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Indústria de calçados agonizante

Indústria de calçados agonizante


  • Os preços do couro verde seguem estáveis. Sem novidades no âmbito externo, com o dólar andando de lado e nenhuma alteração no número de pedidos, e também no âmbito interno, já que o setor aguarda os resultados da Couromoda, parece não haver fatores que possam levar a alguma mudança nos rumos do mercado.
  • Os compradores, que ao final de 2006 acreditavam que os preços poderiam começar a recuar a partir de meados de janeiro de 2007, já não arriscam previsões.
  • Para o curto prazo, portanto, a tendência é de poucas alterações no mercado. FRACO DESEMPENHO DAS INDÚSTRIAS DE CALÇADOS EM 2006
  • A mídia tem noticiado, de forma maciça, os efeitos nefastos da valorização do real e da concorrência chinesa sobre alguns setores da economia nacional. Entre os que mais sofrem, vale um destaque para a indústria de calçados.
  • Os resultados de 2006 ainda não foram consolidados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados. Porém, no acumulado de janeiro a novembro do ano passado, o Brasil exportou cerca de 164,92 milhões de pares, que geraram um faturamento de US$1,70 bilhão.
  • Na comparação com o mesmo período de 2005, quando os embarques totalizaram 171,86 milhões de pares, com receita de US$1,72 bilhão, houve uma retração de mais de 4% em volume e de 1,2% em valor.
  • Internamente, as vendas estavam em alta. Em ritmo lento, mas em alta. Porém, em novembro, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) registrou um recuo de 0,33%. Tem quem afirme que essa retração não é uma tendência, mas não é possível negar que os produtos importados têm buscado cada vez mais espaço internamente.
  • O cenário, de crescimento moderado das vendas internas e de redução das vendas externas, está levando algumas empresas a reduzirem a produção e a iniciarem demissões.
  • Em Franca – SP, por exemplo, a “capital nacional do calçado masculino”, a indústria calçadista chegou a empregar mais de 37 mil pessoas na década de 80, mas hoje só comporta 15 mil trabalhadores.
  • Só em dezembro último houve queda de 17,2% no nível de emprego. Algumas indústrias fecham, outras reduzem a produção e tem aquelas que estão se transferindo para o Nordeste, atrás de incentivos fiscais.
  • Os calçadistas brasileiros não enxergam luz no fim do túnel. Os principais problemas do setor são de origem macroeconômica, principalmente no que diz respeito às políticas cambial e comercial, e o governo não dá sinais de que irá promover alterações de rumo.
  • Mas do outro lado do mundo, o governo da China está lançando o 11º Plano Qüinqüenal para a Indústria do Couro e Calçado. O objetivo principal é atender a nova classe média chinesa, com produtos de maior valor agregado e, conseqüentemente, mais caros.
  • Mas também estão nos planos do governo chinês aumentar o preço e o volume das exportações, que têm mantido uma taxa média de crescimento de 10% ao ano.
  • A China já tem cerca de 18 mil fábricas de calçados, contra 7,5 mil do Brasil, e exporta 50% dos calçados que o mundo consome. Mas o gigante asiático quer mais.
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