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Boi: exportação de animais vivos pode desacelerar até o fim de 2010


Segunda-feira, 30 de agosto de 2010 - 08h59

As exportações brasileiras de bovinos vivos apresentaram forte desempenho em 2010 até julho, mas podem desacelerar nos próximos meses por causa da reabertura do comércio de animais entre Venezuela e Colômbia. O país de Hugo Chávez é o maior comprador do chamado gado em pé do Brasil - cerca de 90% do total - e pode reduzir suas aquisições agora que retomou a relação comercial com o vizinho. De janeiro a julho, as vendas brasileiras totalizaram US$370,3 milhões, ante US$247,08 milhões no mesmo período do ano passado, um aumento de 50%. “Houve um forte aumento nas vendas para a Venezuela porque o comércio com a Colômbia foi prejudicado pelas disputas políticas entre ambos. Com a situação já normalizada após a eleição do novo presidente colombiano, esse mercado vai reabrir e as exportações deverão recuar”, afirmou Daniel Freire, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg). Embora o Brasil venha enviando bois para aquele país há pelo menos cinco anos, o salto nas vendas coincidiu com o fechamento da fronteira com a Colômbia, no final do ano passado. A perspectiva de retração preocupa as empresas que exportam gado vivo no Pará, Estado que concentra 95% das vendas brasileiras. Ainda mais porque a demanda venezuelana incentivou investimentos de cerca de R$100 milhões em estruturas para exportação de animais, calcula Freire, da Abeg. “Os aportes foram feitos por nossos associados, junto com fábricas de ração e implementos agrícolas. A exportação levou a uma maior tecnificação”, afirmou. Por isso, as empresas exportadoras correm para negociar com outros mercados. “A exportação de bois vivos é um negócio que não tem mais volta”, afirma Freire, que também é diretor da Kaiapós Fabril e Exportadora, que, junto com o frigorífico Minerva, lidera as exportações de gado em pé pelo Pará. Eduardo Daher, da também paraense Kakuri, vê uma diminuição nas vendas da Venezuela, mas não uma interrupção. “A volta da paz na fronteira deve limitar as exportações, mas as vendas vão cair, não desaparecer. E outras fronteiras vão se abrir”, argumenta. Ele avalia que uma eventual queda nas vendas para a Venezuela pode afetar mais as empresas menores, que somam cerca de dez no Estado, mas isso deve levar algum tempo. “A reabertura entre os dois países não ocorre de forma tão imediata. Há um processo burocrático que tem ser cumprido”, afirma. Investimentos - A Kaiapós é um exemplo dos investimentos realizados pelo setor no Pará visando a exportação de boi em pé. A empresa construiu instalações de pré-embarque cobertas para dez mil animais no município de Santa Isabel e está montando outra similar em Igarapé-Mirim, próxima ao porto de Vila do Conde, principal via de escoamento dos animais, no município de Barcarena. Essas instalações, onde os animais passam por um período de adaptação alimentar de até 21 dias antes de serem embarcados, possuem currais antiestresse, tratamento de dejetos e fábricas de ração. De acordo com dados da Scot Consultoria, a exportação brasileira de gado em pé cresceu de US$740 mil (2.156 cabeças) em 2003 para US$419,5 milhões (518 mil cabeças) em 2009, tornando o Brasil o quarto maior fornecedor mundial, atrás de Canadá, México e Austrália. Projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam que a representatividade brasileira no mercado mundial do segmento saiu de zero em 2002 para 14% em 2010. Ainda de acordo com o USDA, as vendas devem fechar 2010 com crescimento de 20%, ou 622 mil cabeças. No Pará, a exportação aumentou 280% entre 2006 e 2009. Apesar disso, analistas dizem que a exportação de animais vivos não compete com a venda de carne. No lado do pecuarista, o negócio é vantajoso. Segundo a Scot, o criador recebe ágio de R$1 a R$2 por arroba. Nelson Freire, da Abeg, também defende que a atividade ajudou a aproximar o preço do boi no Pará ao de São Paulo. "Antes diferença chegava a R$20,00, hoje é de R$10,00 em praças mais bem localizadas. Mas isso também aconteceu por causa dos frigoríficos que se instalaram no Estado”, avalia. Segundo Freire, as exportações de gado em pé não têm potencial para reduzir as vendas de carne do Brasil ao exterior porque atendem a um nicho no mercado internacional. “O comprador quer a carne fresca e isso ele só consegue importando o boi vivo”, afirma. Ele cita clientes do Oriente Médio, que preferem fazer os abates halal (de acordo com preceitos islâmicos) em seu próprio território. “Não é um mercado elástico, é um nicho. Quem compra boi vivo paga mais pela carne. E a frota especializada no transporte é restrita.” Fonte: Agência Estado. Por Ana Conceição. 30 de agosto de 2010.
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