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Scot Consultoria

Uso da ILP na recria de animais

Entrevista com o pesquisador da EMBRAPA, Bruno Carneiro e Pedreira

Sexta-Feira, 14 de Fevereiro de 2020 - 05h55
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Pesquisador da EMBRAPA agrossilvipastoril, realiza seu trabalho voltado para à área de ILP (Integração Lavoura Pecuária) e ILPF (Integração Lavoura Pecuária e Floresta).

Foto: Scot Consultoria


Na rodada de entrevistas da semana, nosso convidado é o Bruno Carneiro e Pedreira, um dos palestrantes que estará presente no Encontro de Confinamento e Recriadores da Scot Consultoria.

Bruno possui graduação em agronomia pela Universidade Federal de Lavras, mestrado em ciência animal e pastagens, e doutorado na mesma área, ambos pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”.

Recentemente realizou pesquisas sobre os ecossistemas das pastagens pela Universidade da Flórida, com início em 2018 e término em 2019.

Atualmente, Bruno é Pesquisador da EMBRAPA agrossilvipastoril, realiza seu trabalho voltado para à área de ILP (Integração Lavoura Pecuária) e ILPF (Integração Lavoura Pecuária e Floresta).

Na conversa com Bruno, abordamos os principais aspectos do uso da integração entre os setores produtivos agropecuários.

Esse bate-papo foi uma introdução para sua palestra que será realizada no ERC20 - Encontro de Confinamento e Recriadores da Scot Consultoria, que acontecerá de 14 a 17 de abril de 2020, em Ribeirão Preto-SP.

Para se inscrever, acesse aqui.

Scot Consultoria: Quais são os critérios utilizados para quem quer começar a utilizar a ILP?

Bruno Pedreira: O primeiro deles é disposição para fazer o que ainda não fez. Tem que querer aprender e entender que com as mesmas atitudes não vai alcançar um lugar diferente. Tem que querer sair da zona de conforto para buscar um sistema mais complexo, mas mais produtivo. Além disso, é necessário ter solos apropriados, mão de obra qualificada e recursos financeiros para investir em insumos, máquinas, implementos, etc.

Scot Consultoria: Existe uma limitação de área para que a modalidade seja inserida?

Bruno Pedreira: A limitação vai ser prioritariamente imposta pela lavoura. Áreas pequenas não justificam a compra de maquinário de plantio e colheita, mas que podem ser viabilizadas por parcerias.

Áreas muito grandes também não devem ser exploradas em um primeiro momento. É necessário planejar o escalonado de acordo com o potencial de investimento do produtor e de adaptação da propriedade a um novo sistema.

É preciso ter um planejamento que contemple os objetivos de cada produtor, pois não existe uma receita pronta de ILP, cada propriedade apresenta oportunidades e desafios próprios que precisam ser considerados.

Scot Consultoria: Com as vantagens da ILP, por que muitos produtores encontram barreiras à adesão do método?

Bruno Pedreira: A grande maioria dos produtores se especializou nas últimas décadas, e fazer algo novo é desafiador. As forrageiras que utilizamos nas nossas pastagens são consideradas como uma cultura perene, no entanto, soja, milho, sorgo etc., são culturas anuais.

E o que isso quer dizer? Quer dizer que o tempo de resposta tem que ser mais rápido. Quando algo errado acontece com um pasto, normalmente, temos outro pasto, diminuímos a taxa de lotação e de alguma forma ajeitamos. Podemos “conviver” com plantas invasoras e pastos abaixo do potencial com menores perdas.

Já na lavoura, não! São 100-150 dias para completar o ciclo do plantio à colheita, é necessário planejamento rígido, monitoramento constante, e ações imediatas. Por isso, a ILP pode assustar, mas com um bom planejamento e acompanhamento técnico, tem tudo para dar certo. 

Scot Consultoria: O senhor saberia nos dizer quanto a produtividade de uma fazenda pode aumentar ao substituir a recria extensiva tradicional pela intensificação com o sistema de integração com lavoura e floresta?

Bruno Pedreira: Na média, no estado de Mato Grosso, onde temos o maior rebanho bovino do Brasil, a produção pecuária é de 13,2@/ha.

Entre 2015 a 2018, recriamos (250-500kg) novilhos na Embrapa Agrossilvipastoril em sistemas tradicionais (bem manejado), em ILP e ILPF.

O resultado desse ensaio mostrou que podemos aumentar a produção de 2,3 a 3 vezes a média de MT. Esses números serão apresentados no Encontro de Confinamento e Recriadores da Scot de 2020.

Scot Consultoria: Como o sistema ILP se enquadra no plano ABC do governo federal e quais benefícios este traz para o pecuarista?

Bruno Pedreira: O plano ABC é um programa de incentivo do Governo Federal para fomentar práticas que melhorem a eficiência e sustentabilidade da nossa produção agropecuária. A ILP é uma das modalidades contempladas pelo plano que oferece empréstimos com juros mais modestos para incentivar o uso desse sistema de produção. Mais do que conseguir recursos para fomentar a operação, o plano auxilia a alavancar o negócio, pois permite a aquisição de sementes e mudas, corretivos agrícolas, georreferenciamento, assistência técnica, aquisição de animais, máquinas, equipamentos e implementos, entre outros. O prazo é de oito anos para pagar, com até três anos de carência.

Scot Consultoria: Bruno, o senhor poderia nos dizer qual a diferença do ganho de peso médio diário de animais recriados no sistema ILP e daqueles que foram recriados em pasto convencional. Poderia nos dar um exemplo de case de sucesso?

Bruno Pedreira: O ganho médio na recria é algo em torno de 350g, na ILP já temos diversas fazendas recriando com ganhos acima de 600g por dia. Como isso impacta no confinamento? Os animais vão atingir peso de entrada no confinamento ainda mais jovens, e com maior potencial de desempenhar quando confinados.

Um case de sucesso é o da JP Agropecuária, Faz. Pontal, em Nova Guarita-MT, em que os bezerros já nascem em pastos de ILP. Ao apartar já recebem suplemento proteico/energético, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento para atingirem de 330 a 360kg, quando os machos (Nelore x Nelore Angus) e as fêmeas (Nelore x Angus) são confinados até atingem 550 e 510kg aos 19 e 17 meses de idade em média, respectivamente.

Scot Consultoria: Bruno, o que o produtor pode esperar do Encontro de Confinamento e Recriadores da Scot Consultoria?

Bruno Pedreira: O Encontro é um evento clássico para a pecuária brasileira, e penso que o desse ano vai ser, mais uma vez, repleto de novidades para o pecuarista. Vamos mostrar o que tem de mais recente e impactante na pecuária. Eu, particularmente, quero mostrar como podemos modificar a recria produzindo capim de alto valor nutritivo na seca, com possibilidade de inverter a estação de monta, e produzir cada vez mais em fazendas que utilizam sistemas lavoura-pecuária. Além disso, o pecuarista vai ter a possibilidade de encontrar com pecuaristas de todo o Brasil, dividir experiências, ouvir sobre as expectativas, se informar. É no Encontro que o pecuarista vai ter acesso à informação atualizada e inovadora para aplicar no seu negócio.



Convide sua equipe, reúna seu time e garanta seu lugar no Encontro de Confinamento e Recriadores da Scot Consultoria. De 4 a 7 de agosto, em Ribeirão Preto-SP. INSCREVA-SE AQUI.



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