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Scot Consultoria

Frigoríficos buscam aquisições e preocupam os produtores


Quarta-feira, 16 de setembro de 2009 - 17h26

As empresas do setor de carnes que estão conseguindo voltar a se capitalizar começam a prospectar negócios e devem efetuar novas compras nos próximos meses. No segmento de bovinos circula no mercado a retomada das negociações da aquisição do Bertin pela JBS-Friboi enquanto o Grupo Marfrig estaria tentando expandir no segmento de aves e suínos com a aquisição da Seara, segunda maior empresa desse segmento no Brasil, atrás apenas da Brasil Foods. Se a possibilidade dessas prospecções se confirmarem já é motivo de preocupação para boa parte dos produtores que encaram esses acordos somente como o aumento da concentração no setor. Sem conseguir exportar os frigoríficos continuam pressionando os produtores, e isso vale tanto para o criador de gado quanto para o avicultor. Atualmente, a situação do produtor de frango é pior já que o mês de agosto, quando estava sendo esperada uma recuperação, a queda das exportações, tanto em volume quanto em receita, foi maior do que a média do ano até agora. Os embarques de frango totalizaram 301 mil toneladas em agosto, com uma redução de 6,6% em relação ao mesmo mês de 2008 e uma redução de 5% em relação a julho de 2009. A receita cambial no mês foi de US$522 milhões, com uma retração de 24% em relação a agosto de 2008 e redução de 0,6% em relação a julho de 2009. Já no acumulado dos primeiro oito meses do ano os volumes exportados caíram 3,1% na comparação com o mesmo período de 2008. E a receita recuou 21% em igual comparação. “Nós esperávamos números melhores, mas a queda nos preços internacionais e o câmbio acabaram nos complicando”, disse Francisco Turra, presidente executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef). De acordo com a entidade, a desaceleração já teria sido, inclusive, identificada pelos produtores, já que o alojamento de matrizes em agosto teve uma redução de 2,5% em relação ao mês anterior. O presidente da Abef destaca a gravidade da crise para o setor produtivo. Segundo ele, a situação só não é mais complicada porque o preço do milho caiu significativamente e a cotação da soja se manteve, em média, nos meses níveis. “Para quem trabalhava sem margem agora está ainda mais difícil”, afirmou. Para Turra o último trimestre do ano será decisivo. “Se esse período trouxer alento estaremos mais preparados para recuperação, se não, mais empresas ficarão com dificuldade de manter níveis de produção adequados”, avaliou. O Marfrig está negociando a aquisição da Seara, que hoje pertence a Cargill. Analistas de mercado acreditam que o valor da empresa possa chegar a US$700 milhões. Ao longo do ano o Marfrig se reuniu com o Bertin para uma possível aquisição ou fusão entre as duas companhias, mas em agosto a própria empresa comunicou que havia encerrado as negociações. Também especula-se sobre uma possível ampliação na aquisição da Doux Frangosul. Em junho, o Marfrig comprou os ativos do segmento de perus da Doux por R$65 milhões. No segmento de bovinos o cenário não é diferente. Após o Marfrig anunciar a contratação de uma de linha de crédito de US$160 milhões junto ao Banco de Brasil (BB), o controlador do Minerva informou que quer R$108,1 milhões em aumento de capital. A VDQ Holdings, acionista controlador do frigorífico, exerceu a totalidade de seu direito de preferência ao aumento de capital proposto pela companhia. O capital social da companhia passará de R$88,7 milhões para até R$247.7 milhões. A JBS-Friboi, que está capitalizada e já negocia a aquisição da americana Pilgrim"s Pride estaria também interessada no Bertin que não desmentiu o interesse e afirmou em nota que “devido aos bons resultados apresentados no ano e seu forte crescimento com obtenção de lucro consecutivamente no primeiro e segundo trimestres, a Bertin S.A. torna-se atraente aos olhos do mercado e várias empresas do setor demonstram interesse na ampliação das relações comerciais”. De acordo com Lygia Pimentel, analista da Scot Consultoria, boa parte dos frigoríficos pressiona o mercado para baixo. “Em São Paulo, na última sexta-feira, após terem alongado em alguns dias a escala, alguns frigoríficos passaram a oferecer até R$2 por arroba a menos em relação aos preços do dia anterior”, disse. Fonte: Faeg. 15 de setembro de 2009.
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