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Scot Consultoria

Pecuarista arrenda pastos para a cana e confina mais seus bois


Segunda-feira, 23 de abril de 2007 - 10h18

O confinamento na pecuária brasileira cresceu 17% no ano passado. A busca por rentabilidade no período de entressafra e o aumento do plantio da cana-de-açúcar são as principais razões para o crescimento dessa prática. O gerente executivo da Associação de Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) , André Locateli , acredita que cada vez mais as áreas de pastagem estão sendo tomadas por outras culturas, em especial a cana, e que isso tem mudado o perfil da atividade pecuária nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste. “O avanço da cana tem surtido efeito nessas regiões. Alguns estados, como São Paulo, têm apresentado uma pecuária cada vez mais intensiva”, afirma Locateli. “O produtor busca rentabilidade arrendando suas terras para o cultivo de cana”, diz o zootecnista e consultor da Scot Consultoria , Leonardo Alencar. O aumento do número de cabeças confinadas foi de aproximadamente 260 mil, indo de 1,51 milhão em 2005 para 1,77 milhão. Para Alencar, o crescimento desse número em 2007 ainda é incerto. “A pecuária está entrando num período de alta com a expectativa de preços melhores que no ano passado, mas a Bolsa de Mercadorias & Futuros ainda registra para outubro um preço abaixo do praticado no mesmo período do ano passado”, diz. Para os criadores, o momento traz pontos positivos e negativos. Ao mesmo tempo em que a pecuária sofre com a diminuição das áreas, existe a vantagem de se incrementar a tecnologia da atividade — o que ocorre de forma acentuada nas regiões onde a cana impõe forte pressão. “Essa concorrência por área tem forçado a tecnificação da cultura e promovido grandes confinamentos no Sudeste”, confirma Locateli. A cana está indiretamente promovendo a tecnificação da pecuária não só pela redução de área disponível, mas pela quantidade de resíduos gerado nas usinas. O bagaço da cana agregado ao resíduo de outras culturas, como a polpa cítrica da laranja e o farelo de soja, é utilizado pelos produtores como alimento de grande valor nutricional na dieta animal. Além disso, esses resíduos têm um custo inferior ao da ração convencional. Sem euforia Mesmo apresentando essas vantagens, especialmente em relação à tecnificação, o confinamento ainda é visto com cautela pela maioria dos criadores. “Não sei se é positivo, porque a necessidade de um manejo mais qualificado exige um tempo de adaptação; existe um know-how a ser adquirido”, diz Locateli, da ACNB. Ele acredita que essa tendência pode forçar uma mudança de estratégia que muitas vezes não é a desejada pelo criador. “Existe um trauma, na verdade o produtor está sendo obrigado a se adaptar. Para o produtor é complicado, mas para a atividade como um todo é benéfico porque a tecnificação e traz ganhos de produtividade”, completa. Já o consultor da Scot, Alencar, acredita que o confinamento é visto como um mal necessário. “O custo é maior porque o suporte da pastagem não é suficiente para engordar o gado e é necessário usar outros alimentos. Mas a vantagem fundamental é produzir animais na época em que a oferta é menor e o preço, portanto, é melhor”, afirma. O próprio crescimento da oferta de bois de confinamento começou a diminuir o período de alta de preços da entressafra, que costumava durar até dezembro. Em 2006, o pico de preços já ocorreu em outubro. Para o técnico responsável da Estância Bahia, Maurício Dellai, a grande justificativa para o uso do confinamento é aproveitar melhor o preço da arroba na entressafra. A fazenda localizada no Mato Grosso também adotou a prática. “A pecuária tem que ter receita na época da seca”, diz. Alencar acredita que há uma tendência da pecuária paulista se tornar intensiva por uma pressão da própria agricultura, e a pecuária extensiva deve migrar cada vez mais para a Região Norte. Além de Pará e Tocantins, onde o custo de produção é o mais baixo, o boi também avança em Rondônia. Fonte: Jornal DCI. Por Priscila Machado. 23 de abril de 2007.
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