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Scot Consultoria

Agro cresce em meio à crise


Segunda-feira, 4 de outubro de 2021 - 09h00

Foto: Uol economia


O PIB do agronegócio cresceu 9,81% no primeiro semestre deste ano, mantendo o forte ritmo do setor, apesar de os altos custos nas fazendas e a quebra de produção gerada por problemas climáticos terem freado um crescimento ainda mais robusto.


Os números são do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Agrícola), da Esalq/USP, em conjunto com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).


A participação do agronegócio no PIB do Brasil subirá de 26,6% em 2020 para 30% neste ano, segundo expectativas de analistas, gerando receitas de R$ 2,6 trilhões, um recorde.


Mas o que explica esse desempenho, que deixa otimistas os produtores e a agroindústria? São vários fatores, como a disparada do dólar, a alta dos commodities e o aumento da produtividade. Saiba mais abaixo e veja se ventos devem continuar bons para o agronegócio.


Exportações de carne, soja, algodão, açúcar e milho

A agroindústria pecuária recuou 2,18% no primeiro semestre, influenciada principalmente pelo gasto com insumos e matérias primas, cujas altas não foram repassadas aos consumidores, e também devido à escassez de bois para abate.


Apesar disso, o Brasil faturou US$ 3,51 bilhões nos primeiros seis meses do ano com carne bovina, ou 1,9% acima de igual período no ano passado. O país é hoje o primeiro exportador de carne no mundo e tem o maior rebanho comercial.


Analistas avaliam que mesmo com os embarques à China suspensos por causa de dois casos atípicos de vaca louca, ou seja, não relacionados à ingestão de alimentos contaminados pelos animais, as exportações seguem em ritmo intenso rumo a outros países.


A cotação da arroba, que chegou a ultrapassar R$ 315 e R$ 320 neste ano, se mantinha um pouco acima dos R$ 300, valor que agrada o produtor.


Soja pode superar recorde de 2020

Já o segmento agrícola compensou largamente e cresceu 14,46%, impulsionado fortemente pelas exportações em alta de soja, algodão, açúcar e milho.


A soja, carro-chefe dos negócios, faturou US$ 25,6 bilhões no primeiro semestre, enquanto o volume totalizou 58 milhões de toneladas, 1,1% acima da quantidade embarcada em igual período de 2020, segundo Hyberville Neto, consultor de mercado da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP).


Representantes do setor dizem acreditar que o país pode superar o recorde exportado no ano passado, quando enviou ao exterior 82,8 milhões de toneladas.


Dólar e China devem seguir puxando o agro

Hyberville projeta um cenário positivo para a balança comercial neste ano, o saldo entre exportações e importações. Ele diz que, além do complexo da soja (commodities, farelo etc), espera-se crescimento das exportações de açúcar, algodão e de carnes suína e bovina.


Somente as exportações de algodão cresceram mais de 19% no ano-safra 2020/2021, em relação a 2019/2020.


Até julho, o Brasil registrou exportações de 1,18 milhão de toneladas da pluma, alta de 29,8% na comparação com o mesmo período de 2020, informa a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).


O dólar, cuja disparada foi favorável às exportações no primeiro semestre, não deve ficar abaixo de R$ 5 até o final do ano, sustentando a alta dos preços, apesar de os custos também seguirem em ascensão, prevê o analista da Scot.


China

A China continua sendo o principal destino do agronegócio brasileiro, com cerca de 40% do total de exportações do setor, em valor. Hyberville diz não acreditar que o país asiático reduza sua demanda por commodities e carnes, apesar de o problema com a gigante imobiliária chinesa Evergrande ter derrubado as Bolsas de todo o mundo na segunda quinzena de setembro, incluindo o Ibovespa.


Tudo indica, porém, que alguns produtos irão enfrentar a concorrência da produção interna chinesa, caso da carne suína.


No mercado interno, com desemprego alto e renda das famílias em baixa contínua, o analista diz que houve queda no consumo e troca de alimentos nas mesas. Caso da carne bovina, substituída pela de frango e também por ovos, mais baratos.


Diversidade de produtos impulsiona

Eduardo Daher, diretor-executivo da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), diz que a diversidade de produtos agropecuários produzidos nas fazendas do país e a vasta opção de mercados internacionais dão segurança e aceleram o crescimento do agronegócio.


"A demanda mundial por alimentos subiu e vai crescer mais. E o Brasil consegue suprir os mercados interno e externo."
Eduardo Daher, diretor-executivo da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio)


Além disso, nos últimos anos, houve acesso a tecnologias de ponta que propiciaram um salto na produção e produtividade das lavouras e nas fazendas de pecuária.


No ano passado, entre os dez produtos mais exportados, estavam soja, celulose, milho, carne bovina, carne de frango, farelo de soja e açúcar. "A soja tem trazido mais dinheiro do que o minério de ferro", diz Daher.


O executivo diz que está otimista em relação a este ano e à temporada 2022.


Mas alerta para fatores difíceis de controlar, como os climáticos —a geada prejudicou o café—, o calor excessivo e a crise hídrica. O dólar também é importante, porque insumos como defensivos são importados.


"O cenário para o agronegócio deve continuar promissor, mas não podemos dormir tranquilos demais."
Eduardo Daher, diretor-executivo da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio)


Notícia originalmente publicada em: Agro cresce em meio à crise



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