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Scot Consultoria

Retomada de vendas para os europeus cria o “boi de elite”


Quarta-feira, 2 de abril de 2008 - 17h50

Em função da retomada de exportações de carne in natura para o bloco europeu, anunciada por frigoríficos que têm plantas no Estado de Minas Gerais, começou a corrida por gado que tenha condições adequadas. Com isso, já se formou um mercado à parte, o do boi de elite, nas negociações de compra e venda. Foram anunciadas recentemente, operações de abate para atender àquele mercado por grandes companhias como o Grupo Bertin, Independência e o frigorífico Minerva. No Triângulo Mineiro, saíram negócios a R$82,00 a arroba na semana passada, enquanto a média de mercado na região era de R$70,00 a arroba no período. A informação foi dada por consultorias de mercado e federações de agricultura locais. Em São Paulo, a arroba estava valendo R$77,00 em média. A supervalorização ocorre devido à oferta muito restrita de animais, já que somente 97 fazendas estão autorizadas a exportar para o bloco. Do total, 80 propriedades estão em Minas, por isso o Estado é o primeiro do País a retomar embarques. O segundo da lista em número é o Rio Grande do Sul, com 11 propriedades habilitadas. Em 2007, 3 mil fazendas podiam exportar. A retomada da comercialização beneficiará um universo à parte, formado por um número muito pequeno de pecuaristas e, pelo menos no curto prazo, a arroba do boi no mercado em geral não sofrerá reflexos. "Vejo formarem-se dois mercados distintos. O dos produtores habilitados a exportar para o bloco e o resto do mercado, composto por quem comercializa para o mercado interno e outros países. Esses últimos representam 99% do mercado", avalia José Vicente Ferraz, diretor técnico do Instituto AgraFNP. "Logicamente que os frigoríficos têm interesse em exportar para o bloco e vão tentar comprar, mas há limite para o preço pago pelo gado. A grande dificuldade é formar lotes minimamente razoáveis para garantir um suprimento rentável", diz. Para Paulo Molinari, consultor da Safras & Mercados, a cotação da arroba no mercado deverá sofrer reflexos pela retomada das exportações para a União Européia somente a partir do momento em que forem habilitadas mais fazendas, principalmente em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Isso pode ocorrer com mais força a partir do segundo semestre, justamente no período da entressafra do boi. "Na entressafra, sabe-se lá a que preço chegará a arroba", comenta. Quando entrarem novas fazendas na lista exportadora, os frigoríficos que por enquanto não voltaram a negociar com o bloco irão demandar gado novamente. "Somente quando houver mais gente nas pontas de oferta e demanda é que haverá reflexos no preço da arroba no mercado em geral", explica Maria Gabriela Tonini, consultora da Scot Consultoria. Falta de oferta Com a oferta escassa, os frigoríficos perderão oportunidades de negócios e quem for comercializar com os europeus terá de “brigar” por gado qualificado. O frigorífico Mataboi, de Minas, já verificou dificuldades. Segundo informações obtidas junto à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Governo daquele Estado, o diretor da empresa, Hércio Dias de Souza, afirmou que a oferta ainda é baixa e o frigorífico está disposto a comprar animais de qualquer fazenda que tenha passado pela seleção dos europeus. O Mataboi fará um abate no próximo dia 7. O Grupo Bertin vai abater 600 cabeças no próximo dia 5 em sua unidade de Ituiutaba (MG). Outro frigorífico a abater 391 cabeças em Minas será o Frisa, no próximo sábado. O Independência abateu 429 cabeças na semana passada. No total, em Minas, quatro das cinco companhias exportadoras localizadas no estado voltaram a negociar com o continente. No Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, os frigoríficos ainda não retomaram embarques. O governo está treinando técnicos para reabilitar propriedades. Como os preços da carne na Europa estão muito caros, analistas acreditam que novas habilitações devem ocorrer ainda no primeiro semestre. O embargo ocorreu no dia 31 de janeiro e foi restabelecido a partir de meados de março. O problema está ligado à rastreabilidade dos animais. Fonte: DCI. Por Érica Pólo. 2 de abril de 2008
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