• Quarta-feira, 1 de julho de 2026
Assine nossa newsletter
Scot Consultoria

Ordenha Brasil encerra rota de visitas no Paraná

Na última semana de campo, a pesquisa expedicionária da Scot Consultoria percorreu fazendas nos Campos Gerais e encontrou sistemas de alta produtividade, forte uso de tecnologia e integração entre leite, agricultura e gestão de dejetos.


Foto: Bela Magrela

Foto: Bela Magrela

Depois de iniciar as visitas pelo estado de Goiás, no dia 8 de junho, e seguir para Minas Gerais entre os dias 15 e 19 de junho, a equipe técnica da Ordenha Brasil, pesquisa expedicionária da Scot Consultoria, chegou ao Paraná para a última semana de campo.

A rota paranaense concentrou visitas em propriedades localizadas nos Campos Gerais, nos municípios de Castro e Carambeí, uma das principais regiões produtoras de leite do país. Ao longo da semana, a equipe visitou fazendas com diferentes modelos de produção, mas com um ponto em comum: elevado nível de intensificação, produtividade acima da média nacional e forte relação entre tecnologia, gestão e eficiência operacional.

As visitas permitiram observar sistemas produtivos consolidados, propriedades em expansão e operações com alto grau de profissionalização.

A rota reafirmou o protagonismo do estado, especialmente da região dos Campos Gerais, na pecuária leiteira brasileira. O clima mais favorável às raças leiteiras, a tradição da atividade, a influência da imigração holandesa, a atuação das cooperativas e o intercâmbio constante de informações técnicas ajudam a explicar os altos índices produtivos encontrados nas fazendas visitadas.

Uma das características da região foi a alta produtividade por vaca. Em algumas propriedades, as médias citadas superam 50,0kg de leite por vaca/dia, com lotes de alta produção contendo vacas acima de 70,0kg ou até 80,0kg de leite/dia. Esse desempenho está associado à genética, ao conforto animal, ao controle de ambiência, à precisão nutricional e ao acompanhamento constante de indicadores.


Foto: Bela Magrela

Os sistemas de alojamento também chamaram atenção. Diferentemente do observado em parte das rotas anteriores, no Paraná houve forte presença de freestall, além de sistemas com compost barn e cross ventilation. As fazendas visitadas demonstraram atenção ao conforto térmico, à área disponível por animal, à qualidade da cama, à ventilação, à iluminação e ao manejo diário das instalações.

No caso das propriedades que utilizam compost barn em sistema de cross ventilation, o manejo da cama aparece como ponto decisivo. A umidade elevada da região exige revolvimento frequente, controle da compostagem e atenção ao volume de dejetos produzido por vacas de alta produtividade. Em algumas fazendas, a área por animal é superior à média usual, justamente para manter o ambiente mais seco, confortável e adequado ao desempenho do rebanho.

A tecnologia foi outro eixo central da rota. Foram observadas fazendas com ordenha em carrossel, fossos de grande capacidade, robôs de ordenha, monitoramento por colares, câmeras para avaliação de claudicação e escore corporal, sistemas automatizados de fornecimento individual de concentrado e tecnologias acopladas à ordenhadeira para controle de pressão nas teteiras e aplicação de pós-dipping.


Foto: Bela Magrela

Em algumas propriedades, a expansão da produção já vai além da construção de novas salas de ordenha convencionais. O uso de robôs de ordenha aparece como alternativa para viabilizar o crescimento do número de vacas ordenhadas, reduzir gargalos operacionais e melhorar o controle individual dos bovinos. Esse movimento foi observado em fazendas que já operam com robôs e em outras que planejam os próximos galpões considerando a adoção dessa tecnologia.

A integração entre leite e agricultura também se destacou. A produção de silagem de milho, grão úmido, pré-secado e outras fontes de volumoso é tratada como base estratégica da atividade. Em algumas propriedades, a eficiência agrícola chega a níveis elevados, com produtividades expressivas de silagem por hectare e uso planejado de culturas de inverno, como a cevada, além de alternativas para áreas onde a safrinha é mais desafiadora.

O uso de DDG na dieta apareceu com mais frequência nas fazendas paranaenses do que nas rotas anteriores. Além disso, foram observadas estratégias nutricionais voltadas às vacas de alta produção, com uso de gordura protegida, fontes de proteína bypass, fornecimento individualizado de concentrado e ajustes baseados na produção, no escore corporal e na fase de lactação.


Foto: Bela Magrela

A gestão de dejetos foi outro ponto comum entre as propriedades. Sistemas de separação de sólidos, recuperação de areia, reutilização de fibra como cama, reaproveitamento de água, fertirrigação e biodigestores fazem parte da rotina de algumas fazendas.

Além do aproveitamento energético, os dejetos são vistos como ferramenta importante para a agricultura. A fração líquida é direcionada principalmente para áreas de forragem, visando à maior produção e ao melhor aproveitamento da cultura ao longo do ano. Essa integração reforça a lógica de sistemas mais circulares, nos quais leite, lavoura, energia e fertilidade do solo estão conectados.

Outro tema observado na rota foi o avanço do beef on dairy. Algumas propriedades já inseminam vacas de menor valor genético com raças de corte, como Angus, buscando gerar bovinos mais valorizados que os machos holandeses tradicionais. Embora a cadeia ainda esteja em fase de estruturação no Brasil, a prática já aparece como uma alternativa para agregar valor aos bovinos oriundos de rebanhos leiteiros.


Foto: Bela Magrela

A rota paranaense também evidenciou a importância da gestão empresarial na atividade. Algumas propriedades são conduzidas com forte controle de dados, planejamento de expansão, sucessão familiar estruturada e equipes técnicas capacitadas. Em alguns casos, a produção de leite faz parte de grupos maiores, integrados à agricultura, à suinocultura ou a outras atividades, exigindo acompanhamento preciso de custos, indicadores e retorno sobre os investimentos.

Com a conclusão das visitas no Paraná, o Ordenha Brasil encerra sua etapa de campo após percorrer três importantes regiões produtoras de leite do país. A equipe técnica da Scot Consultoria reunirá agora as informações levantadas nos três estados para analisar os diferentes modelos produtivos, estratégias de expansão, gargalos e tendências observadas nas fazendas visitadas.

Encontro em Castro


Foto: Bela Magrela

O encerramento da rota foi marcado também por um evento em Castro (PR), voltado aos pecuaristas visitados durante a pesquisa expedicionária na região e convidados. O encontro exclusivo reuniu cerca de 40 participantes para uma rodada de palestras e um jantar de confraternização.

Com o objetivo de apresentar um panorama do que foi visto em campo, o professor titular do Departamento de Zootecnia, da Escola de Veterinária e Zootecnia, da Universidade Federal de Goiás (UFG), Milton Luiz Moreira Lima ministrou a palestra “O que a expedição viu no campo: análise técnica das propriedades visitadas, desafios e boas práticas observadas”. O público teve a oportunidade de conhecer, em primeira mão, alguns dos principais dados levantados e o ponto de vista da academia sobre a atividade leiteira nas regiões visitadas pelos expedicionários da Scot Consultoria.

Durante o evento, uma visão sobre o mercado do leite também foi apresentada pela zootecnista e analista de mercado, Juliana Pila, com o tema “Mercado do leite, cenário global, Brasil e perspectivas regionais”. Além disso, foram realizadas duas palestras ministradas pelos nossos parceiros e coorganizadores do projeto: “Recentes avanços no uso de HPDDG como estratégia nutricional para vacas leiteiras de alta produção”, e “O legado do ouro branco: a evolução integrada da produção, sanidade, bem-estar animal e valor na pecuária leiteira”. Após as apresentações, houve um debate entre os participantes em uma sessão de perguntas e respostas.

Próximo encontro

Os pecuaristas visitados em Goiás e Minas Gerais, também terão a oportunidade de participar do encontro exclusivo, em Patos de Minas, com data marcada para 8 de julho.

Acompanhe o perfil da expedição no Instagram.

Estão conosco na estrada:

Coorganização:

FS Fueling Sustainability

MSD Saúde Animal

Patrocinador:

Casale

Montadora:

Ford

Agência Responsável:

Bela Magrela

<< Notícia Anterior
Buscar

Newsletter diária

Receba nossos relatórios diários e gratuitos

Assine nossa newsletter

Loja