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Scot Consultoria

Melhoramento genético de bovinos no Brasil

Entrevista com o zootecnista Henrique Torres Ventura

Terça-Feira, 20 de Julho de 2021 - 16h00
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Graduado em Zootecnia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Henrique Ventura realizou mestrado e doutorado em Zootecnia pela Universidade Federal de Viçosa e pós-doutorado junto à Embrapa Pecuária Sul.

Foto: Bela Magrela


Graduado em Zootecnia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Henrique Ventura realizou mestrado e doutorado em Zootecnia pela Universidade Federal de Viçosa e pós-doutorado junto à Embrapa Pecuária Sul.

Atualmente, é superintendente adjunto de melhoramento genético da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).

Scot Consultoria: Qual foi a principal mudança que ocorreu ao longo dos últimos anos em relação ao melhoramento genético? O que o pecuarista procura atualmente na compra de sêmen ou touros?

Henrique Ventura: A principal mudança nos últimos anos foi a popularização da seleção genômica baseada em marcadores moleculares do tipo SNP (Single Nucleotide Polymorphism). A referida tecnologia tem permitido avaliar reprodutores jovens, como se eles já tivessem alguns filhos testados, o que permite identificar com maior chance de acerto, quais são os reprodutores que melhorarão as características de importância econômica nos rebanhos.

Na minha opinião, os pecuaristas procuram trazer para seus rebanhos: precocidade, rusticidade e qualidade do produto final através da genética.

Scot Consultoria: Como podemos mensurar os ganhos na pecuária através do melhoramento genético?

Henrique Ventura: Através dos registros zootécnicos e dados de abate. As fazendas que utilizam efetivamente o melhoramento genético têm em seus registros zootécnicos e nos dados de abate, informações que comprovam os ganhos na pecuária. Os bezerros desmamam mais pesados, as novilhas entram em reprodução mais cedo e a qualidade da carcaça melhora significativamente ao longo dos anos.

Scot Consultoria: De que forma podemos ampliar os bancos de dados nos programas de melhoramento?

Henrique Ventura: A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) tem trabalhado há mais de um século nesse sentido. Milhares de rebanhos ao longo de todo território brasileiro são mensurados sistematicamente nas características de importância econômica para produção pecuária.

São obtidos milhões de dados de pesagens em diferentes idades, histórico reprodutivo, avaliações morfológicas etc. O engajamento dos criadores e técnicos de campo é a mola propulsora para a consolidação e ampliação dos bancos de dados nos programas de melhoramento genético.

Scot Consultoria: O Brasil tem se beneficiado de estudos em relação ao melhoramento genético desenvolvido em outros países? Nós temos contribuído, nesse sentido, para o avanço em outros países?

Henrique Ventura: A pesquisa em melhoramento genético é significativamente desenvolvida em muitos países, o que beneficia a todos envolvidos no segmento. Além disso, o Brasil tem uma rede de pesquisa em melhoramento genético muito produtiva e que entrega sistematicamente  conhecimento aplicável ao desenvolvimento da pecuária tanto no Brasil, quanto a outros países. Resultados obtidos por instituições de pesquisa e universidades brasileiras são referências mundiais.

A produção de genética tem evoluído sobremaneira nas últimas décadas com o apoio de iniciativas públicas e privadas. A história mostra que deixamos de ser importadores e passamos a ser grandes fornecedores de produtos de origem animal no mundo inteiro. Esse fato se deve, também, a uma grande evolução da produção de genética no Brasil.



O Confina Brasil, expedição que promove o levantamento de dados da pecuária intensiva, já está na estrada. A meta em 2021 é mapear 40% do gado confinado no país. Siga o @confinabrasil no Instagram e acesse confinabrasil.com para acompanhar a expedição.



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