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Scot Consultoria

Sistema silvipastoril (Integração Pecuária Floresta) utilizado na ovinocultura extensiva


Quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021 - 14h30

Foto: Freepik/Shutterstock

 


Introdução

O rebanho mundial de ovinos está estimado em 1,1 bilhão de cabeças (Embrapa¹, 2016) e, desse total, cerca de 65 milhões estão na América do Sul.


De acordo com dados do IBGE², o Brasil detém 19,7 milhões de cabeças, o que representa 30,3% do rebanho continental.


Em 2018, 66,7% do rebanho ovino brasileiro se concentrava no Nordeste, 21,2% no Sul, 5,4% no Centro-Oeste, 3,5% no Norte e 3,2% no Sudeste (Embrapa).


A predominância numérica no Nordeste se justifica pela adaptação dos ovinos às condições climáticas do semiárido e à tradição da região de criação e consumo.


O rebanho nordestino cresceu 4,8% em 2018 (Embrapa), em relação ao ano anterior, e nos últimos anos tem mostrado uma tendência positiva de crescimento.


Um sistema já conhecido e que vem sendo implantado na atividade nessa região, assim como em outras regiões do país, por sua boa aplicabilidade, é o sistema silvipastoril, ou Integração Pecuária Floresta (IPF).


Esse sistema integra os animais em pastejo e espécies arbóreas e gramíneas em consórcio, na mesma unidade de solo, visando aumentar a sustentabilidade pelo maior equilíbrio dos sistemas de produção.


É geralmente utilizado no Brasil em regiões com dificuldade de implantação de lavouras, em função da má distribuição de chuvas, infraestrutura e logística adequadas. Na América do Sul, é comumente utilizado na produção de ovinos especialmente nos sistemas em que as árvores e arbustos destinam-se à alimentação dos animais.


Premissas

A criação de ovinos com árvores dispersas na pastagem, árvores em divisas e em barreiras de quebra-ventos, pode reduzir a erosão, melhorar a conservação da água, reduzir a necessidade de fertilizantes minerais, capturar e fixar carbono e melhorar o conforto dos animais, já que reduz o estresse térmico (Embrapa).


A seleção da espécie forrageira deve considerar o conjunto de características que ela apresenta, como boa capacidade produtiva, adaptação ao manejo e ambientação às condições edafoclimáticas da região.


O capim massai (Panicum maximum × Panicum infestum cv. Massai) é uma boa opção em sistemas com nível de 75% de sombreamento (Vieira et al., 2013). O amendoim forrageiro (Arachis pintoi), a centrosema (Centrosema pudescens), o calopogônio (Calopogonium mucunoides) e a pueraria (Pueraria phaseoloides) também são boas indicações.


As espécies arbóreas mais utilizadas são a leucena (Leucaena leucocephala) e a gliricidia (Gliricidia sepium) e as arbustivas são o guandu (Cajanus cajan) e a cratília (Cratylia argentea), mas existem inúmeras outras que podem ser utilizadas.


É importante salientar que o sombreamento excessivo das gramíneas forrageiras pode diminuir a produção de matéria seca. Podas e raleamento (desbaste) das árvores são indicadas e podem inclusive gerar renda direta (venda de escoras, postes) ou indireta (uso na propriedade rural). Entretanto, o cuidado também se aplica às espécies de copa rala e folhas delgadas.


Avaliando os objetivos

O delineamento do sistema envolve a definição do número de árvores a ser plantado; a escolha correta das espécies, nos locais onde trarão maior resultado. É um processo que visa maximizar os benefícios.


É preciso identificar a principal razão que leva o produtor a plantar as árvores – diversificação da produção e aumento da resiliência da propriedade, aumento da produtividade pela proteção das pastagens ou produção de alimento na seca, proteção de recursos naturais da erosão ou dos ventos dessecantes ou conservação da biodiversidade.


Consideração final

Ao utilizar o componente arbóreo na forragem a ser consumida pelo rebanho diminui-se o impacto dos custos com suplementação, além de aumentar a disponibilidade e qualidade do alimento na época seca do ano.


As vantagens sinérgicas das interações entre os animais e as espécies arbóreas e gramíneas impactam sobre a produtividade, a eficiência e a renda do sistema.


Vale lembrar que a produção agropecuária deve ser realizada em Áreas de Uso Alternativo do Solo (AUA), ou seja, áreas fora da Área de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal (RL).


Referências

¹ Embrapa. https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/202493/1/CNPC-2019-Boletim-CI-n9.pdf
² IBGE. Pesquisa da pecuária municipal, 2019. https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/ppm/quadros/brasil/2019




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