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Indústria de calçados agonizante
por Fabiano Tito Rosa
18/01/2007 - 19:08
Os preços do couro verde seguem estáveis. Sem novidades no âmbito externo, com o dólar andando de lado e nenhuma alteração no número de pedidos, e também no âmbito interno, já que o setor aguarda os resultados da Couromoda, parece não haver fatores que possam levar a alguma mudança nos rumos do mercado.
Os compradores, que ao final de 2006 acreditavam que os preços poderiam começar a recuar a partir de meados de janeiro de 2007, já não arriscam previsões.
Para o curto prazo, portanto, a tendência é de poucas alterações no mercado.
FRACO DESEMPENHO DAS INDÚSTRIAS DE CALÇADOS EM 2006
A mídia tem noticiado, de forma maciça, os efeitos nefastos da valorização do real e da concorrência chinesa sobre alguns setores da economia nacional. Entre os que mais sofrem, vale um destaque para a indústria de calçados.
Os resultados de 2006 ainda não foram consolidados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados. Porém, no acumulado de janeiro a novembro do ano passado, o Brasil exportou cerca de 164,92 milhões de pares, que geraram um faturamento de US$1,70 bilhão.
Na comparação com o mesmo período de 2005, quando os embarques totalizaram 171,86 milhões de pares, com receita de US$1,72 bilhão, houve uma retração de mais de 4% em volume e de 1,2% em valor.
Internamente, as vendas estavam em alta. Em ritmo lento, mas em alta. Porém, em novembro, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) registrou um recuo de 0,33%. Tem quem afirme que essa retração não é uma tendência, mas não é possível negar que os produtos importados têm buscado cada vez mais espaço internamente.
O cenário, de crescimento moderado das vendas internas e de redução das vendas externas, está levando algumas empresas a reduzirem a produção e a iniciarem demissões.
Em Franca – SP, por exemplo, a “capital nacional do calçado masculino”, a indústria calçadista chegou a empregar mais de 37 mil pessoas na década de 80, mas hoje só comporta 15 mil trabalhadores.
Só em dezembro último houve queda de 17,2% no nível de emprego. Algumas indústrias fecham, outras reduzem a produção e tem aquelas que estão se transferindo para o Nordeste, atrás de incentivos fiscais.
Os calçadistas brasileiros não enxergam luz no fim do túnel. Os principais problemas do setor são de origem macroeconômica, principalmente no que diz respeito às políticas cambial e comercial, e o governo não dá sinais de que irá promover alterações de rumo.
Mas do outro lado do mundo, o governo da China está lançando o 11º Plano Qüinqüenal para a Indústria do Couro e Calçado. O objetivo principal é atender a nova classe média chinesa, com produtos de maior valor agregado e, conseqüentemente, mais caros.
Mas também estão nos planos do governo chinês aumentar o preço e o volume das exportações, que têm mantido uma taxa média de crescimento de 10% ao ano.
A China já tem cerca de 18 mil fábricas de calçados, contra 7,5 mil do Brasil, e exporta 50% dos calçados que o mundo consome. Mas o gigante asiático quer mais.