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Scot Consultoria

Disciplinas optativas no ensino médio é uma ótima ideia


Terça-feira, 9 de junho de 2015 - 11h12

Problemas sociais - soluções liberais
Liberdade política e econômica. Democracia. Estado de direito. Estado mínimo. Máxima descentralização do poder.


Normalmente esse espaço é utilizado para criticar governantes de todos os partidos, em todas as esferas governamentais. Hoje é uma exceção, pelo menos nesse momento. De acordo com o Estadão, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo promoverá, em 2016, uma mudança curricular no ensino médio da rede pública estadual, de forma que a grade de matérias dos estudantes nos dois últimos anos seja formada majoritariamente por disciplinas optativas, onde o estudante poderá escolher dar ênfase às matérias que mais lhe agradam, dentro de seu futuro perfil profissional. Do ponto de vista da lógica liberal, essa é uma excelente ideia, por vários motivos.


O primeiro motivo é a deferência ao princípio da especialização do trabalho. David Ricardo foi o economista que primeiro explicou com rigor os benefícios da especialização do trabalho, mostrando que quando um indivíduo se especializa em determinada função, sua produtividade aumenta exponencialmente, e esse aumento de produtividade, atrelado ao livre-comércio, onde o produtor comercializa seu excedente com outras pessoas em troca dos altos excedentes dos demais produtores, gera uma explosão de riqueza, consumo e bem-estar na sociedade. Quando um aluno de ensino médio começa a focar em determinadas matérias, ele está antecipando o ciclo de especialização do trabalho, que irá se aprofundar no ensino superior e pós-graduações. Não só ele, aluno, como toda a sociedade saem ganhando nesse processo.


O segundo motivo é o aumento do interesse do aluno na escola. Quando o aluno passa a montar sua grade curricular a partir das suas preferências pessoais, ele naturalmente se engaja mais e mais na escola, pois o estudo deixa de ser um fardo e passa a ser um desafio e um prazer, com vistas a seu crescimento profissional. O aluno deixa de sentir aquela péssima sensação de que está estudando coisas "que ele nunca mais verá na vida" quando se engajar na vida profissional. O reflexo na diminuição da evasão escolar certamente ocorrerá.


O terceiro motivo é o aumento da eficiência na alocação do serviço docente. Professores se sentem desmotivados quando alunos não se interessam pela sua matéria, e esses alunos desinteressados ocupam espaço na sala e tempo dos professores que deveriam ser destinados aos realmente interessados na matéria. A otimização do tempo do docente também é, em última análise, a reprodução da lógica da especialização do trabalho, o que aumenta a eficiência na alocação dos serviços educacionais custeados pelos tributos pagos pela sociedade.


Dado que normalmente a mudança de paradigmas escolares vem sempre para pior, cada vez com mais concentração de poderes pelo MEC e total ignorância acerca dos anseios e vontades de estudantes, pais e mestres, receber essa notícia é um sopro de esperança. Que o sucesso certo dessa iniciativa possa inspirar governos de todo o Brasil na implementação de uma política pública educacional que respeite a liberdade de quem efetivamente produz e consome esse serviço vital para o futuro do Brasil.

Por Bernardo Santoro



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