• Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
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Scot Consultoria

Quanto do potencial da propriedade está sendo transformado em resultado?

Segundo dia do Encontro de Intensificação e Pastagens 2026 mostrou que aumentar produtividade depende de planejamento, manejo, capacidade de colheita e decisões ajustadas à realidade de cada sistema.


Foto: Bela Magrela

Foto: Bela Magrela

Manejo de pastagens, planejamento, mudança de mentalidade, controle de plantas daninhas, reorganização do sistema produtivo, colheita de pastagem e nutrição e integração na TIP foram temas que marcaram o segundo dia do Encontro de Intensificação e Pastagens 2026 da Scot Consultoria.

Ao longo do dia, especialistas compartilharam conhecimentos, experiências e ferramentas práticas para auxiliar produtores e profissionais do setor na tomada de decisões e na condução de sistemas mais eficientes.

A programação começou pela gestão das pastagens. Janaina Martuscello discutiu como planejamento, definição de estratégias e organização dos recursos interferem diretamente na produtividade e na rentabilidade do sistema. "Pasto é lavoura, capim é dinheiro e produzir a pasto é mais barato", afirmou. Para ela, o bom manejo vem antes da adubação: "O pior jeito de perder dinheiro é adubar em um pasto mal manejado".


Foto: Bela Magrela

A discussão ganhou um caráter prático com experiências de propriedades que passaram por mudanças de manejo e gestão. Cintia Oliveira apresentou uma trajetória de intensificação marcada por mudanças na forma de conduzir o sistema produtivo. "O manejo de pastagem dobrou a lotação da fazenda Vale da Serra e me permitiu continuar sendo pecuarista", contou. A virada veio com o investimento em cercas: "Sabia o que tinha que fazer, faltava coragem. Até que um dia eu fiz e os resultados vieram".


Foto: Bela Magrela

O manejo de plantas daninhas também entrou na discussão. Kassio Mendes abordou prevenção, controle e manejo, mostrando que o problema não pode ser analisado apenas como uma questão de aplicação de produtos, mas como parte das decisões que determinam a eficiência do sistema. Segundo ele, a infestação afeta diretamente a produtividade e pode reduzir em até 80% a produção.

A relação entre pastagem e produção animal foi aprofundada por Eloir Daltoé, que apresentou resultados de híbridos de braquiária em diferentes sistemas de produção. Mais do que medir a quantidade de matéria seca, a discussão colocou outra variável no centro: quanto da forragem produzida efetivamente chega ao animal e se transforma em produto e resultado por hectare? "A pergunta correta a ser feita quando eu vou implantar uma forrageira é: quanto eu pretendo produzir e qual minha expectativa de lucro por hectare?", questionou.

Essa lógica também apareceu na apresentação de Alex Perin. Em um caso de reorganização do sistema produtivo, a intensificação precisou ser revista para que a propriedade recuperasse eficiência antes de voltar a avançar. "A pecuária é muito mais complexa do que eu imaginava. Queria intensificar com cuidado, por isso dei dois passos para trás", relatou.

O evento avançou para diferentes estratégias de intensificação. Ernesto Coser discutiu a capacidade de colheita da pastagem e o desafio de fazer com que a forragem produzida seja efetivamente aproveitada pelos animais. "A ferramenta do pastor moderno é a cerca elétrica, que permite pastorear seu rebanho", afirmou.

A transformação de operações extensivas em sistemas de maior eficiência foi o tema apresentado por Ângelo Favaro, que mostrou como mudanças em manejo, gestão, uso da área e organização produtiva podem alterar o resultado sem depender exclusivamente da expansão da propriedade. Na Fazenda Santa Nice, a reestruturação fez com que água e alimento chegassem até os animais, o que trouxe maior eficiência. "Pasto é um ativo, pasto é receita e pastejo é um processo", resumiu.

A nutrição completou a discussão com novas estratégias para sistemas de TIP e RIP. Joanis Tilemahos Zervoudakis abordou o uso de DDG e as possibilidades de ampliar a eficiência das dietas a partir de diferentes alternativas de formulação. Ele apresentou uma redução de 25,0% nos custos de produção após a inserção de coprodutos na dieta animal, mas alertou que nem todo coproduto é DDG e nem todos os DDGs têm a mesma composição. Os de fibra mais alta, geralmente com densidade mais baixa, podem encarecer o frete. "Quem ainda não usou DDG ainda vai usar", afirmou.

Encerrando as apresentações, Ubirajara Bilego trouxe dados preliminares de uma pesquisa conduzida ao longo de dois anos no Centro Tecnológico COMIGO, comparando o desempenho de bovinos em TIP com outras estratégias de terminação. O trabalho avalia, entre outros indicadores, desempenho animal, características de carcaça e produção de arrobas por hectare em sistemas de integração lavoura-pecuária. A pesquisa compara a TIP com a terminação a pasto com suplementação mineral aditivada e com suplementos proteico-energéticos.

As discussões do segundo dia mostraram, portanto, que intensificar não significa seguir uma receita única. A resposta depende da capacidade de produção da pastagem, da gestão, da nutrição, da estrutura disponível, do nível de investimento e, principalmente, da eficiência com que cada recurso é convertido em produto.

O EIP 2026 foi encerrado com um debate entre os palestrantes e especialistas convidados, conectando as experiências apresentadas ao longo dos dois dias e discutindo diferentes caminhos para aumentar produtividade, eficiência e rentabilidade.

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