Pesquisa expedicionária, Ordenha Brasil, percorreu propriedades leiteiras em diferentes regiões do estado.
Foto: Bela Magrela
A rota goiana da Ordenha Brasil, nova pesquisa expedicionária da Scot Consultoria voltada ao mapeamento da pecuária leiteira, revelou um setor cada vez mais profissionalizado e diverso. Ao longo das visitas realizadas em diferentes regiões de Goiás, a equipe observou sistemas produtivos que vão desde modelos intensivos até propriedades que adotam conceitos inspirados na produção leiteira da Nova Zelândia, sempre com foco em eficiência, gestão e sustentabilidade.
A campo, participaram das visitas o médico-veterinário e coordenador de pesquisas expedicionárias da Scot Consultoria, Diego Rossin, a zootecnista e analista de mercado, Juliana Pila e a médica-veterinária e técnica de pesquisas expedicionárias, Lívia Sennyey. Além da equipe da Scot, durante a semana, o professor Milton Lima, da Universidade Federal de Goiás, esteve presente, enriquecendo as visitas com conteúdo técnico.
Entre as propriedades visitadas esteve a Fazenda Ponte Alta, em Goiás Velho. A história da propriedade é marcada por crescimento e dedicação à atividade leiteira. O que começou há cerca de 40 anos, com apenas 12 vacas, tornou-se uma fazenda referência na produção de leite. Trabalhando com sistema compost barn, a propriedade tem como principal pilar a saúde e o bem-estar dos animais, fatores que contribuem diretamente para a produtividade e a eficiência do sistema. Além da atividade leiteira, a propriedade também comercializa novilhas e reaproveita integralmente os dejetos na agricultura, utilizando tanto a fração sólida quanto a líquida como fertilizante.

Foto: Bela Magrela
Na Fazenda Santa Rosa, em Caturaí, a evolução da produção chamou atenção. Em poucos anos, a propriedade passou por uma grande evolução na produção e segue investindo no crescimento da atividade. A estrutura conta com uma ordenha operando 24 horas por dia, e esse é um dos investimentos em andamento: a construção de uma nova sala de ordenha para aumentar sua capacidade produtiva.

Foto: Bela Magrela
Já na Fazenda Céu Azul, em Silvânia, a equipe encontrou uma operação organizada, onde a atividade leiteira é conduzida com uma visão empresarial, com uma divisão operacional por setores, cada um deles com lideranças responsáveis. A propriedade planeja, nos próximos anos, ampliar a especialização das atividades, separando as áreas dedicadas à recria e à produção de leite.

Foto: Bela Magrela
Também em Silvânia, o Grupo Kiwi apresenta um modelo bastante distinto dos demais. Inspirado no sistema neozelandês de produção leiteira, adaptado às condições brasileiras, o rebanho é manejado predominantemente a pasto, com suplementação estratégica e foco em maximizar a produção por hectare. A genética utilizada prioriza animais Kiwi Cross, resultado do cruzamento das raças Holandesa e Jersey. Durante a visita, a equipe conheceu de perto o manejo baseado em piquetes rotacionados e pastagens irrigadas por pivô central, que garantem a oferta de forragem ao longo do ano. O rebanho permanece em pastejo e recebe suplementação estratégica de acordo com as necessidades nutricionais das vacas.

Foto: Bela Magrela
Em Orizona, duas propriedades demonstraram diferentes caminhos de crescimento da atividade. A Fazenda Santo Inácio mantém uma trajetória familiar iniciada na década de 1980, quando realizava entregas de apenas 37,0 litros de leite por dia. Com o privilégio de vivenciar a sucessão familiar, a fazenda mantém vivo o legado construído pelas gerações anteriores, ao mesmo tempo em que se prepara para os desafios e oportunidades do futuro.

Foto: Bela Magrela
Também em Orizona, a Fazenda VR se destaca pela escalada produtiva e pelos investimentos realizados nos últimos anos. Após a implantação do compost barn, em 2018, a produtividade média das vacas aumentou significativamente. A fazenda segue em expansão, embora enfrente desafios relacionados ao fornecimento de energia elétrica, considerado um dos principais gargalos para novos investimentos.

Foto: Bela Magrela
Na Fazenda Boa Vista, em Caraíba, a gestão zootécnica e econômica se destaca pelo controle detalhado dos indicadores produtivos. A propriedade trabalha com metas de peso para diferentes categorias animais, monitoramento de escore corporal, uso de biodigestor e automação em instalações do tipo compost barn, incluindo robôs para manejo da alimentação. A fazenda também se destaca pela gestão à vista, com processos bem definidos e indicadores acompanhados de forma transparente.

Foto: Bela Magrela
Em Luziânia, na Agropecuária Palma, o destaque foi a integração de diferentes modelos de produção dentro da mesma operação. O rebanho é manejado em dois sistemas distintos, a pasto e em free stall, permitindo explorar diferentes estratégias produtivas. Outro diferencial é a verticalização da atividade. Além da produção de leite, a Agropecuária Palma conta com laticínio próprio, agregando valor à produção por meio da comercialização de leite e derivados.

Foto: Bela Magrela
A rota foi concluída na Fazenda Figueiredo, em Cristalina, onde a sustentabilidade é um dos pilares da propriedade e está presente em diferentes etapas da produção. Um dos grandes destaques é a autossuficiência energética: a fazenda produz toda a energia que consome, reduzindo a dependência da rede elétrica e aumentando a eficiência da operação.
Apesar das diferenças entre os sistemas observados, alguns pontos foram comuns entre as propriedades visitadas: o uso crescente de tecnologias de monitoramento, a valorização da gestão de dados, os investimentos em bem-estar animal, a preocupação com o destino dos dejetos e a busca por maior eficiência produtiva apareceram de forma recorrente ao longo da rota.
Outro tema frequentemente citado pelos produtores foi a necessidade de maior previsibilidade para a atividade leiteira. Em sistemas cada vez mais profissionalizados e dependentes de investimentos constantes, a definição de estratégias de longo prazo passa diretamente pela capacidade de projetar receitas e margens com maior segurança.
As observações realizadas em Goiás passam agora a integrar a base de informações da Ordenha Brasil, pesquisa expedicionária que percorrerá diferentes regiões do país para retratar a diversidade dos sistemas produtivos, identificar tendências e compreender os desafios e oportunidades da pecuária leiteira brasileira.
Acompanhe o perfil da expedição no Instagram.
Estão conosco na estrada:
Coorganização:
Patrocinador:
Montadora:
Agência Responsável:
<< Notícia Anterior Próxima Notícia >>
Receba nossos relatórios diários e gratuitos