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O boi ficou para trás...até quando?

O fato é que o boi ficou para trás na comparação com praticamente todos os itens do seu custo de produção e uma hora essa distorção terá que ser corrigida.


Esta semana foi bastante tumultuada para todos os ativos do mercado financeiro, com as pesquisas eleitorais dando um aperitivo do que pode ser a volatilidade durante a campanha presidencial. O principal termômetro disso foi o dólar, que superou a barreira dos R$4,00 e atingiu sua cotação máxima desde o início de 2016.

A alta do dólar traz reflexos em todas as commodities exportadas pelo Brasil e as mais diretamente impactadas são principalmente soja e milho, cujos reflexos de alta são praticamente imediatos. Não bastasse isso, a explosão dos custos com logística para o transporte desses grãos depois da famigerada “tabela de fretes” deixou muitas operações literalmente sem conseguir saber qual preço usar na composição das dietas para o confinamento. Isso tudo sem contar com o aumento dos custos da ureia pecuária e toda linha de minerais usados na suplementação do rebanho.

A reação da arroba no mercado físico e futuro até o momento não acompanhou nem de perto a evolução dos insumos citados acima, de modo que o encarecimento desses produtos impactou a margem da atividade de confinamento, que foi desestimulada. Apenas para refrescar a memória, da última vez que o dólar rompeu a barreira dos R$4,00 em 26/2/2016 o Indice Esalq à vista do boi gordo estava em R$156,00/@ e o contrato de out/16 estava cotado a R$165,00/@. Estamos novamente com um dos menores valores da arroba em dólares dos últimos cinco anos como pode ser observado no gráfico abaixo.

Como dissemos no título desse texto, o fato é que o boi ficou para trás na comparação com praticamente todos os itens do seu custo de produção e uma hora essa distorção terá que ser corrigida. O ambiente atual é de franca restrição de oferta, com todos os diferenciais de base muito fechados em relação à praça paulista, sugerindo que alguma movimentação de alta no físico será difícil de ser evitada. Se por um lado o mercado interno ainda atua como um limitador para as cotações, por outro as exportações na esteira do dólar acima de R$4,00 podem ser o gatilho para essa movimentação.

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