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O que aconteceu com o aquecimento global?


Quarta-feira, 2 de dezembro de 2009 - 17h10

Traduzido por Lygia Pimentel

Esta manchete pode ser um pouco surpreendente, assim como o fato de o ano mais quente, em termos globais, não ter sido 2008 ou 2007, mas 1998.

Mas é verdade. Nos últimos 11 anos nós não observamos nenhum aumento das temperaturas globais.

E os nossos modelos climáticos não previram o fato, mesmo com o aumento contínuo do dióxido de carbono produzido pelo homem, gás apontado como responsável por aquecer o nosso planeta.

Então, o que está acontecendo?

Os céticos em relação ao aquecimento global, que apaixonadamente e consistentemente argumentam que a influência do homem em nosso clima é descrita com exagero, dizem que já sabiam.

Eles argumentam que existem ciclos naturais, sobre os quais não temos controle, que ditam o quão aquecido o planeta está. Mas é esta a evidência para tal fato?

Nas últimas décadas do século XX, nosso planeta se aqueceu rapidamente.

Os céticos dizem que o aquecimento observado ocorreu devido à energia do sol, que cresceu. Afinal, 98% do calor da terra é proveniente do sol.

Mas uma pesquisa realizada há dois anos e publicada pela Royal Society parece ter abolido nossas influências solares.

A principal abordagem dos cientistas foi simples: observar a emissão solar e a intensidade dos raios cósmicos nos últimos 30-40 anos e comparar tais tendências com o gráfico da temperatura média da superfície terrestre.

E os resultados foram claros. “O aquecimento dos últimos 20 a 40 anos não pode ter sido causado pela atividade solar”, disse o Dr. Piers Forster da Universidade Leeds, um dos principais contribuintes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)

Mas o cientista solar Piers Corbyn da Weatheraction, uma companhia especializada em previsões climáticas de longo alcance, discorda.

Ele afirma que as partículas solares carregadas nos impactam muito mais do quanto é aceito atualmente. Isto significa que elas são quase que inteiramente responsáveis pelo que acontece com as temperaturas globais.

Ele está tão animado com a descoberta que já planeja em contar à comunidade científica internacional em uma conferência em Londres no fim deste mês.

Se estiver certa, a descoberta poderá revolucionar toda a questão.

Ciclos oceânicos

O que está ocorrendo com os nossos oceanos neste momento é bastante interessante. Eles são os grandes estoques de calor da Terra.

“Nos últimos anos o Oceano Pacífico vem perdendo calor e recentemente começou a esfriar”

De acordo com uma pesquisa conduzida pelo Professor Don Easterbrook, da Western Washington University publicada em novembro último, os oceanos e as temperaturas globais estão correlacionadas.

Os oceanos, diz ele, têm um ciclo que os faz esquentar e esfriar ciclicamente. O mais importante deles é a oscilação do Pacífico a cada década (PDO).

Em uma boa parte dos anos 80 e 90, ele estava em um ciclo positivo, o que significa mais quente do que a média. E observações revelaram que as temperaturas globais estiveram altas também.

Mas nos últimos anos ele tem perdido seu calor e recentemente começou a esfriar.
No passado, esses ciclos duraram mais ou menos 30 anos.

Então as temperaturas globais podem seguir essa tendência? O resfriamento global de 1945 a 1977 coincidiu com um desses ciclos frios do Pacífico.

O Professor Easterbrook disse: “A fase fria da PDO substituiu a fase quente no Oceano Pacífico, assegurando que realmente haverá 30 anos de resfriamento global”.

Então o que tudo isso quer dizer? Os céticos a respeito da mudança climática dizem que existem evidências de que eles sempre estiveram certos.

Eles dizem que existem tantas outras causas naturais para o aquecimento e para o resfriamento e que, mesmo que o homem esteja aquecendo o planeta, é apenas uma parte pequena se comparada à natureza.

Mas esses cientistas que também se entusiasmam pela influência humana sobre o aquecimento global afirmam que a ciência deles é sólida.

O UK Met Office’s Hadley Centre, responsável por previsões climáticas, diz que incorpora a variação solar e os ciclos oceânicos em seus modelos climáticos e que eles não são uma grande novidade.

Na verdade, o UK Met Office’s Centre diz que, do total de fatores conhecidos, são apenas dois que influenciam as temperaturas globais – dentre aqueles que são levados em conta pelos seus modelos climáticos.

Para completar, dizem os cientistas do Met Office, as temperaturas nunca subiram em linha reta e sempre haverá períodos de aquecimento mais lento ou mesmo resfriamento temporário.

O que é crucial, dizem, é a tendência de longo-prazo para as temperaturas globais. E ela está claramente alta, de acordo com dados oficiais do Met.

Para tornar o assunto ainda mais confuso, no mês passado Mojib Latif, um membro do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) disse que nós devemos realmente estar em um período de resfriamento das temperaturas no mundo todo, que poderá durar outros 10-20 anos.

O Professor Latif tem como base o Instituto Leicniz de Ciências Marinhas da Universidade de Kiel, na Alemanha, e é um dos mais importantes criadores de modelos climáticos.

Mas ele deixa claro que não se tornou um cético; ele acredita que este resfriamento será temporário e que a força impressionante do aquecimento global provocado pelo homem se reafirmará.

Então, o que podemos esperar para os próximos anos?

Ambos os lados possuem previsões diferentes. O Met Office diz que o aquecimento está programado para ser retomado de maneira rápida e forte.

Também adianta que metade dos anos compreendidos entre 2010 e 2015 será mais quente do que o ano que bateu o recorde entre os mais quentes até hoje (1998).

Os céticos discordam. Eles insistem que é muito pouco provável que as temperaturas atinjam os estonteantes níveis de 1998 antes de 2030, no mínimo. É possível, dizem, que devido aos ciclos oceânico e solar, um período de resfriamento global é mais provável.

Uma coisa é certa. Parece que o debate sobre o que está causando o aquecimento global está longe de terminar. De fato, alguns diriam que está “esquentando”.

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