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Scot Consultoria

Manejo da fertilidade do solo da pastagem - parte II


Quarta-feira, 14 de agosto de 2019 - 05h55

por Adilson de Paula Almeida Aguiar

Zootecnista, professor de Forragicultura e Nutrição Animal no curso de Agronomia e de Forragicultura e de Pastagens e Plantas Forrageiras no curso de Zootecnia das Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU); Consultor Associado da CONSUPEC - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda; investidor nas atividades de pecuária de corte e de leite.


Foto: Scot Consultoria


Dando sequência aos textos sobre fertilidade da pastagem (veja a primeira parte aqui) surge o questionamento: adubar x não adubar? 


Esta pergunta tem sido formulada há anos pela maioria dos produtores, principalmente pelos produtores de carne bovina, mas também por muitos técnicos. 


No meu ponto de vista não tem como responder esta pergunta se não for baseado nas etapas iniciais de um programa de gestão, o qual tem início na etapa de inventário de recursos, continua com a etapa da emissão de um diagnóstico, depois com um plano de metas, uma análise de viabilidade técnica e econômica (VTE) do projeto em questão e finalizando com um planejamento. 


Na etapa de inventário de recursos, considerando que o objetivo principal do nosso projeto aqui será a tomada de decisão entre adubar ou não adubar, é fundamental o levantamento e estudo de dados das normais climatológicas da região onde está localizada a propriedade (volume e distribuição de chuvas; temperaturas mínima, média e máxima; risco de geadas e balanço hídrico) e das classes de solo predominantes na propriedade (seu relevo, sua profundidade e drenagem, mas principalmente sua fertilidade). 


Ainda nesta etapa de inventário recomenda-se inventariar dados e informações da propriedade (sua localização, áreas total e útil; suas benfeitorias e edificações); das pastagens (espécies forrageiras cultivadas; número, área e formato dos piquetes; método de pastoreio adotado; condição de pressão de pastejo; condição do estande da planta forrageira, a taxa de lotação histórica e atual, etc.); infraestrutura (fonte de água, cochos para suplementos, sombreamento, área de lazer, suas medidas e estado de conservação); infestação por plantas infestantes e pragas; do rebanho (atividade, se produção de carne ou de leite; se de carne, qual a fase do ciclo pecuário, se cria, se ciclo completo, se recria e engorda; o calendário de manejo dos animais ao longo do ano; os pesos corporais médios das categorias animais do rebanho); o mercado regional (preços de terra e de animais; alternativas de uso da terra etc.); os índices técnicos, os custos de produção e o resultado econômico da atividade pelo menos do último ano, e por fim os objetivos e metas do produtor.  


Com base no inventario o técnico irá elaborar e emitir um diagnóstico da situação atual e do potencial daquele projeto em questão. Mais uma vez considerando que o objetivo aqui é responder à pergunta “adubar ou não adubar” é preciso calcular qual é o potencial do ambiente para a produção de forragem (kg de matéria seca/ha/ano), a qual determinará a capacidade de suporte da pastagem (UA/ha). 


E estes potenciais por sua vez são calculados com base no volume e distribuição de chuvas associado com a temperatura média do ambiente (para pastagem não irrigada) e ainda o balanço hídrico (para pastagem irrigada) e a fertilidade do solo. 


Somente para destacar: em 28 anos fazendo estes cálculos, em 99% dos ambientes avaliados, a fertilidade do solo sempre foi o fator que determinou o potencial de produção dos sistemas de produção acompanhados. E detalhe, sempre puxando o potencial para baixo já que a fertilidade natural dos solos sob pastagens do país é classificada como de muito baixa e baixa fertilidade. 


Na etapa de diagnóstico é importante avaliar se o produtor já está em um nível de gestão da atividade que possibilita ele investir na intensificação da produção por meio de correção e adubação do solo e ter sucesso técnico:econômico. 


Por exemplo, se suas pastagens ainda estão infestadas por plantas infestantes é preciso ele ou ela primeiro investir no seu controle, porque mesmo em solos corrigidos e adubados a presença de plantas infestantes reduz a resposta da pastagem à adubação.  


Uma vez cumprida a etapa do diagnóstico é possível dar uma perspectiva para o produtor de qual é o potencial do sistema para então ele estabelecer seus objetivos e metas no intervalo entre o resultado atual que ele alcança e o resultado potencial. 


Na maioria das vezes o produtor tem como parâmetro para estabelecer sua meta a variável “taxa de lotação”, mas é possível e recomendo estabelecer as metas em produto animal que será de fato comercializado, ou seja, kg ou arrobas ou litros de leite/ha/ano. 


Uma vez estabelecidas as metas recomendam-se que o técnico elabore a viabilidade técnica:econômica (VTE) do projeto para cenários de baixa e de alta nos preços do produto que o produtor produz.


Um parêntesis: na minha experiência, como professor (desde 1991), pesquisador (desde 1992), gerente de fazenda (entre 1991 a 1994) e consultor (desde 1994) não me lembro de ter feito uma VTE da intensificação da produção por meio de correção e adubação do solo da pastagem cujo resultado tenha sido negativo. 


No próximo mês darei continuidade na abordagem deste tema.




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