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Scot Consultoria

Confina Brasil: fim da primeira rota e expectativas para a segunda

Entrevista com o médico veterinário Felipe Araújo Dahas

Terça-Feira, 27 de Julho de 2021 - 14h00
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Felipe Dahas é médico veterinário, membro da equipe da Scot Consultoria e coordenador da expedição Confina Brasil. Participou da primeira edição, como pesquisador de campo e foi o responsável pela coordenação das análises dos números levantados.

Foto: Bela Magrela


Scot Consultoria: Como está sendo esta experiência de conhecer os mais diversos confinamentos/semiconfinamentos do Brasil?

Felipe Dahas: A experiência de conhecer cada vez mais a pecuária de corte intensiva do país tem sido incrível. Por onde passamos, somos sempre bem recebidos e todos os produtores têm contribuído muito. Eu sempre brinco que a cada visita que a gente faz (já foram quase 200 visitas), fica a certeza de que temos muito a aprender e que tem muita gente contribuindo para uma pecuária intensiva forte no país.

Cada região tem suas particularidades, sejam elas novas metodologias, novas estruturas, novas tecnologias, novas estratégias, diferentes insumos utilizados, entre outras. Tenho certeza de que o projeto ficará muito rico com todas essas informações.

Scot Consultoria: Dahas, quais foram as principais diferenças que vocês encontraram nos confinamentos do Sul em relação aos da primeira edição, que envolveu grandes estados confinadores como Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo?

Felipe Dahas: A principal diferença que notamos foi o período em que os animais são confinados. Nos confinamentos tradicionais são confinados em maiores números na “janela” da época da seca, quando há uma menor disponibilidade de pastagens. Esses animais são confinados estrategicamente para conseguir terminar a engorda mais rapidamente.

No Sul, percebemos que o confinamento normalmente se inicia em setembro e finaliza em junho, o que inclui o período das águas. Isso ocorre porque de junho a setembro, os pecuaristas utilizam as áreas para lavoura, que são muito ricas nutricionalmente, para soltarem os animais. Daí, quando é necessário liberar os animais para as rotações das lavouras, eles fecham o rebanho para o confinamento.

Uma outra diferença foi a predominância das raças britânicas, sendo muito comuns raças como Angus e Hereford. Essas raças se destacam pela sua alta qualidade de carne.

Um terceiro ponto que chamou atenção foi em relação às estruturas. Muitas são providas de cobertura, seja do cocho, somente, ou do curral inteiro, além de concretarem o piso das baias. Isso ocorre porque há chuva o ano todo nessa região e se não o fizerem, podem ocorrer prejuízos na alimentação ou mesmo na locomoção dos animais.

Scot Consultoria: E em relação aos confinamentos das diferentes cidades que vocês visitaram durante a primeira rota (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), quais foram os principais destaques de cada região?

Felipe Dahas: Uma grande característica da pecuária intensiva do Rio Grande do Sul é o perfil do gado com predominância de raças puras, como Angus e Hereford. Essas raças, além da alta qualidade de carne, possuem uma alta precocidade, podendo ser abatidas aos 18 meses. Outro ponto que chamou atenção foi que todos os machos confinados eram castrados.

Quanto ao estado de Santa Catarina, percebemos que as propriedades eram menores, sendo comum rebanhos confinados de 100 ou 200 cabeças. Além disso, há a presença de animais cruzados. Portanto, cruzamentos com Nelore, com outros zebuínos, ou até mesmo com o Holandês, são vistos na região.

Já no Paraná, vimos o cooperativismo como destaque, propriedades maiores em extensão e com rebanhos maiores, maior frequência da criação dos zebuínos e uma agricultura mais firme, com plantações de soja, rotações de culturas e integrações lavoura-pecuária.

Scot Consultoria: Quais serão os estados visitados na segunda rota e em que período será? Quais são as expectativas para estas visitas?

Felipe Dahas: A segunda rota começou no dia 26 de julho e vai até 20 de agosto, com 4 semanas de visitas. Na primeira semana, visitaremos Rondônia para conhecer os principais confinamentos do estado. Na segunda semana, passaremos pelo Norte do Mato Grosso e um pouco do eixo do grão, abordando Sapezal, Lucas do Rio Verde, Sinop e Sorriso. Já na terceira semana, estaremos no Nortão do Mato Grosso, como Matupá, Colíder, Guarantã do Norte, e entraremos no Sul do Pará, em Santana do Araguaia. Finalizaremos a quarta semana, ainda no Pará, passando por cidades como Redenção e Xinguara.

Esperamos encontrar propriedades um pouco maiores do que a gente viu nessa primeira rota, bastante presença do gado zebuíno e uma produção em escala com rebanhos maiores, puxando mais as características dos confinamentos do Centro-Oeste. Porém, é o que esperamos, não é uma certeza ainda.

Scot Consultoria: Por onde nossos leitores poderão acompanhar essa expedição?

Felipe Dahas: O público poderá acompanhar o dia a dia da expedição através do Instagram e as notícias e entrevistas no site oficial do Confina Brasil e da Scot Consultoria. O material audiovisual terá postagens semanais e poderá ser prestigiado através do Facebook, Twitter e Youtube.


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