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Scot Consultoria

Mercado de suplemento mineral para bovinos

Entrevista com a vice-presidente estatutária da ASBRAM, Elizabeth Chagas

Terça-feira, 13 de julho de 2021 - 16h30
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Elizabeth Chagas foi diretora de suprimentos e logística na COPAS - Companhia Paulista de Fertilizantes, diretora de granéis e logística no Grupo Rodrimar, diretora de suprimentos e logística na Tortuga, proprietária da E.C. Consultoria e Assessoria em Comécio Internacional Ltda. e atualmente é vice-presidente estatutária da ASBRAM - Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais

Foto: Bela Magrela

 

Elizabeth Chagas foi diretora de suprimentos e logística na COPAS - Companhia Paulista de Fertilizantes, diretora de granéis e logística no Grupo Rodrimar, diretora de suprimentos e logística na Tortuga, proprietária da E.C. Consultoria e Assessoria em Comécio Internacional Ltda. e atualmente é vice-presidente estatutária da ASBRAM - Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais.

Scot Consultoria: Quais foram os impactos da pandemia do covid-19 no mercado de suplementação mineral de bovinos?

Elizabeth Chagas: A pandemia veio para nos ensinar um admirável mundo novo. Foi como se tudo que soubéssemos como certo, da noite para o dia, perderam seus valores e fomos obrigados a acreditar em novas verdades, que chegaram modificando nossos hábitos e costumes na velocidade do vírus, que entrava em nossas vidas.

O agronegócio não parou um só minuto de produzir comida de boa qualidade para o Brasil e para mais 180 países, que são nossos clientes nas exportações.

Começou a faltar matérias-primas, consequentemente, os preços de algumas delas foram às alturas, mas, mesmo assim, nós da suplementação mostramos que sabemos trabalhar com dificuldades e mostramos a outros setores que estávamos nos preparando para essa demanda inesperada há muito tempo.

Resultado: crescemos em 2020 e continuamos a crescer em 2021 a despeito de tudo e de todos.

Scot Consultoria: Elizabeth, quais os desafios e oportunidades a suplementação mineral animal traz para a pecuária brasileira? Quais estratégias o pecuarista deve adotar para estabelecer um manejo suplementar bem-sucedido?

Elizabeth Chagas: O nome do momento é tecnologia, já não existe mais espaço para a velha pecuária, onde o boi era um ativo e, como tal, podia ser guardado por longo tempo. Hoje você compra um bezerro de arroba caríssima, que só poderá virar um boi adulto com lucro se ele for vendido jovem e muito pesado. Nessa conta entrou o pasto, a rotação e o manuseio do mesmo, além da precocidade que o mercado pede.

O “boi China” veio para acelerar esse processo de transformação. A carne jovem exigida por esse mercado obrigou o produtor a acelerar os processos produtivos, aumentando a necessidade de investimento em suplementação, genética, saúde, pastagem e em sistemas produtivos. Não podemos perder nada, tudo tem que ser pensado, planejado e precificado com muito conhecimento. Acabou a era do “achismo”.

Para se estabelecer um manejo suplementar bem-sucedido é fundamental o pecuarista se planejar. Por exemplo: em um sistema de engorda, o primeiro passo é saber o peso de entrada dos animais, definir o prazo e peso de saída. Com essas informações ele deveria sentar e alinhar com o seu produtor de suplementos a estratégia que tenha maior segurança e maior economia para atingir o objetivo. Com certeza nesse alinhamento será levado em consideração a pastagem, a lotação e a genética que o rabanho pode desempenhar. Considerando que não existe uma receita pronta de manejo suplementar, toda fazenda deve fazer o seu planejamento individualizado. É importante lembrar: não economize na dieta, pois seu lucro será maior. 

Scot Consultoria: Quais os benefícios da suplementação mineral para bovinos? Há alguma estimativa do retorno financeiro para os pecuaristas que empregam a suplementação mineral na sua produção?

Elizabeth Chagas: Eu não me acho adequada para falar com precisão sobre esse tema, pois não tenho formação na área, mas pelo muito que aprendi e observo, sei que o pessoal de Colina, a nossa “Harvard da pecuária”, nos diz que para cada R$1,00 investido, você poderá ter de retorno até R$3,00.

Acho que o investimento justifica-se hoje para termos uma pecuária de precisão, pois o tripé genética, pastagem/manejo e boa alimentação é segurança para um bom pecuarista.

Scot Consultoria: É possível produzir suplementos minerais de modo sustentável?

Elizabeth Chagas: Claro, com certeza, como também fazer uma pecuária totalmente sustentável, com carbono zero, ou até com créditos de carbono. Graças ao nosso tipo de pecuária em pasto com confinamento de terminação e com a integração lavoura-pecuária-floresta, nós podemos fazer a carne mais sustentável do planeta. O plano ABC+ 2020-2030 do MAPA é um grande achado de sustentabilidade.

Scot Consultoria: Atualmente há muitos casos de falsificações de suplementos minerais? Como é possível indenficá-los e quais são suas as recomendações frente à essa situação?

Elizabeth Chagas: Infelizmente tem ocorrido em grande escala, mas o pecuarista tem que entender que não existe milagre nos custos, já que os insumos em sua grande parte são importados e commodities. Você nunca vai comprar uma ureia pecuária ou um fosfato bicálcico 30% mais baratos. Impossível. Portanto, é necessário que os pecuaristas tenham esse discernimento e não busquem milagres nos custos de seus produtos.

Aconselho a todos comprarem de empresas conhecidas, que tem um nome a zelar, que façam testes em laboratórios regularmente e preferencialmente comprem de associadas da ASBRAM.

Atualmente tem muita gente vendendo gato por lebre, não acreditem em milagres!

Scot Consultoria: Considerando a produção de suplementos minerais voltados à nutrição animal, o Brasil pode ser considerado tecnificado nesse quesito?

Elizabeth Chagas: Hoje, as indústrias de suplementos do Brasil oferecem o que existe de melhor e mais moderno no mundo. Temos tecnologias de nutrição, formulações e sistemas produtivos avançados em relação ao restante do mundo. Por outro lado vemos que a aplicação dessas tecnologias ainda é baixa. Digo isso, pois, pelas estatísticas da ASBRAM, sabemos que somente 70 milhões de cabeças de gado são suplementadas corretamente, com uma dieta perfeitamente balanceada para engorda. Isso não quer dizer que das 214 milhões de cabeças de gado, que é o rebanho que o IBGE diz que temos, somente 70 milhões comam. Todos, ou grande parte, comem, só que uma dieta que atenda menos que a sua real necessidade, para uma engorda a termo.

Estamos no caminho correto, mas ainda temos muito a trilhar. Entretanto, eu não tenho dúvidas que seremos um grande exportador de proteína animal de qualidade e sustentável no mundo.

Temos que vencer a crise do desemprego e fazermos esse pais crescer novamente, e que nosso povo inteiro volte a comer carne, já que essa é a comida preferida da grande maioria dos brasileiros.

Temos que continuar investindo em pecuária de precisão e na integração lavoura-pecuária em busca contínua de uma pecuária sustentável, já que o povo e o planeta agradecem.


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