Scot Consultoria

Agricultura de precisão como ferramenta para o mercado de carbono

Com a expansão do mercado de carbono, as tecnologias têm evoluído para tornar as fixações e as medições dos créditos eficientes.


Foto: Magnific

Foto: Magnific

As emissões de dióxido de carbono (CO₂) têm crescido ao longo do último século (figura 1), impulsionadas pela expansão da atividade industrial, da geração de energia baseada em combustíveis fósseis e do aumento da demanda por transporte e produção.

Esse cenário estimulou a busca por técnicas capazes de reduzir e compensar as emissões.

Figura 1. 
Bilhões de toneladas de gases do efeito estufa (GEE) emitidas de 1926 até 2023.
Fonte: Our World in Data; Elaboração: Scot Consultoria

O mercado de carbono vem crescendo. Em dezembro de 2024 foi instituído o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), lei no. 15.042/2024.

O SBCE prevê a criação e a negociação de dois ativos ambientais: as Cotas Brasileiras de Emissões (CBEs) e os Certificados de Redução ou Remoção Verificada de Emissões (CRVEs). Baseado no modelo cap and trade, o sistema estabelece um limite de emissões para os agentes regulados.

Empresas que ultrapassarem esse limite poderão adquirir créditos ou cotas de quem reduzir ou remover emissões além das metas estabelecidas, incentivando a mitigação dos gases de efeito estufa (GEE).

A crescente demanda por soluções voltadas ao mercado de carbono tem estimulado o aprimoramento de técnicas capazes de aumentar a eficiência da fixação de carbono e sua mensuração.

A agricultura de precisão deixou de ser uma ferramenta para aumentar a produtividade, ela também desempenha papel na redução das emissões de gases de efeito estufa e na construção de uma agricultura de baixo carbono.

A Embrapa tem desenvolvido técnicas para a redução das emissões de GEE. Está em fase final, por exemplo, o projeto ProCarbon-Soil (Procs), com o objetivo de tornar o mercado de carbono transparente para operadores e agricultores e avaliar a qualidade geral do carbono. O Procs é o primeiro modelo desenvolvido para regiões tropicais para medir a dinâmica da agricultura de carbono (carbon farming), prática baseada na adoção de sistemas de manejo que promovem a remoção de carbono da atmosfera e seu armazenamento no solo, como a rotação de culturas e o plantio direto.

O Procs utiliza duas variáveis para mensuração, o estoque total de carbono e sua decomponibilidade. Outros modelos são mais complexos, com até oito variáveis, e de difícil mensuração. Além de que foram desenvolvidos em regiões temperadas, que tem comportamento diferente da tropical em relação à matéria orgânica no solo e aos sistemas produtivos. A precisão do modelo é igual ou superior comparado a métodos tradicionais, como as análises de solo.

A Embrapa São Carlos criou uma solução para simplificar a determinação de estoque de carbono no solo que utiliza laser e inteligência artificial que, em uma única análise, determina a densidade do solo e o teor de carbono. O objetivo da pesquisa é baratear as análises, aumentar as frequências de medição e acelerar iniciativas ligadas a mercado de créditos de carbono.

O método combina a espectroscopia de emissão por plasma induzido por laser (LIBS) com algoritmos de aprendizado de máquina. Pulsos de laser são direcionados à superfície da amostra de solo, gerando um microplasma que emite luz em diferentes comprimentos de onda, formando uma assinatura espectral característica dos elementos presentes. Esses espectros são processados por modelos de inteligência artificial, treinados com amostras de referência, que estimam simultaneamente a densidade do solo e o teor de carbono.

A expansão do mercado de carbono abre oportunidades para profissionais que querem atuar na área, na elaboração de inventários e na criação de projetos de crédito, que compensem as emissões ou que melhora a fixação do carbono.

O avanço nesse mercado depende da criação e aprimoramento de técnicas capazes de quantificar, reduzir e comprovar a remoção de emissões de gases de efeito estufa.

O desenvolvimento dessas soluções permite eficiência e confiabilidade na geração de créditos de carbono, além de estimular práticas produtivas sustentáveis. Para o Brasil, que tem potencial em setores como agricultura, a inovação tecnológica será chave para transformar a redução de emissões em oportunidades ambientais e econômicas em uma economia de baixo carbono. 

Fontes:

EMBRAPA. Tecnologia LIBS para medir carbono no solo recebe certificação internacional. São Carlos, SP: Embrapa Instrumentação, 2022. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/tema-integracao-lavoura-pecuaria-floresta-ilpf/busca-de-noticias/-/notici…

EMBRAPA. Novo modelo calcula dinâmica de carbono na agricultura tropical. Brasília, DF: Embrapa, 2026. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/144746278/novo-modelo-calcula-dinamica-de-carbon…

MINISTÉRIO DA FAZENDA. Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Brasília, DF: Ministério da Fazenda, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/fazenda/pt-br/composicao/orgaos/mercado-de-carbono/sobre

OUR WORLD IN DATA. Annual CO₂ emissions. Data source: Global Carbon Project – Global Carbon Budget 2025. Oxford: Our World in Data. Disponível em: https://ourworldindata.org/grapher/annual-co2-emissions-per-country

<< Notícia Anterior
Buscar

Newsletter diária

Receba nossos relatórios diários e gratuitos

Assine nossa newsletter

Loja