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Scot Consultoria

Escassez de boi magro afeta confinamentos do país


Sexta-feira, 13 de junho de 2008 - 11h14

Há um ano, a arroba do boi gordo custava cerca de R$7,00 a mais que a do boi magro. Hoje, é o boi magro que está cerca de R$5,00 à frente do animal pronto para abate. A situação - incomum nos últimos anos, quando em vez de ágio, o boi magro tinha deságio - reflete um cenário de oferta escassa de animais para engorda, em decorrência da mudança do ciclo da pecuária bovina de corte após um período de abate de matrizes. E já atrapalha os confinadores do país. Pesquisa feita este mês pela Assocon, que reúne 47 confinadores, responsáveis por cerca de 25% do volume confinado no Brasil, mostra que os associados tinham a intenção de colocar 653 mil animais na engorda intensiva este ano, cerca de 30% mais que em 2007, quando alcançou 498 mil cabeças para um conjunto de 41 associados. Mas dificilmente, os confinadores conseguirão transformar a cifra prevista em realidade. De acordo com Juan Lebrón, diretor operacional da Assocon, até agora os produtores só conseguiram adquirir 65% dos animais magros para engorda. Nessa mesma época do ano passado, eles haviam conseguido comprar 80% dos animais que necessitavam. "Existe boi magro, mas não tanto quanto era necessário, e o que existe está caro", afirmou. Segundo ele, o pecuarista que faz a recria e vende o boi magro "fica testando a alta", diante da perspectiva de continuidade da valorização do boi gordo. Atualmente, a BM&F sinaliza uma arroba na casa dos R$101,00 para outubro, período de entressafra do boi. "A expectativa de alta inflaciona o mercado", comenta. Em Goiás, onde está a maior parte dos confinadores ligados à Assocon, a arroba do boi gordo está em R$85,00 e a do boi magro varia entre R$85,00 e R$90,00. Na mesma época de 2007, o boi gordo estava em R$55,00 e o magro entre R$48,00 e R$50,00. Com a dificuldade para obter o boi magro, Lebrón avalia que o confinamento dos associados da Assocon deve ficar próximo do visto em 2007. "Vontade de confinar todo mundo tem, mas falta boi magro", concorda Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria. Com animais magros mais caros, Lébron, da Assocon, acredita que os confinadores devem optar por deixá-los por mais tempo na engorda, para obter um melhor aproveitamento da carcaça. Há dois "giros" de confinamento, com bois sendo colocados para engordar entre os meses de maio a julho e depois entre agosto e outubro. Este ano, os animais magros (idade entre 18 meses e 30 meses e peso de 360 quilos) devem ser retirados mais tarde dos confinamentos, mais pesados. Isso significa obter mais reais pelo animal, mas o custo também aumenta. A situação dos confinadores ligados à Assocon, espalhados pelos Estados de Goiás, Mato Grosso, Minas, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, pode ser extrapolada para os demais que também estão na atividade no país, diz Lebrón. Não à toa ele acredita que o confinamento total no Brasil este ano ficará estável em relação às cerca de 3 milhões de cabeças de gado do ano passado, conforme estima a Assocon. Atividade que ganhou importância nos últimos anos - e virou estratégia até de frigoríficos - o confinamento será tema da 1ª Conferência Internacional de Confinadores entre 16 e 18 de setembro em Goiás, promovida pela Assocon. Fonte: Valor Econômico. Agronegócios. Por Alda do Amaral Rocha. 13 de junho de 2008.
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