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Scot Consultoria

Europa prepara ampliação de barreiras para a carne bovina


Segunda-feira, 11 de agosto de 2008 - 09h41

As exigências da União Européia em relação à origem da carne bovina - motivo que desabilitou diversas propriedades brasileiras para fornecer carne para exportação àquele mercado - devem ir além da rastreabilidade. Aos pecuaristas brasileiros interessados em produzir para atender o nicho de exportação é recomendado que se preparem para fornecer cada vez mais detalhes sobre o processo de produção. No caso do mercado europeu, acredita Emilio Salani, diretor técnico da Merial Saúde Animal, a questão da rastreabilidade é apenas a primeira fase. “Em um futuro próximo, haverá mais rigor na exigência de detalhes solicitados quanto aos processos de produção animal, tanto em relação à alimentação quanto ao uso dos medicamentos”, avalia. Essa espécie de “segunda etapa”, se ocorrer, poderá levar o pecuarista a prestar informações, por exemplo, do protocolo sanitário utilizado na fazenda. Se o gado foi vacinado ou vermifugado de forma correta, que tipo de vacinas ou medicamentos foi utilizado, em quais épocas o gado foi vacinado e contra quais tipos de doenças, poderiam ser algumas das exigências inclusas, segundo Fabiano Tito Rosa, consultor da Scot Consultoria. A rastreabilidade informa o que o animal comeu e quais medicamentos foram ministrados, sem fornecer, no entanto, detalhes em relação ao manejo. “A tendência é de que os importadores busquem quem cumpra protocolo sanitário conhecido mundialmente. A utilização de produtos de empresas idôneas e o fato de serem aplicados corretamente serão diferenciais”, comenta Tito Rosa. “Também vale no caso da nutrição animal”, complementa. Para o consultor, esse aprofundamento das exigências solicitadas não deve ocorrer agora, já que a oferta de carne no mundo está restrita. No entanto, diz Tito Rosa, quando houver mais oferta, haverá janela para que o bloco avalie a questão. Para representantes do segmento produtivo brasileiro, o excesso de informações exigidas pelo bloco nada mais é do que uma espécie de ferramenta sanitária para a proteção de seu mercado. No entanto, os europeus afirmam que se trata de uma preocupação em relação à qualidade da carne bovina importada. Tito Rosa, da Scot, acrescenta que a preocupação cada vez maior com os detalhes do manejo sanitário deve ser levada em frente pelo produtor não só para satisfazer compradores no mercado externo, pois, além de haver um enorme mercado interno a ser atendido, a preocupação com o manejo de forma correta evita prejuízos. A forma de ministrar os medicamentos é importante porque, por exemplo, uma vacina mal aplicada não será eficaz. Aftosa O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Reinhold Stephanes, anunciou na última sexta-feira, no Pará, que todo o território nacional deverá estar livre da febre aftosa dentro de três anos. A meta foi anunciada durante encontro com lideranças do agronegócio na Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa). Segundo o ministro, o governo trabalha de forma bilateral com países que fazem fronteira com o Brasil, como Paraguai, Bolívia e Venezuela, e, multilateralmente, com organismos internacionais, visando a eliminar a aftosa no continente. Stephanes disse, ainda, que o Mapa deverá realizar, em breve, auditoria na estrutura de defesa agropecuária do estado com o objetivo de avaliar o risco de febre aftosa naquela região. Hoje, 44 municípios do centro-sul do estado são reconhecidos internacionalmente como livres de febre aftosa com vacinação. A meta agora é estender esse reconhecimento às demais regiões. Representantes da indústria também compartilham do otimismo do governo. Salani, da Merial, disse acreditar que a meta traçada pelo governo é possível. O executivo recebeu um grupo de jornalistas em Paulínia (SP), no complexo industrial da companhia, na última sexta-feira. A Merial Saúde Animal está intensificando suas apostas no Brasil. Nos últimos dois anos, investiu US$40 milhões na fábrica localizada em Paulínia, com o objetivo de transformar a subsidiária brasileira na principal plataforma de exportações de injetáveis à base de ivermectina da empresa em contexto global. A implantação de novas fábricas para animais de companhia e eqüídeos também é alvo da companhia. No ano passado, as exportações desse tipo de produtos injetáveis totalizaram US$20 milhões e foram destinadas a 27 países. O objetivo para 2008 é elevar essa receita para US$35 milhões, atendendo a 66 países. Em três anos, a meta da empresa é alavancar as vendas externas para US$330 milhões por ano com exportações a partir do Brasil. Depois da rastreabilidade, a União Européia se prepara para aplicar novas formas de barreiras não-tarifárias à carne bovina brasileira. Os pecuaristas brasileiros interessados em produzir para atender a esse nicho de exportação devem se preparar para cumprir exigências cada vez maiores. No caso do mercado europeu, acredita Emilio Salani, diretor técnico da Merial Saúde Animal, a questão da rastreabilidade é apenas a primeira fase. “Em um futuro próximo, haverá mais rigor na exigência de detalhes solicitados sobre os processos de produção animal, tanto em relação à alimentação quanto ao uso de medicamentos”, avalia. Essa espécie de “segunda etapa“ pode levar o pecuarista a prestar informações, por exemplo, sobre o protocolo sanitário utilizado na fazenda: se o gado foi vacinado ou vermifugado da forma correta, que tipo de vacinas ou medicamentos foi usado, quando o gado foi vacinado e contra quais tipos de doenças poderiam ser algumas das exigências em relação à informação. Mesmo assim, o setor não pára de investir. A Bertin S.A. assinou carta de intenção para aquisição do frigorífico da Cooperocarne, localizado em Pimenta Bueno (RO), por um valor de R$55 milhões. A efetivação da compra está condicionada à aprovação dos cooperados e à realização de due diligence confirmatória. Fonte: DCI. Agronegócios. Por Érica Pólo. 11 de agosto de 2008.
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