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Scot Consultoria

Setor lácteo vive "boom" com as aquisições entre empresas


Segunda-feira, 14 de abril de 2008 - 14h00

Em seis meses, cerca de R$2,3 bilhões foram gastos no Brasil com aquisições de indústrias lácteas. No período, foram feitas sete compras, incluindo a das marcas Poços de Caldas e Paulista, pela Parmalat, anunciada nesta semana. O movimento acompanha a tendência positiva para o setor que, no ano passado, foi o com maior rentabilidade na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), entre as empresas do agronegócio, e de maior lucro na atividade dentro da porteira. "Não se trata de um modismo. O que ocorre é que as indústrias estão vislumbrando que o mercado do leite, tanto brasileiro quanto internacional, é bom. A perspectiva é de resultado positivo para o setor", diz Maurício Nogueira, da Scot Consultoria. Ele lembra que nos últimos 15 anos o setor praticamente não recebia investimentos, pois com a abertura econômica, no governo do ex-presidente Fernando Collor de Melo, e o Mercosul, muitas empresas haviam perdido competitividade. Segundo levantamento da Economática para a Gazeta Mercantil, a rentabilidade das empresas do agronegócio na Bovespa, neste ano, está pulverizada: 16 têm resultados positivos e 17 possuem desempenho negativo. Entre elas, a Laep Investments Ltda, controladora da Parmalat, que até o dia 9 acumulava perdas de 47,6% - a única do segmento de lácteos com resultado negativo. O analista Fernando Exel diz que a empresa não costuma fazer análises por segmento ou indústria, mas lembra que, de um modo geral, as aberturas de capital (IPOs, na sigla em inglês) foram feitas com preços que previam um crescimento de geração de caixa otimista, que não se confirmaram. "A maioria dos IPOS perdeu valor", diz. Ontem, as ações da Laep encerraram o pregão a R$4,70, com valorização de 9,3%. Para analistas de mercado, a onda de aquisições é um processo natural do setor, que acarretará em uma concentração. Hoje, o segmento é pulverizado e, até as últimas aquisições da Perdigão, a diferença no ranking de captação era grande entre a primeira e as demais colocadas. "Agora tem gente em pé de igualdade para competir com a Nestlé, inclusive a Parmalat, que se recuperou. É bom que se concentre nas mãos de algumas, mas não de uma ou duas", avalia Nogueira. Para o diretor da AgraFNP, José Vicente Ferraz, as indústrias do agronegócio têm se transformado em empresas de alimentos, diversificando a atuação e, neste sentido, ele considera natural a expansão para os lácteos. "Assim, a tendência da indústria de alimentos é se concentrar para ganhar escala", afirma Ferraz. Ele acrescenta também à atratividade do segmento de lácteos, em que a demanda mundial tem crescido acima da capacidade de aumento da produção. "O que quer dizer que os preços subirão", conclui. Nos últimos 12 meses, as cotações internacionais do produto saltaram de uma média histórica de US$2,5 mil a tonelada para mais de US$5 mil - atualmente estão próximos a US$4,5 mil a tonelada. Parmalat Com o anúncio das compras das marcas Poços de Caldas e o licenciamento da Paulista, da Danone, por um prazo de 15 anos, a Laep praticamente encerra o seu plano de expansão previsto no IPO. Na época, a empresa captou R$490 milhões e previa investir 60% em aquisições e o restante no projeto Integralat - em que repassa material genético e equipamentos a seus fornecedores, visando aumentar a qualidade do leite. "Do valor proposto para aquisições ainda não usamos os 60%. Mas com esta aquisição, praticamente completamos o portfólio de produtos e de marcas", afirma Marcus Elias, presidente da empresa. Ele não informou o valor da transação, nem quanto a aquisição representará em aumento de volume produzido pela Parmalat - que atualmente capta cerca de 4 milhões de litros de leite por dia. Quando a Laep assumiu a empresa, em 2006, eram 1 milhão de litros diários captados. Em janeiro deste ano, a indústria já havia adquirido a Cooperativa Vale do Rio Doce, por um valor também não informado. O memorando de entendimentos com a Danone, dona das duas marcas até então, prevê a compra da marca Poços de Caldas e a aquisição dos ativos relacionados a esta marca, ou seja, de uma unidade produtiva. Hoje, o requeijão é produzido na unidade do município mineiro de mesmo nome. Já a marca Paulista será apenas licenciada, por um período de 15 anos, para uso no Brasil, na Bolívia e no Paraguai. Até a entrada da Parmalat no negócio - cuja conclusão depende de auditorias - a marca Paulista estava licenciada para a Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo (CCL), que havia vendido para a Danone em 2000. Elias diz que, com a investida, a Parmalat entre em um segmento novo: o de requeijão e, justamente, segundo ele, com a marca mais importante do mercado. Fonte: Gazeta Mercantil. Caderno C. Por Neila Baldi. 11 de abril de 2008.
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