ações no sentido do combate efetivo das invasoras das pastagens, neste ano, mais do que nunca.


Mais informações podem também ser encontradas na seção no site da Scot Consultoria: Neivaldo Tunes Cáceres


Boa sorte e boa safra.





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