Felipe Bortolotto, da Probeef, comenta os desafios da recria no cenário atual, o avanço da integração lavoura-pecuária, o uso estratégico do confinamento e a importância da nutrição de precisão para aumentar a eficiência dos sistemas produtivos.
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Em entrevista durante o Encontro de Confinamento e Recriadores da Scot Consultoria, Felipe Bortolotto falou sobre a reformulação da marca Probeef e os principais desafios da pecuária intensiva no Brasil. O bate-papo abordou temas como recria intensiva a pasto, nutrição de precisão, aumento do ganho de peso, produtividade por área, integração lavoura-pecuária, gestão de confinamento e uso de tecnologia para melhorar a eficiência dos sistemas produtivos.
Felipe, a Probeef está passando por mudanças interessantes na marca. Comenta um pouco sobre esse novo desenho de nome que a Probeef está trazendo.
Felipe Bortolotto: É bom deixar claro que fizemos, na verdade, um rebranding, ou seja, revisamos a nossa marca. A Probeef já existia, mas estivemos no evento Encontro de Confinamento e Recriadores, da Scot Consultoria, trazendo o novo logotipo e o novo slogan, marcando a Probeef como a marca para gado de corte da Cargill Animal Nutrition & Health. Então, a gente brinca que a Cargill é a nave-mãe, é a dona de tudo, e para gado de corte no Brasil, a marca é Probeef. Trouxemos a logomarca e o slogan, divulgamos em primeira mão para os participantes, mas é a Probeef já conhecida, só realmente repaginada.
E, falando um pouquinho sobre isso, você trouxe a questão da “Animal Nutrition”, mas temos visto cada vez mais as empresas de nutrição muito ligadas à gestão das propriedades. Não se trata mais apenas da venda do produto, mas prestar consultoria dentro das propriedades. E, trazendo um pouco sobre esse assunto, temos visto um mercado precificando um bezerro mais caro, com ágio maior, e muitas propriedades indo atrás de estratégias para conseguir diluir esse ágio e fazer uma recria saudável para a propriedade. O que vocês têm olhado em relação a isso?
Felipe Bortolotto: Esse ponto é muito bom. Eu até daria um passinho para trás. Falamos bastante do nosso portfólio revisado para recria intensiva a pasto. Quando fizemos essa revisão, começamos a repensar bastante qual é o desafio do pecuarista hoje.
E teve uma pergunta-chave no projeto: será que o boi de 30 anos atrás é igual ao boi de hoje? Quando você pega os dados de idade de abate e peso de carcaça, o bovino de hoje é completamente diferente. Colocamos, por baixo, três arrobas a mais. Saímos de um macho de 17 arrobas para 20 arrobas no gancho e reduzimos drasticamente os bovinos abatidos acima de 36 meses.
Então, quando você cruza isso, bovino mais pesado e mais jovem, eu preciso aumentar em mais de 60,0% o ganho de peso da desmama até a engorda. Antigamente, o produtor recriava ganhando 300 gramas. Hoje, ele precisa ganhar acima de 500 gramas na média anual. Se ele não fizer isso, ele está fora do boi moderno.
O que o produtor precisa fazer? Ganhar mais peso individual e mais peso por área. Trabalhar essas duas alavancas de produtividade. E isso passa diretamente pela suplementação. Quando vimos que o bovino precisava ganhar mais peso, fomos estudar as exigências nutricionais. Quanto ele precisa comer mais de proteína, energia, fósforo, cálcio e zinco. Mudou o boi de hoje. Se eu pegar tabelas de exigência de 30 anos atrás, elas não atendem mais.
A recria passou a ser uma engrenagem fundamental do sistema produtivo, porque é onde o bovino passa boa parte da vida. O confinamento é um tiro rápido de 120 dias, mas a recria ocupa um período muito maior.
Então, o produtor precisa melhorar a performance individual com bons manejos de pasto, estratégias de seca e suplementação de precisão. Tem muita gente ainda trabalhando com exigências antigas, mas o boi ficou mais jovem e mais pesado.
Inclusive, é o que temos visto muito no campo, essa busca acelerada pela intensificação da recria, seja via recria intensiva a pasto, sequestro ou integração lavoura-pecuária. No Confina Brasil, vimos um aumento muito grande de propriedades com agricultura integrada à pecuária.
Felipe Bortolotto: E é exatamente isso que observamos. O pasto da integração lavoura-pecuária é diferente. Tem maior qualidade, matéria seca mais baixa e mais nitrogênio solúvel. Isso muda completamente a estratégia de suplementação.
É um mercado enorme. A integração lavoura-pecuária é uma pauta estratégica. São milhões de hectares e boa parte dessas áreas já utiliza o componente animal.
Só que existe um desafio: muitas vezes é um sistema de curto prazo, de 60 a 90 dias. O bovino prefere o pasto ao suplemento, então precisamos trabalhar atratividade, palatabilidade e consumo. Além disso, o produtor quer simplicidade de estrutura, porque depois aquilo volta a ser lavoura.
Foi pensando nisso que desenvolvemos o Probeef ILP, entendendo que é um mercado em expansão e com necessidades específicas.
E quando falamos de rentabilidade, os números impressionam...
Felipe Bortolotto: Sim. Fizemos simulações mostrando aumento de 20,0% a 50,0% na rentabilidade por hectare quando o produtor integra agricultura e pecuária.
Muitas vezes, o produtor faz soja e milho e deixa a área parada depois da colheita. Quando ele entra com o boi nesse período, monetiza a terra e aumenta a rentabilidade global por hectare.
E, nesse cenário de reposição mais cara e dieta mais competitiva, vocês enxergam aumento de dias de cocho?
Felipe Bortoloto: Sim, isso aparece bastante nas discussões. Quando a reposição sobe, o produtor tenta extrair mais do bovino que já está comprado. Então, existe essa tendência de espichar os dias de cocho.
Mas isso precisa ser planejado. Não é simplesmente deixar mais 30 dias. Existem estratégias nutricionais e de manejo para prolongar essa curva de consumo sem perder eficiência.
Vimos um pequeno aumento de permanência no confinamento, ano após ano, e provavelmente, isso deve continuar.
E, falando sobre isso, entra novamente a importância da gestão. O produtor precisa sentar e fazer conta. Qual é o ponto ótimo de abate? Qual a melhor relação entre rentabilidade, reposição e eficiência zootécnica?
É justamente para isso que existem ferramentas de gestão e equipes técnicas apoiando o produtor.
Este bate-papo está disponível na íntegra em nosso canal do YouTube. Para saber mais a respeito desta cultura, a relação de troca deste insumo com a soja, e mais, clique aqui e assista.
Engenheiro agrônomo e especialista em produção animal pela ESALQ-USP. Atua como gerente de tecnologia para bovinos de corte na América Latina (Beef LATAM Species Technology Manager) na Probeef – Cargill Animal Nutrition and Health.
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