Alguns dos principais produtores de leite do mundo, como a Austrália e a Nova Zelândia, tiveram a produção de leite prejudicada pelo longo período de seca (figura 1). A produtividade diminuiu nessas regiões e a indústria do leite foi bastante afetada, principalmente pelo fato da Nova Zelândia ser o maior exportador de produtos lácteos do mundo e grande fornecedor de matéria-prima para a indústria.

O consumo de leite, por sua vez, aumentou significantemente nos últimos anos e a tendência é que continue crescendo. Segundo instituições de pesquisas e estatísticas de todo o mundo, os grandes responsáveis pelo maior consumo de leite são o crescimento econômico e a mudança nos hábitos alimentares em países como China, Índia e algumas regiões árabes.
DEMANDA E PRODUÇÃO
Desde a década de 90 a China vê a demanda por leite fluído aumentar. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, nos últimos cinco anos a demanda praticamente dobrou na China e o consumo per capita de leite fluido passou de 5,9 litros em 2003 para cerca de 12,0 litros este ano. Veja a figura 2.

Em relação à média mundial o consumo chinês de leite ainda é baixo. Por conta disso, o governo está tentando emplacar campanhas para
incentivar o consumo no país e, da mesma forma, vem desenvolvendo um grande esforço para aumentar também a sua produção.
Aqui vale uma observação: em meados de setembro, um problema de contaminação no leite levou mais de 50 mil chineses ao hospital, a maioria crianças. Um fato como esse acaba prejudicando todo o trabalho que vem sendo desenvolvido no país, no que diz respeito ao setor.
Voltando à questão da produção, de fato a China foi uma das que mais cresceu, conforme pode ser observado na figura 1. A demanda aumentando e a produção mundial praticamente estagnada fizeram com que os preços sofressem reajustes nos principais mercados. Para se ter uma idéia, a produção de leite européia em 2006/2007 foi uma das menores já registradas. Algumas empresas já reclamam da falta de leite no mercado europeu. Além do crescente aumento no mercado internacional, o mercado interno europeu vem registrando maiores demandas por queijos e derivados do leite em geral.
Alguns países que importam leite da União Européia já anteciparam as compras, temendo maiores aumentos no preço do leite.
NO BRASIL
No Brasil, o consumo interno de leite também cresceu (figura 2). O aumento da renda das classes mais baixas fez com que os lácteos passassem a fazer parte cada vez mais da lista de compras dos brasileiros, mesmo com os aumentos nos preços.
O que se vê no panorama mundial de leite é que os grandes produtores e exportadores estão perdendo a força e, com isso, surge a oportunidade para o Brasil de se consolidar como uma grande potência do setor de lácteos.
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