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Scot Consultoria

Na lista da UE tem até fazendas de leite e genética


Sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008 - 10h23

A lista de fazendas habilitadas a exportar para a União Européia não tem apenas propriedades destinadas à pecuária de corte. Entre as fazendas listadas existem algumas cuja principal atividade é a criação de gado de elite - portanto, que não irá para o abate. É o caso, por exemplo, da Fepagro Tupanciretã, no Rio Grande do Sul. Outras, têm criação de leite, como a Fazenda Cerradão, em Minas. "Fazenda de genética não me surpreende porque são as que têm a melhor estrutura. Agora é preciso o que vai ter de gado", afirma o diretor da AgraFNP, José Vicente Ferraz. Segundo ele, mesmo se todas as 106 fossem de grande porte, não encheriam um conteiner por semana." Vai ser difícil formar lote", afirma. O analista da Scot Consultoria, Fabiano Tito Rosa, diz que é pouca gente para indústrias muito grandes. "Os estados onde as propriedades são maiores têm poucas fazendas habilitadas. Talvez os frigoríficos tenham de esperar liberar mais propriedades para voltarem a exportar", afirma. Teoricamente, se todas fossem de gado de corte, com uma média de 600 animais - como em Minas Gerais (ver matéria abaixo), o rebanho disponível seria de cerca quase 65 mil animais. Mas o governo não quer revelar a quantidade. "Temos esta informação. No entanto, a CNA não quer que seja divulgada para não ser usada como manobra para baixar o preço. Isso dá muita especulação comercial", afirma o secretário de Defesa de Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Inácio Kroetz. Ele admite, no entanto, que a quantidade habilitada até o momento não é suficiente para atender à demanda. No entanto, a expectativa do governo é aumentar a lista. "Não existe teto", afirma. Segundo Kroetz, no decorrer da vistoria européia - os técnicos ficam no Brasil até o dia 14 de março - é que o governo saberá qual a metodologia a ser usada para a definição de uma nova lista. O secretário diz que a nova lista pode sair daquela inicial - de 2.681 propriedades - desde que as não autorizadas tenham se adequado às exigências. Segundo ele, a lista ficou em 106 porque somente estas atendiam a todos os requisitos. No entanto, nos bastidores do ministério comenta-se que foram somente estas que o governo conseguiu que seus veterinários assinassem as guias, reconhecendo que não havia problema algum. Kroetz diz que o ministério segue fazendo auditorias para ter outras propriedades aptas. O secretário admite que na lista há propriedade voltada para a genética e de pecuária de leite, mas não quer informar quantas. "Isso é uma questão comercial", afirma. Além disso, ele argumenta que no ano que vem será obrigatório que um Estabelecimento Rural Aprovado no Sisbov (Eras) compre animal de outro Eras. Ou seja, não haveria problema de ter fazenda de genética. "Aqui em Minas Gerais eu só tenho conhecimento de fazenda de gado de corte", diz o presidente da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), Roberto Simões. Ele lembra que a liberação é apenas "a abertura do processo novamente". Na divulgação do fim do embargo, na quarta-feira, o embaixador da delegação européia no Brasil, João Pacheco, disse que a decisão foi tomada porque o sistema de rastreabilidade usados por essas 106 fazendas foi auditado pelo governo brasileiro de "forma completa e correta". Ontem, procurada por este jornal para falar sobre o fato de haver fazenda que não é destinada à exportação de carne, a representação afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que "a lista foi feita pelo governo brasileiro. Trata-se de uma decisão do governo brasileiro e, portanto, a União Européia não tem porque fazer comentário". Fonte: Gazeta Mercantil. Caderno. Pág. 4. Por: Neila Baldi. 29 de fevereiro de 2008.
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