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Scot Consultoria

O Desafio da Gestão em ILPF


Terça-feira, 29 de agosto de 2017 - 09h40

Médico veterinário pela UNESP – campus de Jaboticabal, especialização em produção animal pela UFLA e atual Consultor senior da CRIATEC - Consultoria em Agronegócios.


Foto: http://www.senar.org.br


Por que os Sistemas Integrados de Produção Agropecuária possuem sua gestão mais complexa?
A evolução do uso de sistemas integrados de produção agropecuária (SIPA) tem causado grandes desafios quando falamos da gestão desta complexidade. Agora, ao invés do produtor lidar com apenas uma atividade produtiva, com procedimentos padrões e já estandardizados, ele passa a lidar com novas culturas na propriedade e tem que tratar com a diversidade.


A introdução de uma espécie forrageira em consórcio com agricultura, de animais em pastejo, do componente florestal; a rotação de culturas, a necessidade de cercas, bebedouros, currais de manejo, cochos para suplementação mineral; o manejo da floresta, desbaste, corte transporte; a comercialização de cada safra, a necessidade de diferentes insumos para cada cultura... Enfim, a fazenda passa a ser uma verdadeira prateleira com culturas e ações sobrepostas e cada qual com suas particularidades e desafios (Figura 1).


A equipe deve passar a ser multidisciplinar, a começar pelo gestor que deverá dominar conhecimentos nestas diferentes áreas. Os colaboradores deverão ser capacitados e treinados para lidar com esta diversificação. Numa figura de linguagem: o colaborador passa do trator ao lombo do cavalo e vice versa.


Figura 1.
Integração Lavoura Pecuária e Floresta – iLPF - Intensificação Sustentável
Foto: William Marchió


Caminhos para vencer os desafios


O primeiro passo para vencermos os desafios da gestão passa pelo hábito do planejamento. O planejamento destas atividades produtivas, dentro do mesmo ambiente, passa a ser o principal recurso para o sucesso. Primeiramente, podemos e devemos proceder a um diagnóstico minucioso de toda a propriedade, a começar pelo perfil do próprio proprietário, o que pode ser caracterizado como um “auto diagnóstico”.


Nesse sentido, é fundamental se fazer uma análise crítica, pois dependendo da maneira como se encara o negócio, há que se lançar mão de estratégias para que a integração prospere. E muitas vezes, há também, que se enfrentar a zona de conforto.


Um exemplo muito comum é quando o produtor possui outra atividade profissional (médico, dentista, engenheiro, etc) e a fazenda é secundária no cotidiano (Figura 2). As visitas à propriedade são eventuais e não se consegue fazer a gestão do dia-a-dia. Este perfil de produtor demandará, em seu negócio, um “gerente” com excelente conhecimento operacional para que a atividade prospere.


Figura 2.
Em qual destes perfis eu me enquadro?
Foto: William Marchió


Aplicando ferramentas de diagnóstico


O primeiro passo para a implantação de um projeto de integração lavoura pecuária numa propriedade rural passa pelo correto diagnóstico da fazenda. Há algumas ferramentas que podem ser utilizadas e uma delas é o SWOT (do inglês Strenghts - Forças, Weaknesses - Fraquezas, Opportunities -Oportunidades e Threats - Ameaças). A partir da aplicação dessa ferramenta, é possível se ter uma noção clara de pontos importantes que irão direcionar as atitudes e delinear prioridades de investimentos.


Figura 3.
Aplicação de análise SWOT para diagnóstico das Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças.
Foto: William Marchió


Um dos aspectos mais importantes a serem levantados são as condições edafoclimáticas (solo e clima) da fazenda. Isso irá determinar os possíveis arranjos a serem adotados, as diferentes culturas e sucessões que se adequam ao clima, ao solo e à logística em questão (Figura 4).


Figura 4.
O conhecimento das condições de clima e solo vigentes na propriedade é fundamental para o sucesso do projeto.
Foto: William Marchió


Outra ferramenta que pode nos auxiliar sobremaneira no planejamento do dia-a-dia é o 5W 2H (Figura 5).


Figura 5.
5W2H - uma ferramenta simples e eficiente de gestão.
Foto: William Marchió


Aplicando-se esta ferramenta, é possível organizar um cronograma, criando uma linha temporal com todas as atividades do cotidiano de um projeto integrado.


De posse deste cronograma de ações, basta colocarmos em prática cada uma delas. Inclusive todo o orçamento do empreendimento poderá sair deste simples exercício. Desta forma não haverá surpresas, pois tudo passa a ser previsível e esperado, não ficando apenas na memória do gestor ou do proprietário.


Problemas operacionais do cotidiano e seu enfrentamento


“E aí? E como monitorar o dia-a-dia do campo? O operacional nos atropela e não sobra tempo para mais nada e tudo vai se acumulando!”.


Este é um problema comum que pode ocorrer quando se adota um sistema integrado de produção sem as devidas precauções gerenciais. Para o enfrentamento desta situação pode-se lançar mão de outra simples ferramenta de gestão, pela aplicação do Ciclo PDCA (Planejamento, Desenvolvimento, Controle e Ações Corretivas – Figura 6).


Figura 6.
Ciclo PDCA, mais uma ferramenta gerencial de simples aplicação 
Foto: William Marchió


Ao aplicar o Ciclo PDCA é possível gerenciar o desenvolvimento do plano de ação. Assim vamos nos deparando com os erros e acertos na condução do projeto, implementando as correções dos desvios e redirecionando o curso do planejamento.


A partir daí temos um dos maiores desafios no campo: a coleta de dados e informações no dia a dia. Nós nunca vamos conseguir melhorar o que não conseguimos medir.


Sendo assim, uma das mais árduas tarefas dos gestores é a implantação de ferramentas de controle, onde o apontamento dos dados passe a ser uma rotina. E, principalmente, com os dados em mãos, passar a transformá-los em um rico conhecimento que será utilizado nas futuras tomadas de decisões.


Podemos nos utilizar de simples cadernos de anotações ou mesmo planilhas em Excel, ou ainda softwares específicos que controlam até o consumo de combustível das máquinas, seu georreferenciamento, os gastos com insumos, o ganho em peso do rebanho, custos talhão por talhão, etc.. O que importa é que a tomada de decisão seja realizada sobre este conhecimento adquirido e não à revelia.


“É muito fácil colocar tudo isso no papel! E aí, quero ver fazer rodar. No dia-a-dia tem chuva, tem trator que quebra, tem boi que escapa, tem energia que falta, tem ponte que a água leva, tem o veranico, enfim Doutor, acho muito bonito seu discurso, mas na prática, a teoria é outra!!”


Por isso os sistemas integrados não são para todos, são para aqueles gestores comprometidos, empreendedores que perseveram, pois têm pleno foco nos resultados que planejaram.  Para estes produtores, estas ferramentas lhes são úteis e eficazes e passam a fazer parte de sua rotina.


Empresários rurais vencedores têm seu foco em cuidar da ferramenta mais importante e que irá garantir todo o sucesso da integração: os seus colaboradores, sua equipe de pessoas, que se deparam com a rotina da atividade. Estes sim farão a diferença entre o sucesso e o fracasso.


A formação de uma equipe com liderança, motivada e submetida a capacitação continuada representará 90% do resultado. Os outros 10% serão fruto de toda a ciência e tecnologia que dispomos para cada cultura e  para cada atividade produtiva. 


A constante reavaliação do desenvolvimento da atividade, o monitoramento dos resultados e a correção de rumos é o que tem garantido o sucesso dos sistemas integrados atualmente em curso no


Brasil. É isto que tem feito com que os projetos de integração no país sejam não apenas sustentáveis ambientalmente, mas também:


Tecnicamente eficientes


Economicamente viáveis


Socialmente justos


Culturalmente aceitos


Politicamente aplicáveis


São estas as premissas que têm garantido a longevidade das fazendas que adotam o ILPF, tornando-as prósperas para todos e para as gerações futuras.



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