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Scot Consultoria

A exportação de bovinos perde espaço com a pandemia


Segunda-feira, 9 de agosto de 2021 - 17h00

Engenheiro agrônomo, formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ, da Universidade de São Paulo, é diretor-fundador da Scot Consultoria. É analista e consultor de mercado, com atuação nas áreas de pecuária de corte, leite, grãos e insumos agropecuários. É palestrante, facilitador e moderador de eventos conectados ao agronegócio. Membro de Conselho Consultivo de empresas do setor e coordenador das ações gerais da Scot Consultoria.


Foto: Unsplash


Artigo originalmente publicado no Broadcast Agro, da Agência Estado, em 02/08/2021.


Introdução

A pandemia afetou negativamente o desempenho da exportação de bovinos, sendo uma das poucas atividades do agronegócio brasileiro prejudicada por causa do covid-19.


Apesar da queda do desempenho ao menor nível desde 2004, em 2020 o Brasil ocupou a quarta posição entre os exportadores de bovinos (USDA³).


Na contramão, a exportação de carne bovina durante a pandemia esteve e está indo bem, tendo como principal destino a China. No primeiro semestre deste ano, o Brasil exportou 735,8 mil toneladas de carne bovina in natura, faturando US$3,5 bilhões, um recuo de 5,3% em volume e um aumento de 2% em faturamento, na comparação com o mesmo período do ano passado. (Secex²)


Contexto

Na quarta posição, o Brasil ficou atrás do México (1o.), Austrália (2o.) e Canadá (3o.) (figura 1).


Figura 1. Exportação de bovinos, em milhões de cabeças, em 2020.



Fonte: Secex / Elaboração: Scot Consultoria.


Um fator a ser considerado é o fato das exportações canadenses e mexicanas serem, majoritariamente, por via terrestre, abastecendo o mercado norte-americano, uma vez que esses países são beneficiados pelo Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, em inglês) e atendem prioritariamente os Estados Unidos.


Considerando a exportação via marítima, o Brasil ocupa a segunda posição, ficando atrás apenas da Austrália.


Em relação ao rebanho nacional, a exportação de bovinos consome 0,2% do rebanho estimado em 214,4 milhões de cabeças (IBGE), ou seja, não concorre com o abastecimento interno, sendo uma operação complementar.


Mercado vigente


No primeiro semestre de 2021, a exportação caiu em função da pandemia e do aumento da cotação da arroba do boi gordo, cujo preço subiu por causa da escassez de oferta.


O Brasil exportou 23,3 mil cabeças no primeiro semestre, com faturamento de US$22,1 milhões (Secex), o pior desempenho em 16 anos.


Para comparação, apresentamos graficamente o desempenho da exportação de bovinos nos primeiros semestres, de 2004 a 2021 (figura 2).


Figura 2. Exportação de bovinos nos primeiros semestres, de 2004 a 2021, em cabeças.


Fonte: Secex / elaboração Scot Consultoria. 


Importadores

Neste ano, o maior comprador no primeiro semestre foi a Arábia Saudita, responsável por 75,1% da exportação. Em segundo lugar ficaram os Emirados Árabes Unidos, com 3,9 mil cabeças, ou 16,7% do total exportado (Secex²).


A Turquia, que em 2020 importou 104,9 mil cabeças, e o Iraque, que importou 45,3 mil cabeças, nada importaram do Brasil em 2021 (Secex²).


Portas de saída


Em relação aos pontos de embarque, os portos de Belém, em Belém do Pará e de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, foram as portas de saída. Em 2020, o porto de Belém foi responsável por 49,6% da exportação, e o porto de Rio Grande, por 35,4% (Secex²).


Em 2021, a exportação foi através dos portos de Belém, respondendo por 83,4% da quantidade em cabeças, e através do porto de São Sebastião-SP, que exportou o restante (16,6%) (Secex²).


Considerações finais


O faturamento médio nos primeiros semestres de 2017 a 2020 foi de US$157,5 milhões. No primeiro semestre de 2021, o faturamento está 85,9% menor que a média dos últimos 4 anos, um recuo de US$135,4 milhões (Secex²).


A exportação de gado pelo Brasil deverá encerrar o ano com o desempenho no menor nível dos últimos tempos.


*Alcides Torres é engenheiro agrônomo, fundador e CEO da Scot Consultoria. Com a colaboração de Rodrigo Queiroz, engenheiro agrônomo e analista de mercado da Scot Consultoria.




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