A demanda internacional pela carne bovina brasileira segue aquecida, com destaque para as compras da China. O movimento ganhou força diante das incertezas sobre as cotas de importação chinesas.
A demanda internacional pela carne bovina brasileira segue aquecida, com destaque para as compras da China. O movimento ganhou força diante das incertezas sobre as cotas de importação chinesas.
Em entrevista ao Agricultura BR, do Canal do Boi, o analista da Scot Consultoria, Gustavo Duprat, destacou que o Brasil exportou 141,3 mil toneladas de carne bovina in natura até o 10º dia útil de maio. O volume equivale a 65,0% do total embarcado em maio de 2025, quando foram exportadas 218,0 mil toneladas.
O faturamento também avançou em ritmo forte. No mesmo período, a receita com os embarques já somava 81,0% do valor registrado em maio de 2025.
No mercado interno, maio trouxe pressão sobre a arroba do boi gordo. As escalas de abate ficaram mais confortáveis, a oferta de animais aumentou e o consumo perdeu força na segunda quinzena. Com isso, as cotações do boi, gordo da vaca e da novilha recuaram em São Paulo.
Apesar da pressão no curto prazo, alguns fatores indicam um cenário menos negativo para os próximos meses. A expectativa é de oferta mais restrita, diante da retenção de fêmeas e da menor disponibilidade de animais de reposição.
O mercado acompanha as conversas entre representantes dos governos brasileiro, australiano e chinês sobre uma possível flexibilização das cotas de importação da China. Até o momento, porém, não há definição.
Do lado da oferta, os dados do IBGE ajudam a explicar o comportamento recente dos preços. No primeiro trimestre de 2026, o abate de bovinos sob algum tipo de inspeção sanitária somou 10,3 milhões de cabeças. O volume foi 3,3% maior que o registrado no primeiro trimestre de 2025, mas ficou 6,8% abaixo do observado no quarto trimestre de 2025.
O analista da Scot Consultoria destaca que apesar do aumento anual no total de abates, os abates em estabelecimentos com inspeção federal caíram 1,3% no período. Isso indica que a alta foi puxada pelos sistemas estaduais e municipais de inspeção. Como esses estabelecimentos tendem a atender o mercado doméstico, os números sugerem uma demanda interna mais aquecida por carne bovina no primeiro trimestre.
O mercado externo segue firme, mas o ritmo das cotações dependerá do comportamento do consumo e da oferta no mercado interno.
Para saber mais, assista à entrevista completa no Canal do Boi.
Matéria originalmente publicada em: Demanda externa segue firme, mas mercado interno pressiona a arroba
<< Notícia AnteriorReceba nossos relatórios diários e gratuitos