No artigo da semana passada, abordamos mais a fundo as características da posição de pessoa física, que é onde se encontra grande parte da posição especulativa do mercado e que, portanto, é de grande interesse para os hedgers. Um outro participante cuja análise da posição é de interesse é o chamado “Pessoa Jurídica não Financeira”.
Como o próprio nome diz, são classificadas nessa categoria todas as empresas (pessoas jurídicas) que não atuam na prestação de serviços financeiros. O que torna esse participante importante para os hedgers é que nessa categoria são classificados os frigoríficos. É óbvio que nem toda a posição de pessoa jurídica não financeira pode ser entendida como posição de frigoríficos, porém na falta de um indicador melhor, podemos utilizar essa informação como uma forma de inferir (mesmo sem grande certeza) a posição dos frigoríficos que operam na bolsa. Acompanhe nos gráficos ao lado.
Como podemos observar, a posição líquida de pessoa jurídica era levemente vendida ou mesmo comprada durante todo o início de 2007 (valores acima de 0 no gráfico 2). A partir do final de maio de 2007 a posição líquida passou a vendida e vem aumentando desde então, acompanhando a alta do mercado. É razoável considerar essa posição vendida como sendo uma posição de hedge, se imaginarmos que os frigoríficos, que detêm uma parcela considerável dessa posição vêm comprando grandes volumes de boi a termo dos pecuaristas. Portanto, estão vendendo contratos no mercado futuro para proteger sua posição em volume maior do que no ano passado (essa análise é uma espécie de consenso entre os analistas de mercado).

Outra informação que vale à pena ser analisada é a porcentagem do total de posições em aberto que representa a posição vendida de pessoa jurídica não financeira. Acompanhe no terceiro gráfico.

Percentualmente em relação ao total de contratos em aberto, a posição vendida de pessoa jurídica não financeira ainda não está nos seus maiores valores históricos, porém já superou os valores atingidos no ano passado, e isso sobre uma base de contratos em aberto muito maior. Nesse contexto, evidencia-se ainda mais a necessidade de uma política de garantia de preços de venda por parte do produtor, sobretudo a partir de outubro, quando a maior parte de animais oriundos de confinamento tende a entrar no mercado.
Um abraço e até a semana que vem!
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