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Scot Consultoria

Exportação de gado em pé pode crescer 40% em 2008


Quinta-feira, 3 de abril de 2008 - 15h57

A exportação de gado em pé está preocupando os frigoríficos brasileiros em um ano de escassez de oferta. Em 2007, foram 431,8 mil animais enviados para o exterior - acréscimo de 76%. Apenas no primeiro bimestre deste ano o volume já supera 75 mil animais. Somente nesta semana foram embarcados 9 mil bovinos do Rio Grande do Sul. A previsão do setor é que este mercado cresça entre 30% e 40% em 2008. O Brasil detém 12% do comércio mundial de gado vivo, estimado em US$2 bilhões. O preço pago pelo produto - que em um ano se valorizou 150% - é que tem estimulado as vendas. Em fevereiro, o valor médio era de US$837,00 por cabeça. Diante deste cenário, a Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo) solicitou ao governo a taxação da exportação de gado. Mas é justamente uma empresa do setor a maior exportadora de gado em pé do Brasil: o Minerva. Em 2007, o frigorífico embarcou 175 mil animais ou cerca de 40% enviado por todo o setor. Da parte do Minerva, os embarques têm saído do Pará. Mas algumas tradings também estão comercializando o gado do Rio Grande do Sul. "Talvez a disponibilidade de porto explique os envios desses dois extremos", acredita Péricles Pessoa, presidente da Abrafrigo. Os maiores compradores de gado vivo do País são a Venezuela e o Líbano. Para o Oriente Médio - principal destino do rebanho gaúcho - os animais são embarcados em navios e viajam cerca de 25 dias. Antes da remessa, os bovinos passam por um período de adaptação à alimentação que irão receber, de cerca de 20 dias. A analista da Scot Consultoria, Giuliana Nogueira, explica que a exportação é voltada para dois mercados: de gado para engorda e de animais para a reprodução. No caso do Líbano e Venezuela são enviados animais magros. Outro mercado promissor é Angola, de bovinos que irão recompor o rebanho local. Neste ano, de acordo com os dados da consultoria, ainda não foram embarcados animais destinados à reprodução. O presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Simm, diz que a venda externa é um nicho de mercado explorado pelo pecuarista. Segundo ele, em média, a exportação paga entre R$0,25 a R$0,50 por quilo de animal vivo a mais que o mercado interno. Mas a falta de animais no Estado e o alto preço do boi são apontadas como causas para a ociosidade de 50% das indústrias gaúchas. No Pará, de acordo com os dados da consultoria, a exportação tem ajudado a aumentar o preço médio do boi. Enquanto na média nacional a arroba valorizou-se 35% em um ano, no Estado chegou a 53%. "As exportações acabam gerando concorrência local", acredita Giuliana. Segundo ela, a cotação média no estado está entre R$64,00 e R$66,00 a arroba. "A média de rentabilidade deste mercado é igual ou superior a do beef", diz Ronald Aitken, superintendente de Relações com Investidores do Minerva. Na sua avaliação, os dois mercados não são concorrentes, nem excludentes. "Estamos indo atrás de oportunidades", justifica. Ele não quis comentar sobre uma possível taxação desta venda. Segundo o superintendente do Minerva, a demanda externa é grande e o Brasil ainda tem muito espaço para crescer. Aitken acrescenta que as compras têm motivos diferenciados. No caso do Oriente Médio, é por razões religiosas e, da Venezuela, por razões políticas - para proteger os empregos nos abatedouros. Já na Angola, trata-se de recompor o rebanho e, na Itália, a preferência é por bezerros. Em um ano, os embarques do Minerva cresceram mais de 250%. Mas para este ano, a previsão é de volumes entre 30% a 40% maiores. O frigorífico compra os animais de terceiros para o embarque, que sai todo do Pará. Fonte: Gazeta Mercantil. Caderno C. Por Neila Baldi. 3 de Abril de 2008.
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