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Scot Consultoria

A importância do manejo adequado da planta forrageira

Entrevista com a pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Liana Jank

Segunda-Feira, 17 de Dezembro de 2018 - 08h00
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Engenheira agrônoma, formada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ, da Universidade de São Paulo, mestrado em Agronomia - Manejo de Pastagens pela University of Florida, doutorado em Melhoramento de Plantas pela University of Florida. Pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

Foto: Visual Hunt


Dando continuidade a rodada de entrevistas com as grandes mulheres de sucesso no agronegócio, a segunda entrevistada é Liana Jank, que falou um pouco sobre seu envolvimento com o agronegócio, das principais inovações na área de sementes de pastagem e os principais cuidados que o pecuarista deve ter no manejo adequado da planta forrageira.

Liana, tem graduação em engenharia agronômica pela ESALQ (1978), mestrado em Agronomia - manejo de pastagens pela University of Florida (1982), e doutorado em Melhoramento de Plantas - University of Florida (2001). É pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Atua principalmente nos seguintes temas: melhoramento genético, desenvolvimento de novas cultivares, produção de forragem e de sementes de plantas forrageiras, apomixia, citogenética, caracterização cromossômica e molecular de gramíneas forrageiras. Atua na divulgação das cultivares liberadas por meio de dia de campo, entrevistas na mídia e treinamentos a produtores de sementes e pecuaristas, técnicos e fiscais de campo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. É gestora do gênero Panicum maximum no convênio Embrapa-UNIPASTO e gestora geral dos planos anuais de trabalho dentro deste convênio.

Veja a entrevista a seguir:

Scot Consultoria: Liana nos conte sobre sua história com o meio agro e os seus maiores desafios como uma grande figura feminina do agronegócio?

Liana Jank: Eu sou natural de São Paulo. Quando eu tinha cinco anos de idade, meu irmão Roberto, filho de um casamento anterior de meu pai, formou-se em Agronomia na Esalq/USP em Piracicaba, e foi trabalhar na fazenda de seu padrasto em Descalvado. Nós sempre íamos à fazenda e eu adorava. Eu sempre acompanhava meu irmão nas visitas às lavouras e ao estábulo, e lógico, fazíamos muitos passeios a cavalo. Com 18 anos ingressei na Esalq. Quando eu estava no terceiro ano, me apaixonei pelos capins e foi então que decidi trabalhar com pastagens. O maior motivo de eu ter me apaixonado pelos capins foi que eu adorava as vacas e cavalos, porém, como eu não vivia na fazenda não tinha muita experiência na lida com eles, e os capins passaram a ser um jeito de eu trabalhar com os animais sem ter que lidar diretamente com eles.

O meu maior desafio como uma figura feminina do agronegócio foi sempre separar o lado profissional do lado “feminino”, evitar ser assediada pelos homens e ser mal compreendida por eles.

Scot Consultoria: Quais são as maiores inovações na área de sementes forrageiras nos últimos anos? E para os próximos, já existem novas cultivares para serem lançadas?

Liana Jank: As maiores inovações na área de sementes forrageiras nos últimos anos foram os lançamentos de uma cultivar de Brachiaria e três de Panicum maximum. Em 2017 foi lançado o primeiro híbrido de braquiária da Embrapa, fruto do cruzamento entre uma B. brizantha e uma B. ruziziensis, que apresenta alta qualidade e é resistente a todas as cigarrinhas-das-pastagens. As cultivares de P. maximum recém-lançadas foram a BRS Zuri em 2014, e os híbridos BRS Tamani em 2015 e BRS Quênia em 2017. Estas cultivares de distintos portes apresentam alta produtividade, qualidade e maior facilidade de pastejo. 

Existem novas cultivares de forrageiras a serem lançadas. A Stylosanthes guianensis cv. Bela será lançada em 2019, na Dinapec (Dinâmica Agropecuária) que ocorrerá em fevereiro na Embrapa Gado de Corte em Campo Grande, MS. Trata-se de uma leguminosa para plantio com gramíneas em solos mais pesados. Estão planejados também os lançamentos de um Andropogon gayanus (cv. Sarandi), um guandú (Cajanus cajan cv. BRS Guatã) e uma Brachiaria ruziziensis para uso na integração lavoura-pecuária para 2020. Está previsto ainda, o lançamento de uma cultivar de Paspalum regnelli (cv. Guará) que entre outras qualidades suporta solos que acumulam água temporariamente.

Scot Consultoria: Um dos grandes problemas do pecuarista em relação a pragas na pastagem é a cigarrinha-das-pastagens. Quais os principais manejos que devem ser feitos para controle dessa praga?

Liana Jank: Para controlar a cigarrinha-das-pastagens deve-se em primeiro lugar manejar corretamente a pastagem para evitar o acúmulo de palhada no solo, ou seja, deve-se ajustar a carga animal para que o pasto não sobre e nem seja superpastejado. O segundo manejo é pelo controle biológico realizado por meio do fungo Metarhizium anisopliae, um inseticida biológico que não polui o ambiente e não exige a retirada dos animais da pastagem. Por último, é possível o uso de controle químico, que exige a retirada dos animais do pasto. Porém, a principal medida de prevenção do ataque de cigarrinhas é o uso de cultivares de forrageiras resistentes. Atualmente já existem muitas cultivares resistentes a esta praga. Se for usar cultivares não resistentes, recomenda-se seu plantio intercalado com cultivares resistentes para evitar o monocultivo em extensas áreas.

Scot Consultoria: Na sua opinião, quais os principais erros cometidos pelo produtor em relação ao manejo de pastagens? E o maior entrave para a resistência do pecuarista em utilizar novas cultivares de forrageiras?

Liana Jank: Os principais erros cometidos pelo produtor em relação ao manejo de pastagens são não seguir as recomendações técnicas, principalmente quanto à sobrecarga que é dada à pastagem. Cada cultivar de pastagem tem uma recomendação técnica baseada em pesquisa sobre a melhor faixa de utilização pelos animais, onde se obtém o maior retorno em produção de carne ou leite e a melhor preservação da pastagem visando sua longevidade. Em outras palavras, cada cultivar de pastagem tem a correta recomendação de altura de entrada e saída dos animais. O maior erro é não seguir estas recomendações e, assim, permitir ou que o pasto cresça demais e que passe do ponto de melhor qualidade ou que seja esgotado pelo superpastejo levando à sua degradação. O segundo maior erro é não repor a adubação recomendada e, assim, também levar a sua degradação.

O maior entrave para a resistência do pecuarista em utilizar novas cultivares de forrageiras é o desconhecimento e resistência em investir em algo que não se sabe se dará retorno. Assim, muitas vezes o pecuarista só planta uma nova cultivar de forrageira depois que ele vê o sucesso de seu vizinho.

Scot Consultoria: Em relação ao manejo de pastagens, qual o seu principal conselho para quem quer melhorar a produtividade da fazenda?

Liana Jank: Sempre buscar as informações que estão disponíveis para escolher bem a cultivar e de como tratá-la e manejá-la. Para facilitar a escolha, adubação e manejo da pastagem, existem vários aplicativos no mercado, um deles é o Pasto Certo desenvolvido pela Embrapa. Outro conselho é sempre acompanhar de perto tudo o que acontece com a pastagem, anotando tudo, desde que semente foi adquirida, seu custo, como foi o plantio, como foi a formação do pasto, quantos animais entraram, quantos dias ficaram no pasto, quantos quilos ganharam etc. Para melhorar a produtividade da fazenda deve se ter tudo registrado e acompanhado para que as mudanças necessárias possam ser realizadas.

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