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Scot Consultoria

Aumento do custo da ração é novo obstáculo para as carnes


Quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 - 17h38

A lista de preocupações dos produtores do segmento de produção animal, de várias regiões do Brasil, ganhou um item a mais com a notícia recente da redução da safra 2008/09 de grãos. O fato terá como consequência o aumento dos preços da ração utilizada na engorda. Há quem espere elevação de preços do insumo imediata e há, ainda, quem tenha expectativa de que os efeitos virão a partir de junho. Elevação de custos em um ano cujo cenário em relação à demanda ainda é incerto e pode sofrer oscilação, por conta dos reflexos da crise global, está deixando produtores da cadeia animal sem saber a melhor maneira de planejar o ano que vem pela frente. A aposta, diversas vezes, será feita no escuro. É o exemplo de pecuaristas confinadores de diversos estados. Para muitos deles, embora não haja data exata para isso, os três primeiros meses do ano são um período crucial para decidir o tamanho da safra. “Estamos no meio de um processo de decisão. A época é essa”, afirma Juan Lebrón, diretor da Assocon, que representa 47 confinadores de seis estados brasileiros, proprietários de 547 mil cabeças de gado. De olho na cotação da arroba do boi gordo indicada pelos mercados futuros, muitos confinadores planejam agora o tamanho de sua safra, ou seja, a quantidade de bois magros ou animais mais jovens que serão adquiridos para a engorda e posterior comercialização, além do volume de insumos necessário para a ração. No entanto, os preços futuros não são animadores em um cenário econômico incerto. Não se sabe se essas cotações poderão ou não reagir. O risco sempre existe, mas em 2009 o cenário é mais incerto. Em outro ramo, o de aves, o produtor catarinense Virgínio Zardo tampouco gostou da notícia sobre a quebra da safra de grãos. “É preocupante sim. Eu já esperava faturar pelo menos R$3 mil a menos em 2009, por conta do ajuste de produção devido à crise. A quebra da safra vai encarecer a ração e piorar um pouco o quadro”, conta. Ele espera que o os reflexos do encarecimento dos insumos deverão chegar em junho ou julho. Zardo conta que já havia aumentado o intervalo de produção entre os lotes, de três para oito dias. A redução da produção foi recomendada por entidades dirigentes do setor logo após o estouro da crise, de modo a evitar excessos diante de um quadro de desaceleração de exportações. Zardo é integrado da Aurora Alimentos e produz cerca de 52,5 mil aves por ano. Ele acrescenta que há produtores integrados que estão cumprindo intervalos produtivos de 30 dias, por não conseguirem atingir as metas de produção desejadas pela empresa. Já o produtor Érico Tormem, proprietário da Cabanha Chapecó, conta com aumento de gastos com farelo de soja e milho a partir de março ou abril. “Esse tipo de efeito é imediato, quando começam a comercializar a safra de grãos”, comenta. Ele possui rebanho de 750 cabeças de ovelhas e sua forte aposta é no leite. Confinamento e risco O que está deixando muitos confinadores no escuro é o fato de os contratos futuros de outubro da arroba do boi gordo na BM&F Bovespa apontarem para valores desanimadores, o que deixa a rentabilidade que está por vir muito próxima dos preços do boi magro. “Os contratos de outubro não estão reagindo por conta do cenário econômico incerto. A diferença entre o preço do boi magro adquirido hoje e a cotação do boi gordo no mercado futuro é de apenas R$2,00. A rentabilidade é baixa, não fecha a conta”, avalia Lebrón, da Assocon. Diz o dirigente que a diferença ideal deveria de ser de, no mínimo, R$10,00. Em 2008, chegou a R$20,00. “Eu particularmente acho que essa diferença entre preço de boi magro e do boi gordo vai aumentar e alcançar entre R$10,00 e R$12,00. O boi deve chegar a R$90,00 na hora da venda efetivamente. Acontece que as decisões têm de ser tomadas agora, no escuro”. Ontem, os contratos futuros de outubro de 2009 apontavam para R$81,90 a arroba. À vista, segundo a Scot Consultoria, em Araçatuba (SP), valia R$82,00 a arroba. A Assocon acredita em queda de volume do confinamento em 2009. A entidade iniciará levantamento no mês que vem. Em 2008, o País confinou 2,8 milhões de cabeças e a Assocon foi responsável por 650 mil cabeças desse total. Fonte: DCI. Agronegócios. Por Érica Polo. 15 de janeiro de 2009.
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