Diante da menor oferta de fêmeas no mercado, o entendimento da Scot Consultoria é de sustentação nos preços da arroba, com potencial para altas.
Foto por: ACNB
A expectativa é que 2026 seja um ano de menor participação de fêmeas nos abates. “Esse movimento deve começar já nesse primeiro semestre”, explica Felipe Fabbri, consultor de mercado da Scot Consultoria. O cenário resulta da mudança de ciclo na pecuária, após quatro anos de uma oferta ampliada da categoria por causa dos preços baixos na reposição.
“O mercado passou a ter mais oferta de bezerros e os preços da reposição ficaram pouco atrativos. Isso estimulou a venda de fêmeas. Em 2026, o contexto começa a mudar”, complementa. As cotações do bezerro, segundo Fabbri, estão em patamares máximos em diversas regiões do país.
Diante da menor oferta de fêmeas no mercado, o entendimento da consultoria é de sustentação nos preços da arroba, com potencial para altas.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta que as exportações brasileiras de carne bovina devem cair entre 5% e 5,5%. O volume embarcado, no entanto, seria o segundo maior da história. Nesse contexto, o comércio internacional da proteína segue como fator relevante na formação dos preços da arroba.
Segundo Fabbri, apesar da perspectiva de queda das vendas, os preços mais altos para exportação devem compensar. “Há uma conjuntura internacional que beneficia o Brasil. Os Estados Unidos enfrentam uma crise de produção e outros mercados têm preços elevados para a carne bovina”, afirma.
Com menos boiadas disponíveis e uma exportação ainda robusta, a oferta interna fica mais ajustada. Porém, do lado do consumo, o consultor vê o cenário com otimismo, uma vez que há a expectativa de mais renda circulando na economia.
“Tem eleição, tem Copa do Mundo, houve isenção de imposto para quem ganha até R$ 5 mil. De forma artificial, essa renda maior deve chegar ao consumidor”, observa.
Dentro do calendário pecuário, a presença maior de fêmeas nos abates se concentra no primeiro semestre. “Isso acontece porque a estação de monta, que é o período reprodutivo nas fazendas, acontece entre setembro e fevereiro do ano seguinte”, ressalta Fabbri. O descarte de vacas vazias, nesse sentido, costuma acontecer neste período.
Com a virada no ciclo pecuário, contudo, a tendência é que os pecuaristas mantenham as fêmeas por mais tempo a pasto. O especialista reforça que o movimento deve impactar os preços do boi gordo já no primeiro semestre do ano, limitando a possibilidade de quedas na arroba.
Nesse cenário, a combinação entre menor oferta de animais para abate e uma demanda ainda firme tende a manter o mercado do boi gordo mais ajustado ao longo de 2026. “A carne bovina pode colaborar para a manutenção da arroba nos patamares atuais, com potencial de alta no segundo semestre, quando se concentra maior disponibilidade de renda e menor oferta no mercado brasileiro”, conclui.
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