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Scot Consultoria

Expectativas para o mercado de grãos em 2020

Entrevista com o zootecnista, analista de mercado da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro

Quarta-Feira, 26 de Fevereiro de 2020 - 13h00
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Rafael é zootecnista, formado pela Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Ilha Solteira-SP, mestre em Administração de Organizações Agroindustriais pela UNESP, Câmpus de Jaboticabal-SP. É analista e consultor de mercado da Scot Consultoria. Coordena as divisões de pecuária de leite, grãos e avaliação e perícia. Editor-chefe do Relatório do Mercado de Leite, publicação da Scot Consultoria. Atua nas áreas de análises, estabelecimento de cenários, estratégias de mercado, realização de projeções de preços, oferta, demanda, análises setoriais e pesquisa de opinião e imagem. Ministra aulas, palestras, cursos e treinamentos nas áreas de mercado de leite, boi, grãos e assuntos relacionados à agropecuária em geral.

Foto: Scot Consultoria


Na rodada de entrevistas dessa semana, nosso convidado foi Rafael Ribeiro, um de nossos palestrantes do Encontro de Confinamento e Recriadores da Scot Consultoria 2020.

Rafael Ribeiro é consultor das divisões de grãos, leite e agricultura da Scot Consultoria. Zootecnista pela UNESP-Ilha Solteira. Mestre em Estratégias e Organizações Agroindustriais pela FCAV/UNESP - Jaboticabal.
Rafael abordou sobre o atual cenário do mercado de grãos e as expectativas para 2020.

Essa conversa foi uma introdução para sua palestra que será realizada no ERC20 - Encontro de Confinamento e Recriadores da Scot Consultoria, que acontecerá de 14 a 17 de abril de 2020, em Ribeirão Preto-SP.

Para se inscrever, acesse aqui.

Scot Consultoria: Rafael, o que os pecuaristas podem esperar de sua palestra durante o Encontro de Confinamento e Recriadores da Scot Consultoria?

Rafael Ribeiro: A palestra será sobre o mercado de grãos e insumos, com foco no mercado de milho, soja e também no farelo de soja. A ideia é trazer um pouco sobre as expectativas de patamares mais altos de preços em 2020 em relação a 2019, falar um pouco sobre as estratégias de comercialização e a importância de o pecuarista antecipar as compras e negociações em função de um cenário de alta de preços.

Scot Consultoria: Qual impacto podemos ter na demanda de grãos no mercado externo para este ano diante da conjuntura atual envolvendo a celebração da primeira fase do acordo comercial entre os Estado Unidos e a China e os surtos de coronavírus e gripe aviária no país asiático?

Rafael Ribeiro: De maneira geral, pensando na soja e na China como nosso principal cliente, nós já tivemos em 2019 uma redução dos embarques e agora para 2020 devemos seguir com volumes abaixo do que se viu em 2018, quando a China vinha comprando de uma forma bastante acirrada do Brasil. Então, essa junção de fatores, peste suína, surto de coronavírus, questão da gripe aviária, a dificuldade de logística e a impossibilidade em alguns casos de levar alimentação aos animais, vão refletir em uma demanda menor, mas por ora, vimos nesse início de 2020, em janeiro e na primeira semana de fevereiro, um volume menor comparado com 2019, mas ainda assim quando se analisa a média dos últimos seis anos, os embarques estão em um patamar interessante considerando toda essa situação ruim.

Então do lado da demanda, nós vimos uma procura menor por soja em 2019/2020, mas por outro lado o país tem exportado mais carne suína, carne de frango e carne bovina. Então o país está consumindo mais milho e farelo de soja no mercado interno, em função do aumento da produção desses produtos.

Já do lado da demanda internacional de milho, hoje a Conab fala em valores próximos de 34 milhões de toneladas prevista para a temporada 2019/2020, mas esse volume pode ser revisado para cima, principalmente diante da boa disponibilidade e também do câmbio em patamares elevados, que mantém boa a competitividade do milho brasileiro no mercado externo. Então esses 34 milhões, no caso do milho, podem ser revisados para cima em função do câmbio mais favorável e da boa disponibilidade prevista para essa temporada.

Scot Consultoria: Mesmo com o aumento da oferta de soja, o valor do dólar atingindo níveis de alta históricos ainda puxa o preço do produto para cima, seria um momento ótimo para o Brasil usufruir das exportações, mas por outro lado, a China está abalada com as consequências do coronavírus no país, sendo a China consumidora de boa parte da soja brasileira, então como essa mudança nos volumes afetará o mercado? O consumidor brasileiro do produto também enfrentará esse aumento de preços? Ou haverá um controle devido aos menores volumes embarcados?

Rafael Ribeiro: Pensando no cenário de preços firmes para soja, temos em plena colheita, o câmbio se valorizando como fator de sustentação das cotações e a questão da demanda interna pelo esmagamento. Como falei o volume exportado está abaixo de 2019, mas ainda assim são volumes historicamente bons.

Então esses fatores devem manter uma sustentação dos preços da soja mesmo com a colheita, e no caso do farelo de soja, já se tem hoje um patamar de preços mais altos em relação ao ano passado. Hoje o farelo está cotado em média entre R$1.350,00 e R$1.400,00 a tonelada em São Paulo e região Sudeste, no Brasil Central a cotação está em torno de R$1.200,00 a tonelada e na região Sul variando entre R$1.200,00 a R$1.300,00, patamares acima do verificado em 2019. E lembrando que, a partir de maio e junho tende a ter estoques menores no mercado interno e historicamente os preços sobem. Então a consequência de todo esse cenário mais firme de preço para a soja a gente já tem visto nas cotações do farelo de soja que já subiram em relação a 2019.

Scot Consultoria: Com a crescente participação de soja e milho para a produção de biodiesel e etanol, respectivamente, e com expectativa de incremento do plantel de aves e suínos para este ano, o que podemos esperar quanto ao consumo interno e quais reflexos surtirão nos preços dos grãos no Brasil?

Rafael Ribeiro: Hoje a Conab já fala em uma demanda de pouco mais de 70 milhões de toneladas. Nas últimas seis temporadas, por exemplo, a demanda interna por milho cresceu mais de 10 milhões de toneladas, isso em função da demanda crescente para a produção de etanol a partir de milho, e também em função da maior demanda pelos setores de aves e suínos para atender esse maior volume de exportação.

No caso do biodiesel, pensando na soja e no óleo de soja, justamente essa maior demanda interna que tem dado sustentação às cotações em plena colheita.

Scot Consultoria: Neste ano, tivemos alguns problemas climáticos enfrentados nas lavouras brasileiras, como a escassez de chuvas no Rio Grande do Sul e uma semeadura ocorrendo de maneira desuniforme devido ao atraso nas precipitações. Com isso, as expectativas de incremento de produção, tanto de soja como de milho, para esta primeira safra, devem ser atingidas? Para a segunda safra brasileira, que segue sendo semeada, qual cenário devemos ter?

Rafael Ribeiro: A preocupação no Rio Grande do Sul com relação ao clima foi em relação as safras de verão da soja e do milho de verão, ou de primeira safra, que acabou chovendo um pouco em meados de janeiro, e mais recentemente a falta de chuva voltou a ser um problema no estado, o que deve de alguma maneira prejudicar as produtividades médias das lavouras de verão na região, que estão na fase de colheita.

Com relação a segunda safra, a questão é que o excesso de chuvas em algumas regiões, principalmente no Brasil Central, região Sudeste e Paraná, prejudicou um pouco o ritmo dos trabalhos em meados de fevereiro. A preocupação é se continuar chovendo de forma constante e em grandes volumes existe uma tendência de dificuldade das máquinas entrarem na área para fazer a colheita da soja de verão e o plantio de milho de segunda safra, o que pode estreitar a janela de plantio que vence agora em algumas regiões e passado esse prazo, o plantio acaba sendo de maior risco.



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