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Scot Consultoria

Onda de consolidação chega ao setor de nutrição animal


Terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 - 13h24

O setor de nutrição animal no Brasil espera um crescimento de até 10% para 2010 e novas consolidações para os próximos anos. Segundo Eduardo Marchesi de Amorim, diretor da brasileira Fri-Ribe, após a união da indústria com a gigante holandesa Nutreco - cujo faturamento global atinge a ordem de US$6,8 bilhões -, a empresa espera que o faturamento avance em 7% este ano, ultrapassando R$160 milhões. Apesar do recuo de 0,5% na produção de ração em 2009, se comparado ao ano anterior, de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), que projeta avanço de 5% a 10% em 2010, a recuperação da economia do País reflete ânimo para o setor. “Não tenho notado tendência de monopólio, mas podem ocorrer novas ofertas de parcerias”, diz Alex Santos Lopes da Silva, analista da Scot Consultoria. Para Amorim, o segmento brasileiro de pecuária de corte, de leite e, principalmente, de aquicultura apontam perspectiva de crescimento. “A união é uma oportunidade grande de fortalecimento para todo setor que tem muito para desenvolver como os de aqua e leite”, afirma. Segundo o diretor, a Fri-Ribe Nutreco vai se movimentar apoiada pelo conhecimento holandês. Já que no setor de leite, por exemplo, os holandeses batem de longe o Brasil, com produção de 9 mil litros por ano e o País 1,4 mil litros por ano. “Vamos adaptar a experiência gerencial holandesa para o desenvolvimento no Brasil”, afirma Amorim. De acordo com o analista, a Fri-Ribe agora disputa mercado, entre outras, com as brasileiras Tortuga, Minerthal e com a americana Bunge. “Com a parceria, eles (a nova Fri-Ribe Nutreco) podem trabalhar com preços mais baixos para ganhar escala. O produtor vai procurar pelo valor mais atrativo”, diz. Para a aquicultura brasileira, segundo Amorim, a tecnologia holandesa aporta no primeiro Centro de Pesquisa do Camarão criado em parceria, no nordeste, em uma fazenda da Fri-Ribe. “A ideia é conseguir proporcionar ao produtor uma criação em menos tempo”, diz o diretor. A Fri-Ribe produz e comercializa, no Ceará, Piauí, Minas Gerais, Goiás e São Paulo uma média de 150 mil toneladas de alimento animal por ano. Já a Nutreco soma anualmente uma produção de oito milhões de toneladas. “"Com o fortalecimento, por meio da união, já estamos em processo de avaliação de crescimento para os próximos anos (a partir de 2011)”, adianta. A centenária Nutreco atua em mais de 100 indústrias em diferentes países, como China, Noruega, Espanha e Canadá. A Fri-Ribe não tem intenção de entrar para a bolsa de valores, como a Nutreco, na Holanda, mas, segundo Amorim, a troca de experiência pode abrir caminho. “Não é nosso objetivo. Não precisamos de recurso, mas a ‘mistura de sangue’ pode possibilitar”, comenta. A consolidação da Fri-Ribe com a Nutreco se deu por meio de joint venture - contrato entre duas ou mais empresas, que se associam, criando ou não uma nova empresa para realizar uma atividade econômica produtiva ou de serviços, com fins lucrativos. A Fri-Ribe ficou com 49% do capital social da Fri-Ribe Nutreco e a holandesa com 51%. Com a parceria, segundo o diretor, os 400 funcionários da Fri-Ribe poderão fazer intercâmbio. “Vamos proporcionar oportunidade de aprendizado fora do País, o que é melhor do que qualquer universidade”, considera. Desempenho do setor De acordo com Ariovaldo Zanni, vice-presidente da Sindirações, o avanço de 5% a 10% para o setor, em 2010, é calculado por meio de simulação de cenários e tendências de produção animal, mas existem ameaças que podem comprometer esse crescimento. Um impacto negativo do câmbio, que pode reduzir a competitividade do produto brasileiro é uma delas, apesar da abertura de novos mercados para o País, para 2009/2010, como o russo e países asiáticos. “É preciso uma redução da pesada carga tributária sobre a cadeia de produção de carnes e desburocratização do setor de alimentação animal”, afirma. Em 2009, a produção total de ração foi de 58,4 milhões de toneladas, ante as 58,7 de 2008. Queda de 0,5% que o setor não deseja mais computar. Fonte: Jornal DCI. Agronegócios. Por Alécia Pontes. 23 de fevereiro de 2010.
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