Correção sazonal, consumo interno fragilizado e incertezas com a China explicam recuo, enquanto oferta limitada sustenta viés de alta no ano.
O mercado do boi gordo no Brasil iniciou maio sob pressão de baixa, após um mês de abril marcado por recordes nominais nas cotações em diversas praças pecuárias. Segundo Felipe Fabre, o movimento de recuo já era esperado e está alinhado ao comportamento sazonal típico do período, especialmente após uma primeira quinzena firme e com forte ritmo de comercialização por parte dos pecuaristas.
Entre os principais fatores de pressão estão o aumento pontual da oferta, favorecido por condições climáticas menos favoráveis em algumas regiões do Centro-Oeste, e a maior capacidade da indústria em alongar suas escalas de abate. Além disso, o mercado doméstico tem mostrado limitações na absorção de preços mais elevados, com o consumo pressionado pelo alto nível de endividamento das famílias e pela concorrência com proteínas mais acessíveis, como frango e suíno. Esse cenário também impacta o atacado, reduzindo a sustentação das cotações da carne bovina.
No mercado externo, apesar do bom desempenho das exportações, há incertezas relacionadas à cota chinesa, especialmente quanto ao ritmo de preenchimento ao longo de maio. Ainda assim, a diversificação dos destinos — com destaque para Estados Unidos, Chile, Rússia e países do Sudeste Asiático — tem contribuído para manter a demanda internacional aquecida. Paralelamente, o mercado futuro já precifica um movimento de queda mais acentuado até agosto, refletindo o período de transição para a entressafra do capim.
Apesar da pressão de curto prazo, a avaliação predominante é de que os fundamentos seguem construtivos para o restante de 2026. A oferta de animais tende a ser mais cadenciada em comparação ao ano anterior, limitando quedas mais intensas. Nesse contexto, ajustes negativos devem ocorrer de forma pontual, mas o viés estrutural permanece positivo, com maior sustentação do que pressão baixista ao longo do ano.
Matéria originalmente publicada em: Mercado do boi gordo pressionado e em alerta quanto as influências do clima nas pastagens
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