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Scot Consultoria

Oferta apertada leva boi à maior cotação em 20 meses


Quarta-feira, 28 de julho de 2010 - 15h14

O boi gordo alcançou o maior valor desde novembro de 2008 neste mês, de acordo com acompanhamento da Scot Consultoria. A pesquisa - que considera os valores nominais não deflacionados - mostra que o preço médio da arroba em julho ficou em R$83,08 na praça paulista de Barretos. Em novembro de 2008, a média foi de R$87,73. Um hiato entre a oferta de gado bovino de pasto e de confinamento no atual período de entressafra é uma das razões para a alta dos preços, segundo Gabriela Tonini, analista da Scot. Além disso, o rebanho ainda não foi totalmente recomposto após o forte descarte de matrizes entre 2005 e 2006 - anos em que a produção foi desestimulada pelos preços baixos da arroba do boi gordo no país. A analista lembra que os preços já estavam em alta em meados de 2008, reflexo exatamente do abate das matrizes e também por conta da demanda forte por carne bovina no mercado internacional. Mas veio a crise, no fim de 2008, que derrubou as vendas externas do Brasil, pressionando as cotações do boi. "Desde o começo do ano, os preços vêm subindo devagarzinho", afirma Tonini. Além de oferta mais justa, a demanda doméstica firme e a melhora nas exportações de carne bovina também têm sustentado o preço da arroba, segundo ela. A valorização da matéria-prima já contaminou as cotações da carne bovina no atacado e também já chegou às gôndolas do varejo. De acordo com a Scot, o quilo do traseiro avulso subiu 4% desde o começo do mês até ontem, para R$6,50. No caso do dianteiro bovino, a alta foi de 4,65%, para R$4,50 o quilo. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe mostra variação de 1,26% nas carnes bovinas na terceira quadrissemana de julho em São Paulo. "Já há algum reflexo no preço da carne", comenta Gian Barbosa, economista da Tendências Consultoria. Enquanto a alta da arroba persistir, deve haver repasse para o varejo, avalia. De acordo com Gabriela Tonini, a expectativa é de que os preços do boi gordo permaneçam firmes no curto prazo, mas a maior oferta de animais de confinamento, a partir do fim de agosto, deve limitar ganhos. Proteína mais barata do que a carne bovina, o frango também tem se valorizado recentemente, em parte influenciado pela carne bovina. Mas Oto Xavier, da Jox Assessoria Agropecuária, afirma que a produção de aves também é menor. Um sinal, diz, é a baixa disponibilidade de ovos férteis e de pintos de um dia no mercado. Pesquisa da Jox mostra que o frango vivo saiu de R$1,40 o quilo no começo de julho para R$1,60 ontem em São Paulo. No médio atacado paulista, o frango resfriado foi cotado a R$2,25 (em média) o quilo ontem, acima dos R$2,09 do início de julho. Xavier lembra que as exportações de carne de frango estão melhorando, o que reduz a disponibilidade desse produto no mercado doméstico num momento de oferta mais ajustada. Em menor intensidade, o levantamento da Fipe também mostrou alta no grupo aves na terceira quadrissemana do mês de julho - de 0,37%. Fonte: Valor Econômico. Por Alda do Amaral Rocha. 28 de julho de 2010.
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