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Scot Consultoria

Crise movimentará fusões e aquisições


Segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009 - 09h28

A crise, que atrapalhou o fechamento de uma série de negócios amarrados no ano passado, será o motor do mercado de fusões e aquisições em 2009. “Essas operações voltaram a acontecer não porque a economia está crescendo, como até a alguns meses, mas porque está fraca”, afirma José Eduardo Queiróz, sócio do escritório de advocacia Mattos Filho. Com dinheiro em caixa, grupos como o Pão de Açúcar e o Cosan montaram estruturas especialmente para aproveitar as oportunidades que surjam, com empresas em dificuldades. Já quem teve problemas, como Votorantim, Sadia e Santelisa Vale, busca vender ativos e participação nos negócios. Além de vendas, os especialistas têm sido procurados também para renegociar dívidas, buscar sócios e investidores estratégicos e, em alguns casos extremos, vender ativos em função de recuperação judicial. “Algumas oportunidades de aquisição estão surgindo porque os ativos estão muito baratos, e as empresas, endividadas”, diz Mauro Guizeline, sócio do Tozzini, Freire. Os especialistas ressaltam que, em número e valores, as fusões e aquisições não alcançarão os mesmos patamares de 2007 e 2008. Mas, entre as áreas nas quais eles mais têm trabalhado, estão usinas de açúcar e álcool, frigoríficos, construtoras e concessionárias. Também há na lista indústrias químicas, redes varejistas e até mesmo empresas aéreas. “Temos percebido interesses em áreas variadas, mas o agronegócio é uma mina, especialmente para estrangeiros que continuam olhando o Brasil”, diz Francisco Müssnich, sócio do escritório Barbosa, Müssnich & Aragão. “Quem tem dinheiro tem hoje uma vantagem enorme.” No grupo Pão de Açúcar foi criado, há pouco mais de dois meses, um grupo voltado especialmente para fusões e aquisições para buscar oportunidades. O Cosan avalia a criação de uma divisão semelhante, de olho em terrenos e usinas. “Algumas empresas atravessam uma situação difícil porque se financiavam com capital barato”, diz Antonio Rodrigues, diretor da Unica. “Com a crise, o processo de rolagem da dívida de curto prazo parou.” Segundo Rodrigues, entre 10% e 15% das usinas vivem uma situação muito difícil e outro tanto enfrenta dificuldades. Na área dos frigoríficos, a situação não é diferente. Cinco grandes empresas do setor pediram recuperação judicial nos últimos meses e há vários ativos à espera de compradores. As quebras também foram causadas pelo recuo das exportações e do crédito, além dos fortes processos de expansão feitos pelas empresas, atropeladas pelo cenário recessivo. “O agravante nessa indústria é que as operações de derivativos as atingiram em cheio”, diz Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria. “Apesar de o momento não ser ideal para imobilizar capital ou ampliar a capacidade de abate, certamente haverá consolidação porque o Brasil é muito competitivo.” Com o fim da abundância de crédito, os especialistas apontam que a tendência é haver mais fusões e aquisições com trocas de ações ou financiamento da compra pelo vendedor. “Esperamos mais criatividade nas operações”, diz Carolina Lacerda, coordenadora de fusões e aquisições da Anbid. Fonte: Folha de São Paulo. Dinheiro. Por Guilherme Barros. 8 de fevereiro de 2009.
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