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Scot Consultoria

Relatório do webinar “Foodtech opportunities in Brazil”


Quinta-feira, 8 de julho de 2021 - 14h00

Foto: Unsplash


A equipe da Scot Consultoria participou do webinar “Foodtech opportunities in Brazil” realizada pela Low Carbon and Circular Economy Business Action em parceria com a Embrapa, em 30 de junho de 2021.


O evento contou com especialistas brasileiros no assunto e com a participação de organizações internacionais.  Foi mediado pela pesquisadora Ana Paula Dias Turetta, da EMBRAPA Solos.


Os palestrantes foram:


 · Miguel Angel Castro-Riberos, assessor econômico, Delegação da União Europeia no Brasil;


 · Marco Foschini, gerente, Clust-ER Agrifood Emilia-Romagna, Itália;


· Gianfranco Giannerini, senior expert, Agronica Group, Itália;


· Pedro Ubeda, diretor do Low Carbon and Circular Economy Business Action, Brasil;


· Dr. Davi José Bungenstab, pesquisador na área de sustentabilidade e eficiência de sistemas da Embrapa Gado de Corte em Campo Grande-MS, Brasil;


 · Nina Von Lachmann, analista técnica, Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Brasil;


 · Rafaela Lenz, CEO NUU Alimentos, Brasil;


· Maurício Cótica, sócio diretor Sebigas Cótica, Brasil;


· Alexandre Berndt, chefe adjunto de pesquisa e desenvolvimento da EMBRAPA, Brasil.


Os objetivos do webinar foram demonstrar casos práticos em que foram possíveis aliar a produção agrícola a benefícios socioambientais, demonstrar quem são os principais interessados na transição da indústria alimentar para a economia de baixo carbono, assim como ilustrar as tendências de mercados e oportunidades de negócios de fornecedores de tecnologias europeias.


Pacto Verde Europeu

O Pacto Verde Europeu (European Green Deal) é um conjunto de políticas e estratégias articuladas pela Comissão Europeia para conter a ameaça do aquecimento global. O Pacto foi criado em 11 de dezembro de 2019. Foi uma resposta à emergência climática e ambiental.


A meta do Pacto Verde Europeu é ambiciosa: zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050. A União Europeia, como maior importadora e exportadora de produtos agroalimentares do mundo, serviria de exemplo para a transição de um sistema de produção de alimentos mais sustentáveis e, para isso, precisa de parceiras.


Nesse sentido, foi criado o programa de Ação Empresarial de Baixo Carbono e Economia Circular (Low Carbon and Circular Economy Business Action - LCBA) financiado pela União Europeia e tem por objetivo facilitar a comercialização de tecnologias verdes de baixo carbono para pequenas e médias empresas na Europa e pequenas empresas na Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia e México, em setores de alto impacto sustentável. Teve início em setembro de 2020 e prazo de encerramento em setembro de 2023.


O programa envolve não somente a produção de alimentos, mas diversas áreas tecnológicas, como eficiência energética em indústrias e edifícios, transporte, cogeração de energia, energia solar, eólica e hidrelétrica, biomassa, biogás e biometano, biodiesel, agricultura de baixo carbono, agricultura inteligente e de precisão, entre outros.


O apoio da LCBA consiste em três bases:


· Screening tecnológico: consiste no entendimento da demanda tecnológica/projeto do solicitante por meio de um cadastro (Registration in the LCBA Platform) e identificação da melhor solução/parceiro tecnológico europeu, no qual a busca é realizada por meio dos Clust-ers (será abordada adiante);


· Assistência técnica: é realizada a análise de viabilidade técnica e financeira do projeto, incluindo a avaliação do impacto ambiental, otimização do processo de importação de produto ou equipamento que possa ser necessário, treinamento técnico;


· Funding: apesar da LCBA não financiar esses projetos, eles atuam como facilitadores na busca de linha de financiamento adequada para cada projeto. Com assessoria gratuita para acessar linhas de financiamento, seus parceiros contam com mais de 450 linhas de crédito disponíveis, bancos, agências de créditos e mais de 60 investidores.


Clust-ER Agrifood Emilia-Romagna, Itália

O sistema de inovação, desenvolvimento e tecnologia na região da Emilia-Romagna na Itália, tem sido aprimorado por meio do Clust-er AgriFood. Esse projeto envolve a participação de comunidades públicas e privadas, incluindo 81 laboratórios de pesquisa, 14 centros de inovações, 10 tecnopólos, sem fim lucrativos, ativas desde 2018, e tem como objetivo, o compartilhamento de técnicas, ideias e recursos para manter a competitividade do setor.


Um exemplo explorado para o aumento da produtividade de modo sustentável foi por meio da utilização da agricultura de precisão. Nesse sistema, a tecnologia permite o gerenciamento da produção com ações integradas. A tecnologia inclui desde maquinários, sensores, drones que coletam dados, monitoramento das plantações em ações integradas por meio de uma plataforma de modo a otimizar a produção com esse gerenciamento mais preciso quanto a utilização dos recursos.


Embrapa

A Embrapa apresentou marcas conceitos: a carne carbono neutro (2012), a carne baixo carbono (2018) e o carbono nativo (2019), sendo que os dois primeiros já estão disponíveis no mercado e o último está em desenvolvimento.


A carne carbono neutro, como o nome diz, neutraliza as emissões do CO2 emitidas na produção do gado, por meio da integração silvipastoril; o desenvolvimento se deu de 2012 a 2020. Já a carne baixo carbono reúne tecnologias de conservação de solo, sistema de plantio direto, recuperação de pastagens degradas e integração lavoura-pecuária-floresta e teve seu desenvolvimento no período de 2018 a 2021. Por fim, o carbono nativo consiste na certificação da produção de carne produzida em pastagens arborizadas com espécimes nativos, diferentemente dos outros sistemas que aceitam árvores não nativas.


Outros projetos em desenvolvimento são: bezerro carbono neutro, couro carbono neutro, café carbono neutro, soja baixo carbono, leite baixo carbono e cacau carbono neutro.


Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) é uma associação civil criada em 1997, sem fins lucrativos, que tem por objetivo a promoção do desenvolvimento sustentável por meio da articulação dos governos e a sociedade civil, além da divulgação dos conceitos e práticas sobre o tema. Atualmente, estão associadas 73 empresas de diversos setores econômicos.


O trabalho da CEBDS é subdivido por câmaras temáticas (fóruns, nos quais as empresas associadas se reúnem para discutir problemas comuns na gestão de sustentabilidade), sendo os cinco principais: biodiversidade e biotecnologia; finanças sustentáveis; água; impacto social; energia e mudança de clima. Os sistemas alimentares, apesar de não serem uma das câmaras temáticas, têm crescido e se destacado, contando com a participação de 29 empresas.


Para exemplificar casos de empresas adeptas das causas socioambientais e que são bem-sucedidas, foi citada a Nuu, uma produtora de pão de queijo. Além de deterem o título de primeira na produção de pão de queijo carbono neutro do Brasil, a empresa assumiu a liderança na agenda de alimentos de baixo carbono no Brasil.


Outro exemplo foi a Cótiga, um grupo familiar atuante em engenharia, energia renovável e no agronegócio. A empresa tem tecnologia aplicada em plantas industriais de biogás e produção de biocombustíveis que operam integrados na fazenda para atingir as metas de descarbonização da pecuária.  


Carbon Free Farm

Com o intuito de intensificar a produção pecuária, com aumento da descarbonização, surgiu o conceito da carbon free farm, que representa sistema de produção local, integrado, circular e certificável. Por exemplo, em uma fazenda que produza milho, é possível produzir etanol e coprodutos do milho, que podem ser consumidos por animais confinados. Os dejetos desses animais podem gerar biogás, energia e fertilizante, que pode ser utilizado nas plantações de milho, fechando o ciclo. Dessa forma, é possível aumentar a eficiência e zerar as emissões da pecuária intensiva.


O último exemplo de caso apresentado no evento foi a Nestlé, que pretende atingir a emissão líquida de carbono zero até 2050. A empresa realizou uma parceria com a Embrapa Pecuária Sudeste, que tem realizado pesquisas na pecuária leiteira com o objetivo de mitigação de emissão de gases de efeito estufa. Alguns resultados foram apresentados:


· Há uma menor emissão de CH4 de vacas cruzadas (Jersey x Holandesa) em relação a vacas Holandesas;


· Quando comparada a um sistema de produção extensivo e intensivo, a intensificação resulta em uma maior emissão de CH4 por área devido a maior utilização de adubos, eventual uso de irrigação e de mais ração. Contudo, quando a emissão é diluída proporcionalmente com a produção de leite, a tendência é que a emissão seja maior na produção extensiva.


Considerações finais

Todas as palestras demonstraram que o desafio de um mundo sustentável é grande, porém possível, com muitas possibilidades, e responsabilidade de todos. O compartilhamento de tecnologias, conhecimentos e ideias é o caminho para atingir esse objetivo.


Outra lição que fica é que é importante a participação de todos, sejam empresas públicas ou privadas, instituições de pesquisas ou bancos, órgãos governamentais ou a sociedade civil. É necessária a colaboração e a parceria de todos.





O Confina Brasil, expedição que promove o levantamento de dados da pecuária intensiva, já está na estrada. A meta em 2021 é mapear 40% do gado confinado no país. Siga o @confinabrasil no Instagram e acesse confinabrasil.com para acompanhar a expedição.


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