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Como os preços do boi tendem a se comportar?


Quinta-feira, 21 de dezembro de 2017 - 11h00

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por Mariane Crespolini

Graduada em Gestão Ambiental pela Esalq/USP, mestre e doutoranda em desenvolvimento econômico pela Unicamp. É pecuarista na região norte de Mato Grosso. Pesquisadora, consultora e palestrante em temas relacionados à economia.


Foto: Scot Consultoria

 


Na minha tese de doutorado tenho estudado quais são os fatores que compõe o preço do boi e das outras categorias de animais. O preço que você, pecuarista, recebe pela arroba é determinado por uma série de fatores, a começar pelo tamanho do lote a ser comercializado, pela distância da sua propriedade até a indústria, pelo acabamento da carcaça e pelo número de indústrias na sua região, entre outros.


Porém, há um fator muito importante na determinação do preço, que é a época em que o animal é comercializado. Ao contrário da agricultura, a pecuária não é uma atividade anual, mas sim plurianual. Por mais que alguns pecuaristas realizem a Recria-Engorda em menos de 12 meses, este sistema depende da Cria. Então, no preço do boi há o efeito do plurianual, comumente denominado de “Ciclo Pecuário”. Mas, o ciclo é um tema para um próximo artigo.


O objetivo de hoje é conversarmos como os preços se comportam no ano e como isto pode ser uma ferramenta importante para a gestão da sua propriedade. Para analisar o comportamento dos preços do boi ao longo de um ano, apliquei o modelo matemático proposto por Hoffmann (2002), na série histórica do Indicador Esalq/BM&F do Boi Gordo. Traduzindo os termos matemáticos, este modelo busca normalizar as variações de série de preços, diminuindo os efeitos abruptos ou atípicos de uma base de dados, como foi a carne fraca em 2017. Busca assim, um valor matemático que expressa o comportamento de preços em período típicos, onde não há choques de oferta, nem demanda. O efeito da inflação já está descontado.


Como ilustrado na figura 1, se considerada a série histórica de julho de 1997 até dezembro de 2017, maio é o mês que tende a apresentar os menores preços da arroba no ano. Os preços em maio chegam a ser 3,24 pontos percentuais abaixo da média (que na figura é a linha vermelha, base 100). E os maiores preços ocorrem em novembro, 4,11 pontos percentuais acima da média do ano.


Mas o que isto significa para você, produtor? Quer dizer que em 2018 o menor preço vai ser em maio? Pode ser que sim, como pode ser que não. Esta análise é importante para o seguinte cenário: se você tem boi gordo pronto para abate em abril, e não está contente com os preços, optando por segurar o boi até maio, com a esperança de que os preços subam, é importante que tenha em mente que a probabilidade disso ocorrer é estatisticamente pequena. Isto, sem mencionar o custo de manter este animal por mais tempo na sua propriedade.


Essa probabilidade é menor porque maio é um mês onde a oferta tende a aumentar. Além disso, com a entrada da seca o produtor precisa liberar o pasto. E, também há outro motivo: geralmente você não é o único a segurar os animais em abril com a expectativa que os preços melhorem em maio. Isto causa um efeito na economia que se denomina de “efeito manada”. Muitos produtores tomam a mesma decisão e os preços respondem a isso. 


Acima dei um exemplo entre abril e maio. Mas, esta ferramenta serve para outros meses e, principalmente, para você planejar a sua produção. Vale a pena investir em um sistema de semiconfinamento ou de confinamento? Quanto isto vai te custar a mais por arroba? Veja bem na figura que a diferença de preços entre maio e novembro, por exemplo, é de 7,6 pontos percentuais, isto sem considerar a inflação.


Os preços se mantêm acima da média anual (linha vermelha) a partir de setembro. Como as chuvas começam a serem regulares a partir de setembro, após dois ou três meses, começa a aumentar o volume de gado gordo em pasto. Então, a partir de novembro, quando atinge seu recorde, o índice começa a ceder, mas mantém-se acima de 100 até janeiro e em 100 em fevereiro, caindo a partir de então, com a maior oferta de boi gordo. A linha azul demonstra como os preços tendem a se comportar ao longo do ano.


Figura 1.



Recentemente, fiz uma palestra e, muito sabiamente, um produtor me questionou se essa diferença de preços entre maio e novembro não tinha reduzido no período recente, já que o semi e o confinamento aumentaram expressivamente. Então, apliquei o modelo para um período mais curto, de 2007 a 2017. A diferença entre maio e novembro saiu de 7,6 para 5 pontos percentuais, ou seja, a diferença entre os mínimos e máximos do ano diminuiu. Porém, a tendência observada para os outros meses se manteve.  


Produtor, lembre-se que preço não é lucro. Este é só um lado da sua balança. Tão importante quanto olhar para os preços do boi, é olhar para o seu custo de produção.


Conclusões - Analisar sazonalidade de preços é o mesmo que falar em estações do ano. Sabemos que em meados de setembro tem início o período das águas e que, em meados de abril, as chuvas tendem a diminuir. Não adianta torcer para chover mais em maio do que em março. A solução é planejar e administrar nossa produção em função das tendências. É exatamente assim com os preços.


Há uma tendência e geralmente ela se mantém, ilustrada na figura. Em alguns anos, existem fenômenos como o El Niño que afetam o clima, podendo inclusive resultar em quebra de safra. Isto também pode ocorrer com os preços. Foi o que ocorreu com a carne fraca e com a delação dos irmãos Batista. Estes choques também podem vir com altas (ou quedas) inesperadas de demanda. Mas, são choques e não tendências.


O bom é que, no mercado boi, você não precisa torcer para não ter um El Niño. Você pode se proteger pelo mercado de opções, por exemplo. Para entender como se proteger desses choques, o espaço do Leandro Bovo aqui na Scot Consultoria te traz mais informações!


Desejo a todos um feliz e próspero 2018, com fé que será um ano muito melhor do que foi 2017!


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